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Apparat vence barreiras em sua nova fase
Produtor e compositor alemão é a primeira atração do festival Motomix 2007
19.11.07 18:05
O compositor e produtor alemão Sacha Ring, mais conhecido pelo seu pseudônimo Apparat, passou por mudanças drásticas em 2007. Conhecido por fazer um tipo de techno experimental, de difícil digestão, estreou sua faceta mais pop e compreensível a ouvidos mundanos no meio desse ano com seu Walls. No lugar de longas sessões de abstração sintética, o disco tem os vocais aveludados de Sacha e de seu conterrâneo Raz Ohara sobre instrumentos tradicionais de percussão, cordas e metais.

É o produto dessa metamorfose que Sacha apresenta no próximo domingo (25/9), em São Paulo. O alemão dá a largada na programação do Motomix 2007 e traz para o Parque do Ibirapuera, com entrada gratuita, a sua Apparat Band. Às vésperas de embarcar para o Brasil, Ring falou com o rraurl.com por telefone e contou como é sua apresentação ao vivo, de onde veio o nome de seu último trabalho e quais são seus planos para a breve estadia no país.

Como a Apparat Band soa ao vivo?

Eu venho fazendo música eletrônica para as pistas há muito tempo, e com esse último álbum [Walls] foi a primeira vez que deixei isso um pouco de lado e fui em busca de novas sonoridades. A apresentação ao vivo é o resultado disso e soa bastante como o disco... tem momentos mais enérgicos, vocais e instrumentos tocados ao vivo.

A reação do público é bem variada também, pois muitos chegam ao show esperando ver um concerto de música eletrônica da forma mais tradicional, e algumas acabam se decepcionando ao ver que não é bem aquilo que haviam imaginado. Mas pra ser honesto, acho que isso é uma forma de promover meu som também, apostando no elemento surpresa.

Você decidiu formar a banda depois de que terminou Walls?

Eu já tinha essa idéia na minha cabeça há um bom tempo. Quando terminei o álbum, até pela forma que ele soa, percebi que era o momento perfeito para torná-la realidade. Então as duas coisas aconteceram mais ou menos ao mesmo tempo.

Aqui no Brasil você vai tocar em um parque e de graça. Você já fez outros shows assim? O que acha disso?

Acho que já fiz sim. Talvez na Itália, eles fazem muito dessas coisas por lá. A idéia é bem interessante porque traz cultura estrangeira para o público de forma acessível. Em São Paulo vai ser especial porque, como o show é um bem diferente do que esse tipo de evento gratuito costuma receber, boa parte das pessoas não vai reconhecer o nosso som e vamos ter de convencê-las a ficar e a nos ouvir.

Apesar das suas músicas serem muitas vezes abstratas, os nomes que você usa são bem materiais. De onde você os tira? De onde veio o título do disco, Walls?

No começo eu era um produtor de música eletrônica como muitos outros que não usam letras nas músicas, então eu não ligava muito para nomes. Usava apenas porque precisava dar algum título às faixas. Mas depois, quando comecei a cantar e escrever letras, esses nomes começaram a refletir o conteúdo das músicas e são ligados a pessoas e outras coisas que são materiais.

O título do álbum está ligado à Ellen [Allien]. Ela tem um mote de que todos nós temos paredes nas nossas cabeças que nos impedem de fazer coisas por medo, por receio. E quando estávamos trabalhando juntos no Orchestra Of Bubbles ela ficava insistindo para eu cantar, mas e eu me recusava porque achava que minha voz era ruim. Então esse meu novo disco sou eu escalando essas paredes, ou seja - cantando e fazendo coisas totalmente novas para mim.

Como foi a reação dos seus fãs mais antigos a essa grande mudança no seu som em Walls?

Como eu esperava, perdi alguns dos meus antigos fãs com esse álbum e fui acusado de fazer um som pop demais. Outros gostaram da mudança e continuaram comigo. Mas o mais interessante é que ganhei um público diferente e novo também, então creio que a somatória foi positiva.

Você ainda está envolvido com a cena IDM berlinense? Como andam as coisas por aí?

Acho que não tanto... é difícil definir uma cena a qual eu pertenço. Estou constantemente cercado por pessoas que fazem tipos muito diferentes de sons, seja techno ou não. Então eu não tenho uma cena, mas muitos amigos fazendo música à minha volta.

E o que você faz em Berlim quando não está fazendo música?

Olha, recentemente eu perdi o meu estúdio, então quando não estou tocando eu não tenho muita coisa pra fazer (risos). Tento andar bastante com meus amigos, porque os shows consomem muito do meu tempo e eu acabo ficando distante, então procuro aproveitar o máximo desses intervalos para manter contato com eles.

E você recebeu algum convite para tocar em algum clube por durante sua estadia em São Paulo? O que pretende fazer por aqui depois do show?

Não, não... minha passagem vai ser muito rápida, fico apenas alguns dias em São Paulo. Quero tirar um tempo para visitar o oceano, ir à praia. Raz Ohara é muito esperto com línguas e conhece bastante do português, então ele vai ser o meu guia no Brasil (risos).

Marcus Vinícius Brasil
Marcus Vinícius Brasil
twitter.com/marcvs
comentários
8 comentários
Cow Molester
Cow Molester(25.11.07)
0AprovadoQueima
e faltou perguntar quem é que ta empurrando a janta de Ellen Allien ultimamente lá em Berlin...
Cow Molester
Cow Molester(25.11.07)
0AprovadoQueima
Ibirapura...de graça...é bom ele ficar esperto ou os cybermano vão sumir com todo o apparato dele...........
Chic Chic Chic!!!!!
vamos Todos!
alemde de garatis ao ceu aberto (tomara que de um domingo lindo!) as 14.30 no Ibirapuera entarda no portao 10...
infos lá:
www.motomix2007.com.br
Pedro Cunha
Pedro Cunha(21.11.07)
2AprovadoQueima
Ótima iniciativa do Motomix em trazer música de difícil acesso de forma tão democrática.
o show do apparat vai ser de graça sim e, segundo a assessoria, começa às 14h30 do domingo.