Tim Festival 2007: a noite mais esperada do evento
Arctic Monkeys, Killers e Bjork são destaques em SP
29.10.07 10:40
Terminou por volta das 5h da manhã dessa segunda-feira (29/10) a principal noite do Tim Festival São Paulo. Segundo a organização, 30 mil pessoas se reuniram na Arena Skol do Anhembi para assistir a shows de artistas internacionais como Spank Rock, Hot Chip, Julliete & The Licks e The Killers. A islandesa Bjork e os ingleses do Arctic Monkeys foram destaques da noite, que se prolongou além do divulgado principalmente por causa dos intervalos intermináveis entre uma atração e outra.
Os rappers performáticos do Spank Rock iniciaram a festa ainda de dia. Com meia hora de atraso, o conglomerado de pessoas sobre o palco foi armado para tentar elevar a apresentação do grupo que costuma se limitar a quatro integrantes em pequenos clubes pelo mundo.
Timbres africanos misturados a sintetizadores pesados acompanharam as letras sujas das músicas, que orbitam em torno do tema sexo. Um dos principais representantes da cena de Baltimore, o Spank Rock foi responsável por quebrar o gelo costumeiro das primeiras apresentações da noite. Ora incitando o público a dançar, ora fazendo coreografias, o grupo se esforçou e conseguiu alcançar um trabalho digno, que foi um pouco prejudicado pelo mau ajuste do volume dos microfones.
EXOTISMO DANÇANTE
Já os ingleses do Hot Chip se apresentaram em linha diante da multidão. A gangue de nerds, munida de sintetizadores, percussão e guitarras, tocou músicas de seus dois primeiros álbuns e prévias do novo disco, Made In The Dark, que deve sair no começo do ano que vem. À vontade sobre o palco, abriram com a novíssima "Shake A Fist" e, apesar do sintetizador que entra no fim da música ter soado bem murchinho se comparado com a versão de estúdio, impressionaram com a batucada tântrica. No meio do show houve uma longa e decepcionante interrupção no som, mas quando a banda retornou a platéia ainda estava com a chapa quente para vibrar com a apoteose de "Over And Over".
Depois do Hot Chip, começou a longa montagem do cenário para Bjork. O palco recebeu bandeiras, cenografia multicoloridas e uma banda islandesa de metais uniformizada ao estilo Volta. A baixinha entrou em cena com seu casulo colorido e fez um dos melhores shows da noite. Percussão pesadíssima, performance exótica repleta de momentos bate-cabelo e marcada pela voz única da cantora.
Abriu com "Earth Intruders" e no bis, sob uma chuva de papel picado, fechou com "Declare Independence". A manipulação da Reactable (mesa touchscreen sintetizadora de som) foi um show à parte, transmitido por uma tela de plasma sobre o palco.
TEVE ROCK CAFONA, ROCK ADOLESCENTE E ROCK CLICHÊ
Juliette Lewis entrou à meia noite e meia e logo de cara soltou um "tudo o que eu quero é o amor de vocês". Seria constrangedor se todos não soubessem que ali em cima estava uma atriz que, com uma ajuda de seus amigos, montou uma banda.
E foi bem esse o espírito do show. Ela se jogava no chão como se fosse o Iggy Pop, berrava como se fosse Joan Jett e fazia caretas como se fosse 1970. E foi assim, interpretando vários papéis que ela, com apoio da sua banda de três acordes The Licks, apresentou o clichê de rock mais desagradável e sem verdade. Ah, e ela também cantou uma música embrulhada na bandeira do Brasil.
Avessos a poses, o quarteto inglês Arctic Monkeys demonstrou logo na primeira faixa o porquê de todo o hype em torno deles. Fazendo um rock de letras extremamente descritivas, a banda passou a sensação de ter uma carreira muito mais extensa. Cada música tocada por eles foi encarada como hit por parte da platéia.
"I Bet That You Look Good on the Dancefloor", "Flourescent Adolescent" e "Dancing Shoes" foram os melhores momentos de uma apresentação repleta de pontos altos. E apesar de não interagirem muito com o público, eles pareciam bem satisfeitos ao final da apresentação. Que venham os próximos álbuns e seus respectivos hits.
Direto de Las Vegas, a cidade das luzes, o Killers montou todo um cenário cafona para cercar sua apresentação. Com flores que pareciam ter saído de uma daquelas igrejas em que o padre é uma sósia do Elvis Presley, o quarteto - acompanhados de um músico-faz-tudo de apóio - entrou no palco quase uma hora depois que o Arctic Monkeys o deixou.
A irritação do público presente foi logo transformada em alegria após os primeiros acordes de "Sam's Town", faixa que dá título ao último álbum da banda, lançado em 2006. Em seguida, emendaram uma cover de Joy Division, "Shadowplay". Mesmo sendo uma versão mais dançante, a faixa manteve o clima pesado da original.
Ao vivo, o grupo ganha um ar superior, como se fossem feitos para tocar em lugares abertos e cheios de pessoas. De baixo bem marcado, guitarras polidas e espaciais e o elemento Brandon Flowers, o Killers trilha o arriscado caminho de se tornar um novo U2.
A parte bizarra da noite ficou por conta de um pedido exótico da banda: a cada música que eles tocassem eles queriam que uma planta nova fosse colocada no palco. No final da irretocável apresentação, acompanhada a todo o momento por um público cansado mas disposto a se divertir, eles pareciam estar no meio de um estranho parque. Esse cenário, pelo menos, serviu de alívio de tensão para o visivelmente alterado guitarrista da banda.
Foto: Alexandre Schneider/UOL