Tiefschwarz completa 10 anos com muitos projetos em vista
Alemães lançam coletânea para comemorar o aniversário
27.07.07 12:40
"Primeiro, siga suas próprias vontades. Não fique muito ligado a modas, siga o seu próprio gosto. Tente construir uma conexão com a multidão, e seja apaixonado pela sua música e pelo que você gosta de fazer. É preciso ser confiante sobre o que você faz e como apresenta isso. Não tem muito a ver com a mixagem, mas a forma que você apresenta a música. E sempre é bom surpreender o público".
Surpreender tem sido parte integral do sucesso prolongado do Tiefschwarz. O duo de produtores alemães decidiu recentemente que comemoraria a data com uma compilação dupla chamada 10 Years Of Tiefschwarz.
A coletânea é composta por um disco com músicas de outros artistas (incluindo Marianne Faithful e Ron Trent) e um segundo com seis remixes de suas próprias faixas (além das originais). O CD é uma boa geral no trabalho da dupla e sairá pelo seu novo selo, o Souvenir.
Os dois irmãos entram e saem do escritório durante a entrevista, insistindo em serem chamados de Tiefschwarz em vez de seus nomes individuais.
Entre tocar como DJ, produzir e administrar um selo, quais são suas prioridades no momento? O que é o Tiefschwarz?
No momento, é uma combinação. Nós estamos nesse prédio há um ano agora, e ele funciona como escritório do selo. Há um estúdio no outro apartamento e embaixo um escritório de design gráfico de um amigo e parceiro, além de duas agências de DJ. Nós temos toda a estrutura sob um único teto, o que é bem eficiente.
Nesse momento estamos envolvidos em várias coisas e nós gostamos disso. Estamos promovendo o 10 Years Of Tiefschwarz com uma grande turnê, então estaremos na estrada durante o verão e o outono.
Lançamos o álbum pelo nosso próprio selo também, o que envolveu mais tempo e trabalho do que simplesmente enviar para uma gravadora que faz todo o trabalho por você. Além disso, estamos trabalhando em uma revista e começamos a gravar um novo single que estará pronto no outono. Estamos bem ocupados, de qualquer forma.
Conversamos recentemente com Todd Terry e ele disse que está fazendo remixes para conseguir mais datas como DJ e que está fazendo muito mais dinheiro discotecando do que com suas produções. Como você vê a atual situação do mercado?
A música perdeu muito do seu valor desde que a internet apareceu, junto com o compartilhamento de arquivos. Eu acho que internet é uma coisa boa no sentido de que é muito democrática e um DJ da Sibéria pode ter um chart igual a um de Berlim. Mas isso também faz com que fique mais difícil filtrar coisas de qualidade.
É uma questão de encontrar os filtros certos e também o quão bom você é para se destacar no meio das milhões de faixas que estão por aí. Por outro lado, com certeza a música perdeu muito de seu valor e nos dias de hoje, quando fazemos remixes, recebemos uma porcentagem bem menor do que costumávamos receber.
Ainda tem as grandes gravadoras na Inglaterra com alguma verba, mas nada comparável a cinco anos atrás. Dez anos atrás era totalmente diferente, você fazia bem mais dinheiro produzindo do que discotecando, ou pelo menos era igual.
Fomos sortudos por termos sido os últimos a levar vantagem nas produções antes dos downloads digitais. Com certeza há muito talento por aí e novos DJs no circuito, mas é definitivamente muito mais difícil hoje em dia.
Então por que vocês estão se dedicando tanto a montar um selo?
Muitas pessoas me perguntam isso, mas é mais pela plataforma e pela rede de contatos, além da possibilidade de criar uma marca que pode seguir uma direção totalmente diferente no futuro. Se você possui um bom perfil, pode começar a fazer eventos, moda, qualquer coisa; a música não é o fim.
Para nós, o selo é o ponto de partida. Ao mesmo tempo, conhecemos muita gente, então estamos conseguimos ajuda de muitas pessoas. É uma questão de quão bem relacionado você está e para nós isso é muito bom. Se a sua estrutura é pequena mas eficiente, não significa que você não vai fazer dinheiro, mas sim que é preciso ser cuidadoso e disciplinado.
As grandes verbas se foram, hoje é necessário se manter enxuto. Nós somos muito flexíveis com uma estrutura pequena. Selos grandes bem sucedidos têm altos custos e precisam vender muito.
Ali, você fez quarenta anos recentemente. É um marco importante para você?
É só um número, na verdade. É diferente de fazer 20, mas eu definitivamente estou feliz comigo mesmo e com a forma que estou vivendo minha vida. Não é uma questão de número, mas se você está feliz ou não.
Houve algum momento na sua carreira que você ficou cansado de música ou se sentiu muito pressionado a desistir?
Eu nunca fiquei entediado e a única conclusão a qual eu cheguei nesses anos é que você tem que ser cuidadoso ao administrar o seu tempo e sua qualidade de vida. Eu nunca pensei nisso até recentemente, mas cada vez mais estou achando que viajar e ficar longe da minha cidade natal é um pouco pesado demais.
É um problema que nós temos, pois ainda temos muitas ofertas e pessoas tentando nos agendar, então é uma questão de como dizer não. Nós estamos tentando fazer isso menos; é muito exaustivo viajar o tempo todo. Você precisa de um tempo para relaxar e não fazer nada, ler um livro, o que for.
Ao longo dos anos você passou por alguma situação no exterior em que se sentiu em perigo?
Nunca em perigo, às vezes em situações desconfortáveis quando você se pega pensando "merda, o que eu estou fazendo aqui?" por estar em algum lugar de merda, com pessoas de merda, tratamento péssimo e som pior ainda.
Eu já fui para a América do Sul e muitos lugares ditos perigosos e nunca tive problemas. Eu tive mais problemas sendo parado pela polícia do que sendo assaltado, na verdade.
Já enfrentou problemas por se jogar muito na noite?
Isso é parte do jogo. Você não pode evitar isso nesse mundo, dependendo de onde você está. Se você vai a Ibiza nesses dias você entra numa nuvem de drogas, apesar de que hoje em dia a polícia está muito mais rigorosa por lá. Mas se você toca em Dubai, a coisa é bem diferente.
Depende do quanto você se envolve. Você tem que ficar muito ligado com o álcool e ele é uma droga também mesmo que seja legal. É uma escolha pessoal.
Você bebe álcool antes de discotecar?
Eu sou um grande amante do vinho. Eu amo vinho tinto e tomo um copo durante o jantar, claro. Mas eu não bebo uma garrafa de vodka, não. Apesar de que eu adoro beber enquanto estou tocando. Eu não sou um DJ careta, nós não podemos ser assim, isso afetaria a energia com o público. De certa forma, é parte do jogo.
Sua mãe realmente comparece nas suas apresentações como DJ?
Sim, ela vem sempre que é possível. Ela também ama dançar. É uma grande fã e ama coisas mais house, às vezes com vocais. Minha mãe tem uma mente bem aberta e algumas vezes ouve techno. Ela não gosta de coisas electro-techno muito barulhentas. Seu gosto é muito bom, pra falar a verdade.
10 Years Of Tiefschwarz: Blackmusic está disponível pela Souvenir Records
Eles sabem o que fazem.