Cinco perguntas para Hernan Cattaneo
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Cinco perguntas para Hernan Cattaneo
Argentino se apresenta aqui outra vez e fala "con nosotros"
25.09.07 10:45
Gardel, Evita, Fangio, Che Guevara, Maradona: a Argentina é um país pródigo em cultuar ídolos. Diferentemente do que acontece no Brasil, os hermanos dedicam uma atenção especial àqueles que consideram suas grandes figuras nacionais, a ponto do túmulo de Evita ter se tornado ponto turístico portenho e de Maradona ter ganhado uma religião a ele dedicada. Exageros de lado, o incontroverso caráter passional do argentino médio é capaz, sim, de gerar relações entre público e figuras públicas pouco habituais e compreensíveis em qualquer outro local.

É o que ocorre no caso de Hernan Cattaneo, DJ e produtor que é a principal figura da cena eletrônica argentina. Apesar de não ser nenhuma unanimidade, Hernan é muito respeitado até por aqueles que não apreciam seu som. Pelos que apreciam, ele é cultuado de uma maneira que pareceria absurda no Brasil. É comum em suas apresentações em solo vizinho ouvir pessoas batendo palmas entoando o coro "Ole ole ole Hernan, Hernan", assim como ver fãs trajando camisetas ou bandeiras em homenagem ao artista em plena pista de dança, tudo ao melhor estilo torcida de futebol mesmo.

Para tentar visualizar melhor a situação, imagine que dentro de uma cena fervorosa Cattaneo equivaleria a Mau Mau, Marky e Gui Boratto condensados em uma só pessoa. Ele é um legítimo pioneiro na cena local (começou a tocar aos 14 anos em um clube recreativo do bairro em que morava), goza de imensa popularidade fora do país (já figurou no Top DJ da DJ Mag) e suas produções e remixagens lhe rendem credibilidade junto aos outros DJs. Morando em Barcelona há alguns anos, nos últimos cinco Hernan vem conquistando cada vez mais admiradores no Brasil, principalmente no sul do país, onde se apresenta com mais freqüência.

Na sexta-feira, 28 de setembro, o argentino toca no aniversário de um ano do clube curitibano Eon, e no dia seguinte viaja a Porto Alegre, onde se apresenta no Espaço 4life. Por email, Hernan Cattaneo respondeu às cinco perguntas do rraurl.com.

Seu último álbum mixado (Sequential 2) teve uma recepção muito boa pelo público e crítica. Você está em estúdio neste momento, tem planos em fazer algum álbum só de produções próprias?

Eu estou muito satisfeito com os dois volumes de Sequential, porque acredito que ambos captaram exatamente a essência do meu tipo de som. Todo ano eu lanço algum trabalho, então provavelmente em fevereiro eu irei começar a trabalhar no próximo volume.

Você é uma espécie de símbolo na Argentina, figura que inspirou uma geração de DJs e produtores até mesmo fora do seu país. Como você lida com esta situação, em um país que tem um povo reconhecido por ser extremamente passional?

Bem, eu sempre fiz as coisas muito naturalmente, nunca pensei em ser um líder ou uma referência. Se hoje estou nesta posição é graças ao modo que as pessoas reconheceram o meu trabalho. Acho que hoje há muitos DJs e produtores excelentes na América do Sul, com argentinos e brasileiros à frente dos demais. E tocar na Argentina é simplesmente fantástico, o nível de entusiasmo é altíssimo e a pista conhece muito sobre música, logo, acho que é muito bom para qualquer DJ se apresentar lá.

Seja no Brasil, na Argentina, hoje cada vez mais pessoas querem ser DJs, e a cada dia nós temos mais e mais DJs. Em um cenário assim, a competitividade não saturou o mercado a ponto de bons contatos serem mais importantes que o puro talento?

Bem, depende do nível em que você quer tocar. Você pode perfeitamente ser um bom DJ na sua cidade, graças somente ao seu talento. Mas se você quiser se tornar um DJ mundial, como chamamos, um DJ de "primeira", certamente vai ser preciso muito mais do que apenas o talento. Eu diria na verdade que é uma mistura de talento e personalidade, somando a um bom assessoramento de uma boa agência e, é claro, muitas horas de vôo.

A música eletrônica é muito versátil, e recentemente está cada vez mais difícil encontrar trabalhos "puramente eletrônicos". De rock à música regional, vemos cada vez mais coisas na eletrônica. Como você encara e filtra todas estas influências?

Para os músicos sempre foi assim mas ultimamente mais pessoas estão prestando atenção a todas estas influências. Na verdade é exatamente isto que eu sempre achei o mais interessante na música eletrônica: esta habilidade de mudar e constantemente interagir com outros estilos musicais é a razão pela qual a eletrônica é sempre atual, sempre está na frente. A dinâmica hoje é incrivelmente rápida, e a cada 3 ou 4 meses já temos coisas novas trazendo sabores interessantes à mesa.

Luciano e Ricardo Villalobos, que são chilenos, usaram recentemente samples de Mercedes Sosa e de uma banda chilena, Los Jaivas, em algumas produções. Você deve conhecer ainda "Heater", faixa de Samim que usa uma base de acordeon de uma cumbia, e que é provavelmente o hit do verão em Ibiza. Você usaria algum elemento similar em suas produções ou sets?

Bem, eu gosto de música latina, mas dentro de seu próprio contexto, não dentro de um clube. Se eu quiser escutar Mercedes Sosa, prefiro ir assistir a um show do que escutá-la em um remix. Com relação à cumbia, eu nunca gostei muito desse gênero, então por esta razão "Heater' não me agrada nem um pouco, não significa muita coisa para mim.

João Anzolin
João Anzolin
twitter.com/joaoanzolin
comentários
15 comentários
leandro lima
leandro lima(06.06.08)
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adorei a ultima resposta...
Leandro
Leandro(08.10.07)
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eu fui no creamfields do rio ano passado e o Hernan deixou todo mundo no chinelo...

o cara destruiu....
Cris
Cris(04.10.07)
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A apresentação de Hernan foi absurdamente inacreditável em Porto Alegre, no sábado passado. Talvez pela primeira vez um DJ "gringo" tenha misturado tanta técnica, competência e ousadia por mais de 3 horas seguidas num show no Brasil. Melhor que ele, só o John Digweed mesmo!!! Gracias, hermano!
Kathy Souza
Kathy Souza(04.10.07)
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pena que não veio pra Sp..
:(
Raul Aguilera
Raul Aguilera(27.09.07)
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Rogério, a Guerra do Chile com a Argentina foi pelo Canal de Beagle na Patagônia. As Malvinas foram a Argentina contra o Reino Unido.
E a questão com o Luciano e o Villalobos me parece ser mais porque estes são da praia do minimal. Pelo que o Cattáneo diz, não é phino samplear música latino-americana na eletrônica.
Imagino que o Luciano e o Villalobos ficaram bem preocupados lá em Berlim com isso...