Festival Planeta Terra: Main Stage
Lily e seu mic amarelo
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Festival Planeta Terra: Main Stage
Devo foi momento histórico do rock no Brasil no palco principal do Terra
12.11.07 01:45
 
Os ventos da providência sopraram sobre a Marginal Pinheiros e espantaram as nuvens carregadas que ameaçavam na tarde de ontem (10/11) o Main Stage do Planeta Terra. O único palco montado ao ar livre recebeu os grupos brasileiros Supercordas, Pato Fu, Instituto e as atrações internacionais mais caras da noite - Lily Allen, Devo e Kasabian.

A cerveja nos bares estava geladíssima, as filas curtas e não faltou espaço. Quem não queria encarar a embolação do gargarejo podia ficar sossegado às margens da multidão mesmo nos momentos mais concorridos da programação. Outro destaque também ficou por conta da pontualidade dos shows (para fazer justiça alheia, vale lembrar que a cenografia das bandas estava bem menos elaboradas que a do Tim Festival, por exemplo. E que o Skol Beats, apesar de certa displicência com horários, dura até tarde!).

PATO FU: CARISMA
Não existe povo brasileiro mais bacana que o mineiro. No jeito, na graça, no humor e na hospitalidade, é uma terra de onde sai o pop nacional mais convincente. Eis então o Pato Fu escalado para o Planeta Terra para animar com simpatia o fim de tarde e começo de noite do festival, bem no momento que nuvens negras deram lugar a um buraco de céu azul gigante.

Fernanda e John
Fernanda e John
E na estrada há quinze anos, a banda tem aquele rol de hits que anima mais velhos, adolescentes, roqueiros, alternês e amantes da música pop bem tocada no geral. "Eu", e "30.000 pés" freqüentaram rádios FMs, programas de TV, até novelas, e dividiram espaço no mesmo palco de Devo - banda da qual John Ulhôa, parceiro da imagética Fernanda Takai no comando do grupo, era o fã master e declarava isso a todo o tempo, dedicando "Gol de Quem?" a eles ("o mundo é um grande pão com manteiga, café com leite" - para refletir).

Legal quando a fofura pop de ficar jogando o refrão para o público cantar ("Sobre o Tempo") passa - surge uma banda mais descompromissada, que não leva seu sucesso tão a sério e se diverte. Fernanda Takai se solta, põe orelhinhas de coelho e manda ver "Made In Japan" na língua nipônica em um belo jogo de vocais berrados com John e dancinhas, o espírito mais teatral da banda que faz tanta falta quando eles ficam demais na simpatia pop de ser.

INSTITUTO: TIME NACIONAL
Tocando no Main Stage ainda morno, o Instituto homenageou Tim Maia interpretando canções de um dos álbuns mais importantes da MPB - Racional. Carlos da Fé, irmão de Tim, foi o convidado de honra da noite, que contou também com as participações de BNegão e Negra Li para cantar músicas como "Imunização Racional (Que Beleza)" e "Bom Senso".

LILY ALLEN E DEVOLUTION
A inglesinha Lily Allen subiu sem atrasos para o último show da turnê de Alright, Still. O clima era mesmo de despedida e a garota não economizou na birita. Embrulhada para presente em um vestido roxo e verde, esqueceu as letras das músicas, fumou uns três ou quatro cigarros e tomou Jaggermeister no gargalo entre uma faixa e outra.

FÃ CONFESSO - DEVO
Em um certo dia lá pela primeira metade da década de 80 peguei "emprestado" 4 LPs do Devo de meu melhor amigo. O tempo passou, perdi o contato com o amigo, mas os discos ficaram. E confesso: muito provável que tenha perdido a amizade para não perder os discos. E, passados mais de vinte anos, não poderia de forma alguma perder um dos shows mais aguardados da minha vida.
Fãs do Devo encheram o palco principal e sabiam muito bem o que os aguardava: uma tradicional banda com guitarras, baixo, bateria acústica e sintetizadores emitindo um rock dançante que não faria feio em pistas de Datarocks, CSSs e Hot Chips. "That's Good", "Whip It", "Girl U Want", "(I Cant Get No) Satisfaction", "Peek a Boo" e "Gates of Still" foram os pontos altos de um show que, se não teve "Time Out For Fun", teve a Fernanda Takai do Pato Fu, em momento de fanatismo, invadindo o palco e sendo retirada pela segurança para roubar uma das capas amarelas que vestiram a banda durante a primeira metade do show.
O coração sangrou ao saber que, logo ali ao lado, Vitalic fazia uma apresentação histórica em outro palco. A trilha de duas metades de minha vida infelizmente foram agendadas para tocar - e tocaram - pontualmente no mesmo horário, o que me fez perder o bis do Devo... para também perder o final da apresentação do francês! Mas tudo bem. Essa dívida com a minha adolescência teve uma oportunidade única para ser paga, e assim foi, de forma inesquecível.

(Marcelo Junqueira)
O show começou com a animada "LDN", passou pelo protesto contra homens pouco dotados em "Not Big" e encerrou com "Alfie". No meio do caminho, Lily tocou covers de Keane, Specials e Blondie - sempre com sua ensolarada levada regueira e xingando alguém nos intervalos (de George W. Bush a um antigo desafeto pessoal).

Mostrou que, apesar de não falar português, gosta das nossas Havaianas (ela estava com um par das famosas sandálias no palco) e, em um dos pontos altos de um show pouco sóbrio, cantou o hino raggapop "Smile" com seu microfone amarelo gema. No fim da apresentação, foi até a grade dar um abraço no público e graças aos seguranças não foi engolida pelos fãs. Antes de sair de vez de cena, voltou correndo para o palco - mas não para cantar um bis, e sim para pegar o maço que ela havia esquecido no chão.

Passado o porre de Lily, um velhinho simpático sentado numa poltrona apareceu no telão e, em inglês, avisou que já ia começar o show do Devo. Após um vídeo com vários recortes dos clipes da banda, os tiozinhos - ícones do lado nonsense da new wave - entraram no palco vestindo seus chapéus vermelhos característicos e mandaram ver nos sintetizadores esquisitões de "That's Good".

Apesar dos cabelos grisalhos e dos óculos de grau, mostraram que seus jalecos amarelos não desbotaram e que a energia nerd-rocker do grupo não se perdeu ao longo dos anos em que ficaram longe dos palcos. A clássica "The Whip" foi apresentada pelo Sr. Mark Mothersbaugh falando como um robô desconjuntado, e o público ainda pôde vibrar com o cover de "Satisfaction", dos Rolling Stones, e o hit "Mongoloid".

KASABIAN
Única atração a entrar atrasada no festival, os ingleses do Kasabian começaram o seu show por volta da 1h20 da manhã, após um estranho "bem-vindos ao Planeta Terra" feito pela organização antes do último show da noite.

Em "Shoot The Runner", primeira música, o vocalista Tom Meighan disparou um "I love You São Paulo". Talvez tenha sido um daqueles amores à primeira vista. Como as atrações nas outras tendas haviam sido encerradas, o público era massivo na hora do show, porém apenas uma camada respondia aos comandos do som.

Rockão clássico, mistura de Oasis, Stone Roses, Primal Scream e da arrogância de Manchester, eles definitivamente não foram os melhores da noite, entretanto, o mesmo público do começo ao fim da apresentação. É a síndrome do rock grandioso, megalômano, poser que contaminou o Tim Festival com The Killers e o Terra com Kasabian. Ambos como headliners.

Participaram da cobertura Gaía Passareli, Jade Augusto Gola, Marcus Vinícius Brasil e Raphael Caffarena. Fotos: Alberto Boni

Equipe rraurl.com
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