1997 - O ANO QUE NÃO ACABOU
O cachorro Daft Punker, figura dos clipes de "Homework"
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1997 - O ANO QUE NÃO ACABOU
Nos dez anos do rraurl.com, uma retrospectiva de uma época cheia de marcos históricos da cultura pop, do mundo e do Brasil
26.11.07 20:40
Foi por volta de 1997 que os anos 90 começaram a perder aquele mofo de roupa larga, maquiagem pesada e clima de falso hedonismo pós-década perdida, pós-AIDS, e começou a surgir uma ansiosa previsão do idealizado futuro do ano 2000. Na mesma época em que o campeão russo Gary Kasparov perdia uma partida de xadrez para o computador Deep Blue, explodia no mundo e no Brasil a Internet doméstica, com as primeiras empresas com sites explicando didaticamente em suas propagandas como digitar o http://.

Gwen e o No Doubt
Gwen e o No Doubt
Na música, artistas sofrem mutações modernosas: o U2 vira gay, vira disco e lança o infame Pop, e David Bowie comemora 50 anos de idade apaixonado pelo drum'n'bass e com um show em São Paulo, no saudoso festival Close-Up Planet. Dividiu o palco com o já quase finado Erasure - vaiadíssimo e alvo de tubos de pasta de dente promocionais -, e com Paralamas e Rodolfo dos Raimundos (!?!?), Barão Vermelho e o No Doubt, ápice do ska pop emergente (Mighty Mighty Bosstones e Sublime. Skamondongos e Sr. Banana no Brasil). Gwen Stefani bem que tentou, mas não animou o público da também saudosa área para shows externa do Ginásio do Ibirapuera, mesmo local da edição paulistana do Ruffles Reggae. No line-up de 97, Shaggy, Maxi Priest, Pato Banton, Black Uhuru, Los Pericos e Third World.

HYPES E MAIS HYPES
Numa época em que grandiosos festivais não eram a obsessão do mundinho musical, havia o cool Free Jazz, que trouxe ao Palace (lembra?) Jamiroquai, Eryka Baduh e Neneh Cherry em seus ápices, e celebrou o drum'n'bass no auge de seu hype com Goldie, Metalheadz e Adam F.. Nessa época Patife e DJ Marky - então Marky Mark -, vão a Londres por conta própria e lá caem nas graças do epicentro musical do planeta. No Brasil, são tratados pela mídia como orgulho nacional e lá no Reino Unido, antes de qualquer Diplo, Edo Van Duyn se empolga com o d'n'b nacional e se torna um dos primeiros gringos a vislumbrar nossa cena. Foi na Parada da Paz daquele ano que, quem diria, Erika Palomino destacou na Noite Ilustrada que a frase do evento foi "Ah, eu quero Jungle!".

UM INFAME PARÊNTESES BRAZUCA
RIO 2004!
RIO 2004!
As semanas perto do Free Jazz foram os dias em que o papa João Paulo II ouviu Fafá de Belém chorar o hino nacional no Rio de Janeiro, cidade que teve uma micada tentativa de sediar as Olimpíadas 2004, ocorrida em Atenas. Um clipe com diversos artistas nacionais, até Tiririca, famoso na época, cantava "Aquele Abraço" (assista aqui) para promover a candidatura carioca.

GUITARRAS AFIADAS
486 sem multimídia
486 sem multimídia
1997 era tempo de muito RPG, uma sobrevida dos jogos de estratégia em tabuleiro em tempos de jogos como Doom, hits dos PCs 486. Dungeons & Dragons foi o sucesso da época e como RPG combinava com heavy metal por causa de suas narrativas soturnas, foi um ano de ouro para fãs de rock. Mesmo com a decepção pop do Metallica com os fracos Load e ReLoad (sem falar na futura perseguição a quem baixava música em MP3 pelo Napster), 1997 viu nascer o primeiro livro de Harry Potter e a figura bizonha do anticristo Marilyn Manson. Aqui no Brasil, incansáveis guitarras nos palcos: Scorpions, Bruce Dickinson, DIO, Jason Boham, Queensryche, Emerson, Lake & Palmer, Offspring, Marillion, Lemonheads, Def Leppard, Steve Vai, Alan Parsons, Megadeth, Whitesnake e (ufa!) Deep Purple.

POP PRA QUE TE QUERO
O outro extremo do espectro musical viu um pop mercadologicamente generoso, mas de gosto bem duvidoso. "Mmmbop", do trio de irmãos Hanson (foto), fazia companhia ao boom de boy bands de Backstreet Boys, Five e N'Sync, mas com um jeito alternativo de ser. (Gus Van Sant, veja só, foi quem dirigiu o clipe de "Weird", assista aqui). E se você é fã de bootleg, vale voltar a memória até 97 e lembrar o single que mais sacudiu os charts do ano: "I'll Be Missing You", de Puff Daddy & Faith Evans, que homenageava o falecido Notorious B.I.G. com uma base chupinhada de "Every Breathe You Take", do Police.

1997 não podia passar batido sem as Spice Girls. Produto pop criado anos antes de American Idols e reality shows, a iniciativa de juntar cinco gostosonas com algum dom artístico rendeu sucesso: com dois álbuns entre 96 e 97, foram 55 milhões de discos e singles vendidos, além da spice fever, que parodiou com segundas intenções o exitoso britpop da época. O Reino Unido era casa de Blur, Pulp e Suede, o supra-sumo da modernidade indie com o bombado Oasis se comparando aos Beatles. Pobre deles, pois no mesmo ano foi lançado como um assombro musical o disco OK Computer, o melhor álbum do Radiohead e um dos marcos históricos do rock. No mesmo ano em que o Pearl Jam definhava, o Soundgarden e o grunge morriam, o Radiohead evoluiu como ninguém para o experimentalismo musical, ocupando de vez a lacuna deixada pela morte de Kurt Cobain, morto três anos antes.

KING OF THE WORLD
"Por trás dói, Jack!"
Mais proeminências musicais em 1997, ano que nasceu o primeiro clone animal do mundo, a ovelha Dolly: Aqua, Elton John homenageando a falecida Lady Di com "Candle in the Wind", Silverchair, Orbital, Blink 182, Jewel, Elastica, Chumbawumba, Republica, Björk, Matchbox Twenty, Gus Gus, Fatboy Slim, e The Verve. Tudo isso na mesma época em que Céline Dion embalou romances e assustou ouvidos com o mega-top-ultra-bombástico hit "My Heart Will Go On", trilha de Titanic, catarse coletiva da época que houve no Brasil o boom redes internacionais de cinema, como o Cinemark. (No Oscar de 98, Titanic raspou o tacho e Céline levou de canção com Madonna anunciando o prêmio com ironia: "E o Oscar vai para - nossa, que novidade -, My Heart Will Go On". Muita gente acusou a cantora de recalque, já que ela sonhava com o prêmio por sua interpretação como Evita).

DE VOLTA AO BRASIL
Aqui na nossa terrinha, em tempos de FHC presidente aprovando uma soturna emenda de reeleição; em tempo de estatais telefônicas e Vale do Rio Doce privatizadas, a cidade de São Paulo viu o carioca Celso Pitta assumir a prefeitura com megalômanos planos de um Fura-Fila, tempos em que o Hell's seguia firme no underground techno com Mau Mau, Julião, Gil Barbara, Alfred, Luiz Pareto, Paula e Andrea Gram nas picapes.

Rave hoje em dia
Xxxperience em 2007
Um ano depois da famosa batida policial no clube da Augusta com a Estados Unidos, outra aconteceu explicitando como a polícia já sabia da existência e dos porões onde se escondiam as pastilhas de ecstasy. Não coincidentemente surgiam as primeiras grande labels de raves: R.E.S.I.S.T.A.N.C.E, Rave-o-Lution, Groove Babylon, Fusion, Avonts, Space, Technologika e as primeiras Xxxperience. Em época de cybermanos e popularização da eletrônica, o hype era ser convidado para uma rave pvt (private).

Eram os pilares da cena paulistana como conhecemos hoje. Grandes clubes como BASE e Florestta abastecendo noites diárias em SP e trazendo tops como Jeff Mills, já que trazer DJ gringo começou a ser sinal de boa festa. (Teve até DJ Hell no Mundo Mix, outro farol da modernidade paulistana da época).

Foi nessa época que surgia um site, um tal de rraurl.com. Na mesma época, surgiram três álbuns de três grandes grupos que podem resumir em parte o espírito de 1997, o ano que na verdade, nunca acabou. São eles:

THE PRODIGY
» THE FAT OF THE LAND

20 anos depois de o punk rock nascer, um grupo britânico joga na mesma bacia o clima raver da Inglaterra, o emergente big beat e sonoridades hip hop e orientais, tudo isso com um visual neo-punk que disseminou hordas e hordas de clubbers mundo afora.

CHEMICAL BROTHERS
» DIG YOUR OWN HOLE

A psicodelia adquire um novo sentido com a dupla inglesa Tom Rowlands e Ed Simons, os irmãos químicos, que em 1997, criaram verdadeiros hinos das pistas, num álbum que ainda tinha espaço para baladas etéreas e esfumaçadas costuradas em samples infindáveis e ilustradas por clipes clássicos.

DAFT PUNK
» HOMEWORK

Nasce com o Daft Punk e outros grupos da época o french touch e a possibilidade de dançar sem medo sob influências da disco music num filtered house que influencia a música e a arte visual até hoje. Eis o trabalho de Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter.

Agradecimentos: Cheeko, Gaía Passarelli, Gil Barbara. Se deixamos passar algum fato marcante da época, mande bala nos comments!

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
30 comentários
Psycho
Psycho(30.11.07)
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O show do Bowie não saiu dos meus top3 desde então.
Agostinho
Agostinho(30.11.07)
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Foi em 97 que teve a primeira Parada pela Paz que levou num sei quantos trios elétricos pro Ibira e fez o povo dançar o Domingo inteiro, tava um calor da porra, me lembro bem....foi o comecinho dos techno-mano, tinha trio do Mauro, da 97, de várias casas da época, cada um tocando seu estilo. Foi bem louco.
Luzinha Noleto
Luzinha Noleto(29.11.07)
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Em 97 eu tinha 14 anos táaaaaaaaaa

bando de velhos
vinny
vinny(28.11.07)
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ô tempo Bão sô !
Marina Lang
Marina Lang(27.11.07)
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Portishead lançou o álbum homônimo em 1997. uma época em que chorar e sugar sangue que nem um EMO era outra coisa.