Vadim Peare é uma daquelas figuras que ainda conseguem fazer do hip hop um campo de fértil exploração e de novidades inusitadas. Samplear uma faixa de Roberto Carlos lançada originalmente em 1977 ou usar música marroquina como fonte para suas batidas estão entre as proezas que fazem desse produtor russo, nascido em São Petersburgo e morador de Nova York, uma das cabeças mais variadas dentro do hip hop contemporâneo.
O DJ Vadim se apresentou ontem à noite (27/11) no Studio SP, em São Paulo, como parte da programação do Motomix 2007 (
leia aqui). Apesar de não ter conseguido falar com o
rraurl.com antes do set, conversou conosco hoje à tarde por telefone e contou sobre suas influências, a história do sample de "Cavalgada" e outras curiosidades que passam pelo seu case cosmopolita.
Você sampleou "Cavalgada", do cantor brasileiro Roberto Carlos. Você chegou a lançar a faixa? Como a descobriu? (Risos) É engraçado que eu fiz essa faixa há uns seis meses e coloquei apenas no meu MySpace. Não lancei em nenhum EP, nenhuma compilação nem nada... está apenas no meu perfil. E é maluco porque as pessoas a adoram, e algumas - como você - reconhecem que é do Roberto Carlos.
Nem terminada ainda está, eu quero trabalhar mais nela. E eu não conheço o Roberto pessoalmente e não lembro exatamente como descobri o disco, pois tenho muitos em casa e sempre estou comprando coisas novas de lugares diferentes.
O que você acha desse lado pop do hip hop e do gangsta rap norte-americano? Quais discos desse gênero você ouve? Para mim, música é mais uma questão de percepção. Não gosto de definir um tipo de som como rock ou o que for, pra mim existe música boa e ruim. Vocês não devem ter isso aqui, mas nos Estados Unidos temos um canal chamado BET que é dedicado a cultura urbana e fica transmitindo clipes de R&B com putas, carros rápidos, rodas grandes e esse tipo de coisa. Se for isso que você chama de gangsta, realmente eu não gosto muito. Mas do lado mais pop do rap eu adoro os discos do Outkast - como
Stankonia,
The Love Below - e da Missy Elliot. Da Missy eu gosto de tudo, e tem o The Roots também que eu acho ótimo.
Você pode nos citar alguns artistas bons do hip hop russo? Como é essa cena no país?Entre os artistas russos que gosto bastante estão Da Budz e Smoky Mo. A cena é rica e tem muita coisa boa acontecendo, mas acho que lá é como aqui no Brasil e é difícil para esses produtores ganharem o mundo. Talvez seja um problema com a língua, então apesar da cena ser bem grande ela é também muito isolada.
Você usa muitas samples exóticas nas suas faixas. De onde você as tira? Você se lembra de algum disco que tinha algo bem diferente e pôde ser aproveitado?Olha, eu não consigo me lembrar, porque em casa eu tenho 95 mil discos guardados. Mas quando estou em uma loja eu procuro discos de todos os tipos, como brasileiros, iranianos, japoneses, marroquinos, etc. É claro que gosto dos clássicos também como os sons da Motown e Marvin Gaye, mas todos já foram sampleados e tudo que vou conseguir é terminar com um processo nas costas. Então eu procuro por coisas novas vindas de países como o Brasil, por exemplo, que tem uma enorme indústria fonográfica cheia de coisas incríveis esperando para serem usadas pela primeira vez.
Onde você costuma comprar seus discos?Eu compro em todo lugar pelo qual eu passo. Hoje mesmo vou comprar uns discos aqui em São Paulo, em lugares desconhecidos que alguns caras que conheci ontem no clube disseram que me levariam. Lá em Nova York eu costumo comprar em uma loja perto de casa chamada Academy Music. Eu moro no Brooklyn, que é um bairro bem residencial, diferente de Manhattan com todo aquele stress. É mais tranqüilo, mas ainda preserva um espírito forte de boemia, com muitos artistas novos surgindo.
bem relax