O amor nos anos 80
O amor num riff de guitarra
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O amor nos anos 80
O romantismo deu a tônica da década do obscurantismo: amores intransponíveis, roupas barrocas, maquiagens e cabelos duvidosos e muitas canções apaixonantes de cortar os pulsos
12.06.08 11:40
O tempo que vivemos - anotem aí, a história vai dizer - ajudará a derrubar um dos maiores clichês sobre os anos 80: o de década perdida. Desde 2000 se processou na música eletrônica e alternativa um revival indiscriminado a tudo que soasse como sintetizador empoeirado ou que lembrasse ombreiras e brincos geométricos. Foi uma época marcante e, mais que referência, virou um elemento no mosaico de influências que são esses nossos confusos anos 00.

Então para celebrar o Valentine's Day gringo, que acontece sempre dia 14/fev, reunimos alguns hinos românticos de bandas e sonoridades marginalizadas da época, donas de sucessos absolutos e relativos, que embalaram amores, bailinhos da vassoura em muita festa de garagem e moldaram grande parte dos charts da época.

ROMÂNTICOS E ROQUEIROS
Pelo espírito fervoroso e na intensidade do amor explicitado em letras diabéticas de tão açucaradas, vamos relembrar os anos 80 por dois momentos marcantes: o new romantic e o hard rock sentimental, subgêneros que tiveram seu ápice bem no meio da década, de 1983 a 1987. Foi o período em que a disco havia enfim sido enterrada e o synth-pop era uma realidade, disseminada até no rock.

Rock esse que viu uma chuva de bandas nervosas, masculinas e pesadas falando de amor da maneira mais cândida sobre seus riffs metaleiros. Era o hard rock romântico e pop de gente como Europe, Whitesnake, Van Halen e - eca! -, Skid Row, afetação cabeluda que só foi pro ostracismo lá por 1988, com o surgimento acachapante do Metallica.

♥♥ SPANDAU BALLET (1983)
O new romantic era algo tão escorregadio como a new rave. O termo foi cunhado no começo da década por Richard Burgees da banda Landscape, e englobava toda a sonoridade synth e a atitude pomposa da época, contraponto à moda geometricamente plana dos anos 70. Como encaixava Duran Duran, Soft Cell, e tinha como mestres Brian Eno, David Bowie e a Roxy Music (Brian Ferry era chamado de o "último romântico"), a história virou um tachão de Ubatuba musical, e o tal new romantic funcionou mesmo foi é para a moda.

Burgees foi produtor do Spandau Ballet, banda de almofadinhas ingleses, uma versão jovem e funky de Ray Connif. Tony Hadley, o vocalista, foi um Mr. Big da época e "True" foi responsável por baby booms em todos os países em que a balada emplacou medalha de ouro em charts - não foram poucos. "Only When You Leave" é o lado mais bacanudo do grupo.

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Spandau Ballet - True (mp3)

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Spandau Ballet - Only When You Leave (mp3)


♥♥ THE CARS (1984)
Enquanto o Reino Unido se consumia no underground, os EUA viviam a bonança e o conservadorismo da era Reagan, e bandas da costa leste retratavam o amor yuppie em canções assépticas e harmonias melosa, de incrível capacidade pop. Clique aqui e veja uma cena do fodástico American Psycho, em que ele é ilustra a encarnação perfeita do gosto musical yuppie.

Caso do The Cars, famoso pelos refrões de "Drive", balada que conseguia fundir Phil Collins e David Bowie em esfumaçados sintetizadores de fundo. Verdadeira trilha de motel requintado e de programa noturno de FM. E a melancólica paixão? "Quem vai conduzi-la para casa hoje à noite? Quem vai lhe levantar quando você cair? Quem vai ficar na linha quando você ligar? Quem vai prestar atenção aos seus sonhos?".

Como todas as músicas dessa matéria, o apelo nostálgico é irresistível, gera saudades de coisas que você nunca nem sentiu.

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The Cars - Drive (mp3)


♥♥ PAUL YOUNG (1985)
Agora imagine esse romantismo enlatado americano numa versão britânica, pop e cavernosa. É o mesmo tipo de amor cheirando no ar, mas no caso do músico Paul Young, pode-se até a dizer que há um certo tempero cool. Mais ou menos, porque ele é o mesmo que fabricou uma cafonice histórica, a infame "Senza Una Donna".

Guitarras, para Mr. Young, servem apenas para contrabalancear a batida do coração, expressa num tum-tum pausado, carinhosamente harmonizado com pianos. Tudo muito lento, como numa cópula apaixonada dos tempos de 9 ½ semanas de amor. Dá até para imaginar a cena cinematográfica: a mulher úmida de paixão, na transa longa, ininterrupta e contemplativa, o gozo intenso alcançado no ritmo da canção, com a mão a amassar os lençóis de seda... Existe época mais idealizada que os anos 80?

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Paul Young - Every Time You Go Away (mp3)


♥♥ MR. MISTER e DOUBLE (1985/1986)
Um pulo de volta aos Estados Unidos e outro na Suíça (!) para dois one-hit-wonders. Caso da banda de rock Mr. Mister, que cheira a fumaça de maçã-verde com seu rock-balada visceral, que ilustrava bem a curiosidade do mainstream por sintetizadores - nem vamos falar do underground da época, que bombava. Na famosa "Broken Wings", o teclado sintético parece dialogar com o refrão, com as asas quebradas e mal amadas do vocalista. Um clássico.

Da calmaria suíça surgiu outro clássico das rádios, a pueril "The Captain of Her Heart", criada pela dupla Felix Haug e Kurt Maloo, o Double. O vocal é um pré-Depeche Mode lo-fi, onde saxofones e os pianos, sempre eles, mostram como a música e o amor, nada mais importam nessa vida. Garçom, o whisky, por favor...!

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Mr. Mister - Broken Wings (mp3)

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Double - The Captain Of Her Heart (mp3)


♥♥ EUROPE (1986)
Vamos agora ao exemplo crasso do hard rock apaixonado. Os suecos do Europe, banda roqueira até o dedão famosa pela "The Final Countdown", caíram de amores por "Carrie", dando um viés positivo ao nome que até então era sinônimo de garota estranha. Outro turning-point para o nome, só no seriado de dona Sarah Jessica Parker.

Não há muito o que se falar da música. Sai o clima épico de "Final Countdown" e entra a lamúria da guitarra progressiva e a bateria fácil, contável no 1, 2, 3 e TUM. Era o tipo de música baba que muitos odiavam, sempre forçados a ouvir por um tio mala ou uma vizinha mal-comida.

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Europe - Carrie (mp3)


♥♥ A-HA (1986)
A gente simplesmente não pode falar dos anos 80 e não citá-los. Esqueça Prins Thomas, o orgulho nacional da Noruega foi e sempre será o A-Ha. "Hunting High And Lown" deveria entrar pro hall of fame dos corações partidos, ou ser restrita a psico-apaixonados e suicidas em potencial.

É uma opereta amorosa, o vocal, o piano, a explosão lá pelos dois minutos em que muita gente escondida no quarto imitava cena de briga romântica do cinema, já que amar é sofrer. O sotaque é macio, o refrão, fácil. Fora a beleza das gaivotas pairando no ar.

Perfeito, isso é o amor musicado.

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A-Ha - Hunting High And Low (mp3)


♥♥ CROWDED HOUSE (1986)
Lá por 86 os anos 80 já eram o que são hoje, até aqui no Brasil. As rádios bombavam, as vitrolas giravam a todo vapor e a televisão cumpria bem um papel pré-MTV de disseminar a música internacional. O Fantástico (Rede Globo), e o Clip Trip (da Gazeta), são algumas lembranças dessa época.

Foi nesse período que surgiu a febre das "melôs". O Plano Cruzado ainda não tinha abastecido tanto a classe média assim e escolas de inglês não eram iguais hoje em dia, verdadeiras redes de fast food. A galera improvisava mesmo, abrasileirando refrões sem medo de ser feliz. Moda essa que perdurou até nos eletrônicos anos 90, quando piratões em vinil colocavam como subtítulos dos nomes - muitas vezes grafados errados, lógico -, as infames denominações de melô ("melô do sabonete", "melô do relógio", e por aí vai).

Uma famosa foi a "Melo do Reinaldo", suplantando o "Hey Now, Hey Now" no refrão da clássica mela-cueca "Don't Dream It's Over", dos australianos do Crowded House.

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Crowded House - Don't Dream It's Over (mp3)


♥♥ HOUSEMARTINS (1987)
Outra melô famosa, talvez a mais delas (pelo menos lá na minha vila!), foi a "do Papel". Era para acalentar a famosa "Build", cantarolada em difícil sotaque britânico de Bristol pela banda The Housemartins, que tinha, veja só, Norman Cook aka Fatboy Slim como baixista.

"B-b-b-buiiild" virou "pa-pa-pa-pa-pel" nesse hit FM de levada simplória mas de refrão tão marcante, que não deixa nada a dever para Europe e The Cars. Mais do que apuro musical, a sonoridade dos anos 80, ou fazia dançar, ou pegava casais pelo coração e ajudou a embalar inesquecíveis momentos românticos em músicas que ajudaram a fecundar você, jovenzinho clubber de 20 e poucos anos. Happy Valentine's Day!

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Housemartins - Build (mp3)

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
Gil Barbara
Gil Barbara
comentários
37 comentários
Faltou ai Heart e Cyndi Lauper.. adoro anos 80! ^^
Rafael BZ
Rafael BZ(20.06.08)
1AprovadoQueima
Japan foi a única banda realmente boa do movimento New Romantic.
Tati Oldfield
Tati Oldfield(14.06.08)
1AprovadoQueima
Bons tempos,que antes eram pichados pela mídia e hj são idolatrados...era criança nos anos 80 e qualquer música dessas era melhor do que as músicas infantis da época,eu garanto :D
Augustuzs Neto
Augustuzs Neto(13.06.08)
2AprovadoQueima
Eu tb aproveitei mas já que o Dia dos Namorados 2008 ficou no passado, então não vai ter problema nenhum que eu diga que, apesar de toda a cena engraçada do Sweet Sixteen de muitos daqui, a verdade é que o amor nos anos 80 foi destrúido pela AIDS.
Simples assim.
Raul Cornejo
Raul Cornejo(13.06.08)
1AprovadoQueima
Dado esse palavrório meio desnecessário, a única coisa q quero deixar clara é: eu aproveitei. E vcs?