Irmão de Richie, design ajudou a criar identidade visual do selo M-nus, que completa 10 anos
Epicentro da febre (e da discórdio) do minimal techno dos últimos anos, o selo germano-canadense M-nus celebra sua primeira década agora em 2008 com "Dez Semanas de Silêncio". Exato, de janeiro até metade de março, nenhuma festa, evento, aparição ou lançamento surgirão do selo, como forma de "reflexão, reajuste de foco e energias."
Idéia essa que lembra a
Bienal 2008 e seu andar vazio, para celebrar o nada de um evento artístico de administração trôpega. Claro, não é o caso da M-nus, que desde 1998 só tem a celebrar êxito. Tanto de seus artistas quanto de sua concepção minimalista do techno, que atualmente virou o baluarte mainstream do gênero.
O que pouca gente sabe é que Richie tem um irmão, Matthew, artista visual formado em Toronto e Londres que ajudou a criar, sempre atento à mão-de-ferro de seu
brother, a idéia visual do selo.
O HAWTIN ARTISTA PLÁSTICOSeu trabalho é prolífico e, claro, focado na arte minimalista quase como uma ferrenha ideologia. Mais recentemente, ele criou um "estúdio-diário", onde fez uma interpretação metalingüística de sua própria arte em instalações e pinturas, que podem ser vistas no site
www.mhawtin.com.
Falamos com M. Hawtin para a ocasião dos dez anos do selo e, sempre envolto por uma modéstia a qualquer assunto além-arte visual, ele não deu muita corda para o assunto música, já que era sabida suas aventuras em picapes e softwares de produção. De modo que ele diz ter feito apenas
um remix em 98, sem comentar uma antiga parceria musical sua com Richie denominada
The Hard Brothers.
O selo M-nus completa 10 anos agora, como você participou da identidade visual do selo?Eu não tenho muita presença efetiva na criação da M-nus, é muito mais uma coisa que diz respeito aos conceitos do meu irmão. Eu digo sim a ele o que eu gosto e desgosto, porque dividimos valores e crenças comuns.
Mas como é trabalhar na criação com Richie? Havia uma premissa minimalista no conceito visual do selo desde seu começo?Meu processo com Rich sempre foi muito orgânico. Nós influenciamos um ao outro mas não é algo consciente, surge inconscientemente por conversas, observações e análise do que cada um faz. Nós também gostamos do mesmo tipo de música, artistas e filmes, então essas influências também contam.
O selo M-Nus começou quando Rich estava se tornando mais conhecedor sobre arte minimalista e isso teve influência em seus pensamentos.
Defina minimalismo na sua concepção, e como você vê este conceito nas artes em geral nesses anos 2000.Minimalismo é o refinamento da vida e a essência das coisas. É um modo de pensar, um jeito de visualizar e também de produzir. É o conceito "less is more" (menos é mais) e a apreciação da simplicidade dentro de um mundo caótico.
O minimalismo está sempre envolto na arte, na música, na arquitetura, na dança e continuará a se desenvolver assim que novos públicos aprendam a apreciar esse conceito.
Você acredita que a estética do minimal techno é coerente com os dogmas da arte minimalista visual?Sim, eu acho que é. Assim como a arte minimalista explora espaço, textura e forma, o minimal no techno também o faz. Você tem que ser paciente com essa arte para aprender a apreciar sua beleza. É o mesmo com a música, requer paciência e meditação.
Quais são os artistas que mais te influenciaram ao longo do tempo?Eu gosto de vários, não só os minimalistas. Alguns deles que me influenciaram são:
Donald Judd,
Richard Serra,
Mark Rothko,
Ellsworth Kelly e
Julian Schnabel.
Clique aqui e leia uma entrevista de Richie Hawtin à revista japonesa PingMag sobre arte minimalista.
entrem no site do fabric e veja como eles vão quebrar este silencio.....