Cinco perguntas para Samim
O dono do hit da sanfona, "Heater", fala sobre globalização musical
29.08.07 12:45
Em plena era de DJs "globalistas" (nomes como dj/rupture, Diplo e Magabo, que se dedicam a escarafunchar o globo a procura de novos beats e manifestações musicais) é muito apropriado que um dos maiores hits do ano seja "Heater". Ela foi produzida por Samim, um suíço-iraniano, é baseada em som regional colombiano e foi lançado por um selo alemão, o Get Physical.
Se você não conhece, está na hora de sair da caverna. É a tal "música da sanfona", que parece som cigano para uns e forró para outros mas, na verdade, vem da cumbia colombiana. Muitos amam, muitos odeiam. O que ninguém contesta é que as letras H-I-T estão firmemente inscritas no seu DNA. Quem não gosta geralmente é "música eletrônica de verdade" ou "underground" demais para dançar uma sanfona sem ficar constrangido. Quem gosta geralmente saúda a iniciativa de músicas como esta trazerem novas sonoridades para o latifúndio electro-minimal.
Conversamos com Samim sobre a estimulante era atual, onde sons de todo o mundo estão se cruzando. O cara é um blogueiro ativo, vale a pena conhecer seu blog Robidog. Foi lá que constatamos que ele tem três datas no Brasil em janeiro de 2008: Confraria das Artes, Florianópolis (2/1); Rio de Janeiro (5/1) e São Paulo (6/1).
De onde vem o acordeón de "Heater"?
O sample do acordeón é um trecho famoso de uma canção de cumbia chamada "La Cumbia Cienaguera". A Cumbia foi muito popular na Colômbia na década de 1950, mas ainda é tocada por muitas bandas diferentes ao redor do mundo. A música original tem uma letra linda: "Vamos a bailar la cumbia porque la cumbia emociona, la cumbia cienaguera que se baila suavezona", que se traduz em algo como: "Vamos dançar a cumbia porque ela emociona. A cumbia cienaguera que se dança suavemente". Façam isso! Dancem!
Seu podcast no Resident Advisor contém muitas influências de sons de várias partes do mundo? Quem são seus artistas prediletos e de onde eles vêm?
Graças à explosão de conteúdo na internet, eu estou passando por uma fase de intensa descoberta musical. Além dos artistas ocidentais e de música eletrônica que eu tenho acompanhado nos últimos anos, estou ouvindo cada vez mais artistas da África, América do Sul e Ásia. Estou viciado nesse site: calabashmusic.com
Parece haver cada vez mais influências regionais na cena musical do mundo todo (de M.I.A., passando por funk brasileiro, kuduro ou Vilallobos usando música sérvia em sua faixa de 40 minutos). O que você acha disso? Você pesquisa muita música regional?
Se a globalização tem uma trilha sonora, ela é definitivamente urbana. No ano passado, um relatório da ONU projetou que em 2008 mais pessoas vão viver em cidades do que em áreas rurais pela primeira vez na história da humanidade, e a música popular ao redor do mundo se mantém atualizada.
O hip hop e a house, ambos enraizados em comunidades urbanas negras nos EUA, têm inspirado variantes pelo globo há décadas. Mas a globalização não é uma via de mão única. O som de cidades no oeste viajou o mundo como um bumerangue e voltou para casa com novos sotaques, mudando seus aspectos. Isso é world music no sentido mais verdadeiro: seu apelo é global, mas seu som e visão permanecem intensamente locais.
Acredito fortemente que aproximar tradições musicais de todo o mundo é o modo de prosseguir. Música tem o poder de ligar culturas divididas e fazer com que pessoas diferentes se comuniquem - é como mágica!
Como será o seu album, Flow?
O disco tem nove faixas, mostrando alguns estilos diferentes que eu experimentei nos últimos tempos. Tem house com vocais com participação de Big Bully ("Spring Break"), vibrações do Oriente Médio ("Black Death"), ritmos latinos dançantes ("Heater", "Setupone") e até toques de R&B ("The Lick"). O álbum sairá na primeira semana de setembro pela Get Physical. Confira na internet!
Quais são seus próximos projetos?
Meu blog robidog é um projeto em andamento que está sempre se expandindo e crescendo. Ele é a plataforma perfeita para me manter em contato com fãs e amigos, me inspirar para novas músicas e dividir esboços de trabalhos em andamento com a comunidade. Além de que estou reunindo inspiração para meu próximo álbum, que será mais experimental no contexto da world music. Vou falar muito mais sobre isso quando o tempo chegar.
Aqui ouvimos sanfona e pensamos em Baião,Forró, Dominguinhos e muita coisa de música brasileira que os "amantes da música eletrônica" tem preconceito. Por isso dizem ser "fanfa"!
Até quando o brasileiro vai atestar mais qualidade ao que é feito lá fora do que à cultura nacional?
Vc quer causar né THONGO, seu TOSCO..vai ouvir Pagode, é bem sua cara! E por sinal, deve ter uma cara de merda..que até o cheiro deve ser identico ou pior...Tonto, baiano.. vai baixar filme pornô na net que vc ganha mais...pois ñ deve pegar mulher nenhuma com esse seu conceito de 1920! Qdo ela for tema de novela, ou tocar no Programa do Luciano H. vc com certeza vai cair em contradição... baianão... kkkk
Acho a música uma merda mesmo, e daí ? Eu concordo que o DJ tem que arrancar gritinhos da pista, mas não tocando o "Bailão do João".
Você deve ser mais um fanfa que adora "causar" na pista ... tsc tsc tsc.
Acho q vale a pena acompanhar de perto, me parece em franca evolução. E com propostas difíceis e diferentes.
Como disseram aí, ouçam circles, hay consuelo, ultraviolet... ñ acho q ele esteja interessado em se encaixar nas "regras" q essa galera prega. Ainda bem...
TÁ FALTANDO UMA MATÉRIA COM O JESSE ROSE HEIN? O CARA TÁ DEMAIS...