Um ano de muita gralhação
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Um ano de muita gralhação
10.07.03 01:45
E o site Eletrogralha (http://www.eletrogralha.com.br) completa um ano no fim-de-semana de 11 e 12 de julho no clube Vibe/Curitiba, com muito festerê e DJs convidados, quase todos da cena local.

Superando as expectativas da equipe inicial - Rafael Araújo, Zora Morgenthaler, Leandro Pacceli, Raul Aguilera e Thais Mendes (em férias definitivas devido a mudança de país) - o site conseguiu o seu objetivo: centralizar as informações do que acontece na noite curitibana, interior do Paraná e no litoral de Santa Catarina, uma vez que a cena de Balneário Camboriú tem forte ligação com o que acontece em Curitiba (sem falar em outras cidades catarinenses como Joinville e Blumenau).

E a maior surpresa foi a ativa colaboração dos cadastrados do site, que não perdem a oportunidade de trocar informações e criarem uma boa polêmica no movimentado fórum.

Hoje são mais de 1500 cadastrados que acabaram criando uma comunidade ativa, com diversos clãs e núcleos. Até camisetas personalizadas com logo do E-gralha e nick pessoal foram espontaneamente criados pelos forenses para que todos pudessem identificar-se e se conhecerem nas festas. É ou não é incrível?

Em tempo, Eletrogalha é a fusão de Gralha Eletrônica. Por que a ave como símbolo? Bem, a gralha azul é tida como uma ave típica do sul, e por pouco o logo do site não virou uma gralha "techneira". Ou uma gralha "girando os olhos". Não é mesmo Gadotti?

Tem pra todo mundo

Definitivamente está sendo o ano da segmentação da musica eletrônica em Curitiba: não bastasse as tradicionais noites com house nos clubes, hoje existem baladas e núcleos dedicando-se ativamente na divulgação do techno, acid techno, hard trance, psy trance, drum & bass (esses ainda pouco representados) e até uma crescente cena de electro/new rock, que se desenvolve nos bares.

O electro que começou timidamente ano passado com a festa Allstarz, tem seu boom atual graças às tercas-feiras no James Bar (do núcleo Alternate DJs), festas esporádicas no Birinites e Camorra. E juntando-se a essa leva de bares open-minded vem também o novíssimo Nico, agora acolhendo definitivamente a já citada Allstarz (do DJ Gil Riquerme).

Estamos na mídia

"Alguém tem uma bala?".
Essa é a frase dita por um frequentador dentro de um clube. Logo, duas mulheres abrem suas respectivas bolsas, momentos de tensão e... inocentes drops são oferecidos pelas duas mulheres ao protagonista da cena. E só aí você descobre que é mais um comercial das balas Tic-Tac.
Corta rápido.

Entra um novo modelo de carro nas telas e qual o nome mesmo desse lançamento? Carro modelo Techno.

Um comercial atrás do outro. Foi então que pensei: a nossa outrora cultura eletrônica, de underground não tem mais nada.

Há tempos vemos marcas de aparelhos de som e bebidas investirem no filão, mas quando grandes marcas do mercado de alimentos e carros se metem a fazer comercial com referências diretas à cultura club/eletrônica, chegamos às seguintes e contraditórias observações:
a dolorosa conclusão de que não somos mais um segredo bem guardado da noite e da cena "udigrudi", que o nosso amado mundinho foi descoberto e está sendo "invadido" pelo mainstream. Aliás, nós somos o mainstream. O Skol Beats com suas 48,000 cabeças está aí pra provar isso.
Mas tem o lado do alívio: não somos mais uma cultura alien, você é mais uma tribo urbana que tem um espaço conquistado, após anos de acusações que era tudo uma "modinha" ou que era só para gays (e a parada de SP, né? Um sucesso bi!). Isso pra falar só de duas acusações que todos estávamos carecas de tanto ouvir.

Se tudo isso é bom ou ruim, cabe a cada um tirar suas próprias conclusões.

Independente disso, que é estranho e/ou surpreendente topar com aquele sobrinho ou a colega de sala da universidade numa festa no meio da pista com o som bombando, isso lá é estranho...


Raul Aguilera
Raul Aguilera
www.twitter.com/raulaguilera
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