Cinco perguntas para Marcos Boffa
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Cinco perguntas para Marcos Boffa
Produtor do show do LCD Soundsystem e do Eletronika fala sobre a temporada de shows
19.10.07 20:50
Marcos Boffa é nome conhecido do circuito festeiro e de shows do Brasil. Foi um dos sócios da falecida Motor Music, que trouxe ao Brasil Yo La Tengo, Mudhoney, Señor Coconut e Atari Teenage Riot.

Mais recentemente, ajudou a colocar de pé o esqueleto de festivais manjados aqui pelo povo do rraurl.com: Sónar Sound (2004), Nokia Trends (2005) e o Motomix do ao passado - aquele que quase não aconteceu e no fim deu tudo certo com Isolée, Peter Hook e Franz Ferdinand.

Agora nessa temporada prestes a começar ele é a persona por trás da tour do Eletronika de BH e da tour LCD Soundsystem pelo Brasil. Fugindo do título de curador - para ele não existe curadoria em festival, mas sim direção artística -, ele também palpitou na escalação do Planeta Terra.

Aliás, o festival mineiro Eletronika deve ser realizado nos dias 14 e 16 de novembro no Chevrolet Hall de Belo Horizonte. Além de LCD Soundsystem, The Field e Battles, o evento terá show especial do Turbotrio + Mixhell + DJ Chernoby, o duo The Twelves, Mau Mau, Shir Khan e um animado dj set de James Murphy (ouçam o Fabric Live 36?). Maiores confirmações e adendos em breve.

Por enquanto, nossas breves cinco perguntas para Boffa.

Porque a temporada de festivais aqui no Brasil é tão espremida em algumas semanas de outubro e novembro? Não dá para espalhar mais a safra?

O grave problema é o verão na Europa que vai de junho até o final de setembro, então você não consegue artista fora dessa época. A forma como as coisas são organizadas aqui também dificulta. É muito difícil colocar em pé um festival no primeiro trimestre, o ano fiscal das empresas começa lá por março e a janela que sobra para festivais é do final de setembro até novembro, dezembro no máximo.

Uma coisa que não tem tradição por aqui e eu acho uma pena são festivais de verão. Seria maravilhoso, os artistas iam adorar, porque para eles é charmosíssimo tocar no Brasil. Toda vez que vou atrás dos artistas pedem "e fevereiro?", mas não dá, realmente. Poucos festivais acontecem nessa época, o maior que já teve foi o Rock'n'Rio. Tem o RecBeat no carnaval, Planeta Atlântida no sul e Skol Spirit no nordeste, que seriam boas alternativas por outro motivo que atrapalha o eixo Rio-São Paulo:a época de chuva.

E os preços dos ingressos, que apesar do dólar cada vez mais baixo, sobem cada vez mais? Chemical Brothers, por exemplo. Em 2004 no Pacaembu custava 90 reais, agora, no Credicard Hall, está quase R$ 200.

No caso do Chemical é bom lembrar que houve o patrocínio da Nokia em 2004. Agora os caras estavam a caminho do Creamfields Buenos Aires e venderam a proposta para a CIE Brasil, que estipulou esse preço.

Para artistas grandes o aumento de cachê se deu pela queda da venda de CDs principalmente. A Madonna, por exemplo, assinou contrato milionário com a Live Nation, uma produtora de eventos, e eles vão bancar não sei ao certo, acho que três álbuns e toda a parte de turnê dela. As turnês agora são importantes fontes de renda.

E não estamos no centro da rota musical. É charmosíssimo para um artista vir ao Brasil, mas tem que agendar e fazer show também em Buenos Aires e Santiago para concretizar muita coisa. Isso não acontece na Europa, onde tudo é perto e tem dinheiro.

Por isso nossos eventos são sempre ultra-relacionados a grandes marcas. TIM Festival, Planeta Terra, Motomix..?.

É, é um retrato dessa situação. Mas temos também os festivais ligados à Abrafin (Associação Brasileira dos Festivais Independentes). O Goiânia Noise, Abril Pro Rock e o Eletronika, que tem a verba baseada na Lei Estadual de Incentivo de Minas Gerais. Antes a Telemig apoiava, agora vai ser a Usiminas.

O LCD vai tocar no Eletronika e no Creamfield de Buenos Aires. Vocês trabalharam em parceria com o evento de lá? Como funciona?

Sim, aproveitamos a ocasião, estávamos procurando uma banda importante, maior, para o Eletronika e a oportunidade surgiu, arranjamos parceiros. Os shows no Brasil e na Argentina não alteram o cachê de nenhuma apresentação. O que facilita é a questão do transporte, de vôos, apenas isso.

Em sua opinião, quais são os principais eventos que ainda são referências de bom festival?
Depende da música, claro. Na eletrônica acho que o Sónar ainda tem um papel bacana, uma referência forte. Principalmente pela parte diurna, a programação artística e o espaço onde ele é realizado. O Mutek é legal por ter um princípio bem definido. E o Club Transmediale de Berlim me surpreendeu bastante também pelo trabalho com live images.

No rock, o Coachella e o South By Southwest, que eu nunca fui mas são nomes fortes. Fiquei surpreso com um evento que fui no fim do ano em Barcelona, o Primavera Sounds, muito bom. Bem, na Europa é fato, a estrutura é outra.

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
9 comentários
Claudia Assef
Claudia Assef(22.10.07)
1AprovadoQueima
E este cigarro maldito, vou contar pro Gabriel!
marcos boffa
marcos boffa(22.10.07)
1AprovadoQueima
Oiee....apenas para corrigir duas cositas na entrevista: o SkolBeats é um dos consolidados festivais de musica no Brasil que acontece no primeiro semestre e tambem os festivais brasileiros nao devem em nada aos gringos com relacao a estrutura.
FePa
FePa(22.10.07)
1AprovadoQueima
Saudade dos tempos da Motor Music. Todos aqueles shows fantásticos no SESC Pompéia...
Jota Wagner
Jota Wagner(20.10.07)
1AprovadoQueima
eu acompanha à distancia o trabalho deste cara desde que conheci o Belo Horizonte Idependent Rock Festival,viajando como roadie da banda Death By Visitation of God. Depois foi Motor Music, os festivais... Este cara é foda no conceito e na qualidade do que faz! Fodaço Boffa, sou fã!!
Bruno Tozzini
Bruno Tozzini(20.10.07)
1AprovadoQueima
muito bom. quando der traz o superchunk de novo...