De um lado o Twelves, influenciados pela cena de produtores maximais. João Miguel e Luciano Oliveira fundaram em 2005 a dupla batizada em homenagem à 12 de julho, data que ambos nasceram no longínquo ano de 1980 em Niterói. Hoje, sua música está sendo disputada pelos maiores selos que os inspiraram. Com remixes oficialmente lançados por artistas como M.I.A. e New Young Pony Club (onde estão lado a lado com MSTRKRFT e WhoMadeWho), os fluminenses se apresentam em formato live PA e conseguem misturar Justice, SMD e Vitalic sem deixar de imprimir seu estilo.
Do outro, Bo$$ in Drama, projeto do curitibano Péricles Martins, 20 anos. Criador do falecido duo Gomma Fou, que se apresentou no festival Motomix em 2006 ao lado de Franz Ferdinand, Art Brut e Radio 4, o menino prodígio produz suas músicas na sala de casa. Focado em divertir com seu electro quem estiver na pista, seu som foge do clichê de "não se levar a sério". Afinal, tem como não levar a sério tamanha capacidade de criação?
Além da adoração por Daft Punk, eles compartilham o título de "nova aposta da música pop/eletrônica brasileira". Ou seja, aqueles que poderão trilhar o caminho do CSS. Se encontrando pela primeira vez no festival curitibano Digital Rock, que acontece esse fim de semana, o
rraurl.com aproveitou a ocasião para tentar descobrir quem são os personagens envolvidos no 12s e Bo$$ in Drama.
Como é a cena em sua cidade? Bo$$ in Drama - Em Curitiba a cena underground é muito dispersa e não tem muito espaço para novos DJs e produtores. Mas aos poucos está acontecendo, novas festas estão surgindo, vários projetos e gente interessada também.
Twelves - Aqui em Niterói a cena é muito pequena e é muito mais voltada para bandas de rock/indie. De produtores de música eletrônica confesso que não conheço ninguém. Também não vejo muito espaço para esse tipo de música aqui. Deus abençoe a internet...
Quais foram as principais fontes de inspiração na hora de começar? B$$ - Foi quando tinha 14 anos e ouvi
Discovery do Daft Punk pela primeira vez. Pensei "se eles podem, eu também posso". Peguei meu teclado Casio 8 bit e comecei a fazer sons aleatórios, achando que ia sair uma música pronta dali. O legal é saber que você não tem limites nenhum na hora de fazer música. Você pode samplear os anos 90 fazendo disco music e qualquer outra mistura ou referencia que pode ser usada sem medo ou culpa. Tudo é possível, basta ter criatividade e bom senso.
12s - A inspiração vem do próprio prazer de fazer música, que é o que a gente adora em primeiro lugar. Antes do Twelves a gente até tinha um projeto mais light com músicas meio Air com Radiohead. A gente praticamente passava os fins de semana compondo e fizemos umas 30 músicas na época. Só que o tempo foi passando e tudo foi sendo engavetado. Daí de poucos meses pra cá a gente passou a fazer mais músicas pra pista e depois desse remix pra MIA, começamos a ganhar atenção. De influências diretas podemos citar Justice, Daft Punk, Röyksopp, Vitalic, Simian Mobile Disco, MSTRKRFT, Clor, Cut Copy, Goldfrapp, etc.
12s em ação

Vocês, que são novos atos, acham que existe suporte suficiente para conseguir construir uma carreira nacional? B$$ - Algumas bandas abriram as portas do Brasil para o mercado internacional, mas aqui não existe mercado sólido para isso. Somente em algumas festas, live pa, discotecagens, mas com isso ainda não da pra se manter com música (se você for novo nisso). Precisaria de muito mais apoio de festas, patrocinadores e publico interessado no seu som.
12s - Estamos tentando descobrir isso por experiência própria... (risos). Na verdade eu acho que é muito difícil ser músico aqui no Brasil fazendo o que você realmente gosta. Parece que é obrigatório você fazer música comercial para se sustentar aqui. Isso de "ter que se vender" é bem desanimador. Tem tanta banda de rock legal por aí que não consegue nada por falta desse suporte... Nós mesmos já passamos por isso numa banda de rock. No caso do The Twelves, a gente pensa mais internacionalmente porque lá existe esse tipo de suporte e algumas portas estão abertas para a gente. A nossa idéia é conseguir assinar com algum selo internacional assim como o Cansei de Ser Sexy e o Bonde do Rolê fizeram.
Vocês conhecem o trabalho um do outro? B$$ - Vou conhecê-los pessoalmente esse final de semana no show aqui em Curitiba, mas já tinha contato prévio pela internet. Acho que eles têm tudo para estourar, fazem um som atual e bem feito, a qualidade não deixa nada a desejar com os melhores do mundo.
12s - Conheci há pouco tempo e achei legal. Vamos tocar juntos na Digital Rock em Curitiba nesse sábado que tem o Diplo como atração principal. Quero ver o Bo$$ mandando ver no vocoder ao vivo!
E como estão os contatos lá fora? B$$ - Acabei de assinar contrato com uma das maiores agencias de booking do país, a Superbacanadjs, com isso já tenho vários shows em vista e marcados aqui no Brasil. Lá fora algumas rádios estão tocando minhas músicas, como a Pure FM (Belgica), Radar (Portugal) e IN-DEED (EUA). O feedback tá sendo super positivo, recebi elogios vindo de blogs bacanas também. Os meninos do Guns n' Bombs (www.myspace.com/gunsnbombs) entraram em contato essa semana, querem colocar uma música minha em uma mixtape. Os passos são pequenos, mas firmes, já tenho músicas prontas pra um LP, mas estou trabalhando com calma e divulgando aos poucos, esperando uma proposta legal pra lançá-las oficialmente por algum selo ou gravadora.
12s - Estamos recebendo vários e-mails de gravadoras do mundo todo para ouvir mais músicas nossas, só que no momento só temos demos. Estamos fazendo coisas novas para mostrar para os interessados. Também temos recebido algumas propostas novas para fazer remixes. Vamos ver... Espero que depois desse remix que fizemos pro New Young Pony Club pela Modular, a gente ganhe ainda mais atenção.
alguém sabe onde encontrar?