Dusty Kid
Um moleque da Sardenha é presença garantida nos playlists de 2007
16.08.07 18:25
A voz diz, meio como quem não quer nada, "Everytime, everyday, anyway acid". Logo em seguida, uma frota de naves espaciais surge atirando para todo lado, devastando tudo que está pela frente. O efeito na pista são pulos de dois metros de altura, socos no ar e demônios sendo libertados por toda paisagem. "The Cat" é daqueles hits touro selvagem: ninguém consegue segurar o bicho enfurecido.
Lançado pelo selo Southern Fried, de Norman Cook (isso, aquele...), será a provável primeira introdução das massas ao prolífico e inventivo Dusty Kid. Baseado na periférica Cagliari, capital da Sardenha, ilha italiana do Mediterrâneo, esse produtor de 20 e poucos anos tem dado o que falar graças a sua capacidade de criar lança-chamas de pista em diversas modalidades: minimal (seu remix para "Monday", do Maskio), electro ("Tsunamy", pela Systematic), tech-house ("Black Reel"), techno mais pesado ("Constant Rising") e deep house ("Cowboys"). Em 2007, suas produções apareceram em todos os playlists, de Riton a Sven Vath, de Digitalism a Richie Hawtin.
Ele está à vontade com a situação: "Sonho em ser famoso desde criança," ele admitiu para o rraurl.com. "Acho que agora todo mundo quer ser uma estrela do eletrônico. Minhas metas agora, na verdade, vão ainda mais longe: mais para o mundo pop do que o dos clubes." Não é pretensão não: se, de começo, seu arsenal de música já rendeu tudo isso, imagine o que o futuro reserva.
Nascido Paolo Alberto Lodde, Dusty Kid foi um menino-prodígio. Quando tinha dez anos, estudou um ano só de piano e violino e já foi transferido para o último ano da escola de música. E é essa musicalidade toda que ele quer trazer para suas apresentações.
"Sou músico, não DJ, e minha performance ao vivo é o elemento-chave para mim porque é a hora em que posso me expressar totalmente, expondo minhas criações. Também dou as pessoas a chance de ouvir coisas novas que são criadas na hora. Tocar como DJ é divertido mas limita minha criatividade."
Dusty Kid está tocando pela Europa afora sem parar. Mas ele não vê motivos ainda para sair da Sardenha e "mudar para Berlim", como fizeram tantos outros colegas de profissão, como Ewan Pearson e Richie Hawtin (que ele homenageia na faixa "I Love Richie", do EP Signal '63).
"Com a internet do jeito que está hoje em dia eu não tenho porque me mudar. Viajo o bastante e sinto necessidade de estar aqui na Sardenha com minha família e amigos. Sem dúvida Berlim é o que Londres era nos anos 80 e nos 90... então você nunca sabe, talvez algum dia eu me mude para lá."
E a boa notícia é que seu MySpace anuncia cinco datas no Brasil, "a confirmar" (dias 13, 14, 15, 21 e 22 de dezembro, sem mencionar cidade nem nome do evento). Fique ligado!
Quem é: Paolo Alberto Lodde
Como é: depende. Pode ser techno, minimal, deep, house, acid ou electro. Mas sempre com pique e uma cara própria.
O que ouvir: "The Cat", "Tsunamy" e o EP Signal '63.
Para quem gosta de: Booka Shade, John Dahlback, Riton, Digitalism.
(entrevista feita por Jonty Skrufff)