Sem as benesses de uma major, grupo nova-iorquino soa mais espontâneo e lança boa faixa em compilação da Kitsuné
"Eu acho que o Scissor Sisters conseguiu sair do gueto porque eles têm várias músicas animadas e bem executadas, bem pop. As pessoas dizem que nós deveríamos ser tão grandes quanto eles, mas para mim nosso projeto é mais underground e mesmo sendo totalmente ridículo eu tento não levá-lo a sério demais."
Sentado no saguão do hotel cinco estrelas Great Eastern, em Liverpool Street, Warren Fischer ri quando calcula que essa é um valor, que o faz relativamente rico. Visto no princípio como a grande esperança branca do electro, sua banda Fischerspooner acabou sendo eclipsado pelos Scissor Sisters, seus colegas do electroclash nova-iorquinos, ainda que cinco anos depois ambos estejam ricos e livres.
Livres no sentido de restrições comerciais que tantos artistas se viram presos em contratos com gravadoras e libertos também por ser o membro que ‘fica atrás' de uma das mais modernas bandas da década.
FIM DE UMA ERADepois de terminar um contrato frondoso com a gigante EMI/Capitol, eles reacendem bons holofotes sobre suas próprias cabeças com um bom lançamento, o single
The Best Revenge, lançado pelo über-hip selo francês Kitsuné Music. De modo que eles já parecem sentir que as chances de sucesso gigante são mais modestas.
"Nós, como banda, estamos numa posição perfeita porque ainda somos um nome relativamente novo e já temos algum histórico, então estamos num mercado aberto e temos uma idéia de como vamos seguir adiante", ele sugere.
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Fischerspooner - The Best Revenge (mp3)
Fischerspooner - The Best RevengeVocê está aqui em Londres de novo como DJ, quanto Londres é especial para você tocar? Quão diferente é dos outros lugares?Londres é um lugar ótimo para música. A população parece ser mais interessada em música aqui do que no resto mundo, ou pelo menos em música nova. Londrinos se orgulham de serem bem educados e inteligentes sobre música. Nós tocamos um estilo mais desafiador porque o público aqui é muito aberto em relação à música mais pesada. Claro que há um monte de DJs que tocam músicas muito mais obscuras que a gente, mas na nossa perspectiva ainda é uma grande oportunidade de fazer algo diferente, já que sempre nos oferecem tocar para um público mais
mainstream.
Quanto de planejamento têm seus sets? Você gasta cada hora do seu dia procurando faixas, praticando e tendo certeza que você pode competir com qualquer outro DJ? Eu não estou competindo com todos os outros DJs. Ao contrário, eu amo assistir outros DJs e ouvir o que eles estão tocando. Por experiência sei que DJs não são tão competitivos, eles sempre tentam se ajudar, tentam ter um tempo agradável enquanto tocam as músicas que amam, só isso.
Tommie Sunshine (http://www.tommiesunshine.com/) disse que está chamando sua música de armageddon fidget rave. O Armageddon viria fato que ele moraria "num lugar que é o começo do fim", a Austrália. Do que vocês estão chamando suas músicas esses dias?Meu Deus! Ele definitivamente preparou essa resposta. Mas você me pegou com a guarda baixa, deixo para outras pessoas criarem um rótulo.
O que você achou do surgimento e fim da new rave? Viu similaridades entre ela e o electroclash?A coisa da new rave nos Estados Unidos não pegou tanto quanto no Reino Unido, porque Londres é um lugar particularmente bom para disseminar novas idéias e consumi-las. A América é um país maior e mais lento, então essa moda meio que colidiu aqui. Eu realmente gosto dos Klaxons, mas de uma perspectiva musical eles não são muito raves. Mas pode ser que eu não saiba muito sobre isso. As similaridades podem ser só visual, os impulsos são similares, mas musicalmente electroclash e new rave são bem diferentes.
Como você vê o electroclash hoje? Por que inspirou tanto medo e ódio?No geral, a palavra "electroclash" ainda inspira medo e ódio. O que nós estávamos fazendo no começo era brincar com a idéia do electro, um estilo e som de 25 anos. Nós pensamos em nos chamar de new-electro, mas daí o apelido electroclash surgiu num festival e foi bom e ruim. Ele criou uma ilusão, uma espécie de desordem global. E de certa maneira foi isso mesmo, a música estava mudando naquele ponto, mas a impressa falou tanto sobre isso e tão depressa que a revolução musical que todo mundo estava esperando nunca apareceu. Nós tínhamos uma relação ódio/amor com o termo, como você pode esperar.
SEM CONTRATO
Em fevereiro de 2007 a EMI anunciou a fusão da Virgin Records com a Capitol Records, dando origem à Capitol Music Group, bandeira subordinada à EMI. A sede de Los Angeles da Capitol foi desativada e centenas de funcionários foram dispensados. Oito bandas ficaram sem contrato: The Dandy Warhols, Sound Team, Shout Out Louds, The Redwalls, Otep, The Vines, Airbourne e o Fischerspooner. As fusões e cortes foram parte da reestruturação da EMI para compensar perdas com o predomínio de distribuição de música digital.
Eu faria alguma coisa diferente se eu pudesse voltar no tempo? Claro que não. Foi incrível para nós. Você consegue imaginar sair do nada para ser o centro do debate? Eu acho que se as pessoas estão discutindo, então há algo legítimo acontecendo.
Você era sensível às críticas? Qual foi a coisa mais agressiva que você leu?Eu nunca fui sensível às críticas. Tinha uma coisa bem punk rock sobre o que nós estávamos fazendo, estávamos tentando fazer coisas radicalmente diferentes, então quando você está feliz com seu status de
outsider algumas pessoas irão te odiar e outras irão te amar. Nada era pessoal para mim.
Já li em algum lugar que você e Casey brigavam muito na hora de compor e criar, como vocês administraram continuar juntos esse tempo todo?Casey e eu somos bem diferentes, ele está mais preocupado com a imagem e eu sou mais o cara normal na banda. Mas eu adoro o jeito que ele é e eu não me sinto inconfortável, mesmo que não seja o que eu queira fazer.
Isso é parcialmente verdade, mas é algo que surgiu no nosso último álbum (
Odissey, 2005). A Capitol era muito boa conosco, nos dava total liberdade artística, nunca nos questionava e, ao permitir que trabalhássemos com qualquer pessoa e ao dar todo o dinheiro para isso, mesmo sem nos forçar a nada. Mesmo assim nós discutíamos bastante.
Nós sentíamos de alguma maneira que era nossa primeira e última chance de trabalhar com uma
major, e capitalizamos ao máximo a experiência e nossa música e até mesmo nossa imagem ficou um pouco como homenagem ao rock tradicional, e o "desgaste de estúdio" é um dos principais elementos disso.
Seu contrato com a Capitol acabou no ano passado. Como você avalia o desenvolvimento das grandes gravadoras?O que as
majors estão fazendo agora, e a gente sabe porque já estamos em novas negociações e aprendemos bastante sobre esses contratos de 360º: eles te pagam um montante generoso adiantado - o mesmo que eles davam para as bandas dez anos atrás -, esse adiantamento geralmente não acaba, mas você tem que garantir a eles cinco ou seis discos e lucro de turnê, merchandise e de todos os outros lugares que não sejam afetadas por essas perdas online. Eu gostaria de advertir artistas que esses contratos são absolutamente terríveis.
As turnês eram a única area que não foram atingidas seriamente, o que faz, eu acho, Madonna assinar contratos de discos com uma produtora de eventos. Ingressos de shows vão subir, as pessoas querem ver os artistas e você não pode vender essa experiência pela Internet. Os selos agora são forçados a oferecer apenas acordos de merda, e isso tem sido alimentado por bandas que aceitam um cheque de US$ 200 mil e o contrato que os leva ao colapso. Isso cria um sangue sujo no mercado que afasta artistas futuros da procura por contratos. Isso é algo irreversível, um processo que só tende a se acelerar.
Fischerspooner no Skolbeats 2004

E eu acho que isso se estenderá às publicações também. Apesar de as pessoas ainda não lerem livros pela Internet, mas quando se achar um jeito que fará você baixar confortavelmente um livro e ler sentado no alto de uma montanha...
A indústria cinematográfica vai mudar também. Nos EUA não temos monarquia mas temos estrelas, celebridades. Nós os louvamos, eles são atrativos, ricos, mas eles não contribuem em nada, honestamente. Não me leve a mal, eu acho o cinema algo ótimo, mas os atores não criaram os filmes, eles apenas os comunicam. Agora, 40% dos lucros vêm das vendas de DVD. Eu tenho uma pequena produtora e todo dia nós ripamos DVDs para pegar cenas e usar em montagens, então nós temos a tecnologia também nessa área já, qualquer um pode ser produtor em casa. Todas essas áreas poderosas de produção cultural estão sob fogo cerrado. É bom para jornalistas no entanto, muita coisa a se escrever a respeito.
NYC é tradicionalmente a cidade a cidade dos EUA que as pessoas vão para ficar rico. Quanto disso ainda é assim? Você já considerou se mudar de cidade? O que te mantém aí?Eu acho que ainda é. É bem caro e Manhattan se tornou um grande centro financeiro, então todos os pequenos bairros que tinham uma variedade étnica foram empurrados. China town está se mudando para o Queens, bairros latinos para o Bronz, a beirado do centro da cidade meio que sumiu. Eu ainda amo viver aqui e não viveria em lugar nenhum. E graças a Ministry of Sound e a Capitol, eu ainda posso viver aqui.
http://caucasian-tabloid.blogspot.com/2008/02/fischerspooner-best-revenge-cds-kitsun.html