"Gangsta é molecagem", diz rapper somali
K'Naan vem de Mogadishu, "a cidade mais perigosa do mundo"
25.07.07 11:55
"Eu venho da cidade mais perigosa do mundo". Não, não é mais uma bravata de um 50 Cent ou Snoop Dogg falando do arriscado, mas ainda materialmente confortável, gueto americano. Tampouco vem de algum pessoal da periferia sul de São Paulo, um lugar bem mais arriscado mas ainda assim num país com governo central e que não está em guerra.
K'Naan está cantando sobre a vida em Mogadishu, capital da Somália, que não é só um país paupérrimo e sem governo mas está destroçado por vinte anos de uma massacrante guerra civil. Como ele mesmo versa: "If I rhymed about home and got descriptive/ I would make 50 Cent look like Limp Bizkit" (se eu rimasse sobre minha terra e começasse a descrever/faria o 50 Cent parecer o Limp Bizkit).
Para K'Naan a adoração do gangsta rap pelas armas é pura molecagem, exibicionismo pueril. "Todos os somalis sabem que ser gangster não é algo pra se gabar. Lá não existem opoções, existe um certo nível de violência que você tem que presenciar para saber que não há nenhuma glória nas armas."
O MC somali se envolveu com o hip hop através de vinis que seu pai, um intelectual refugiado trabalhando de taxista em Nova York, lhe mandava. Quando finalmente conseguiu seu visto, o rapper embarcou no último vôo comercial de Mogadishu para os EUA (a Somália estava desmoronando) se estabelecendo depois em Toronto, Canadá. Logo, aprendeu inglês e, através de envolvimento em uns projetos ligados à ONU, acabou conhecendo o lendário músico senegalês Youssou N'Dour que ficou impressionado com o talento do rapaz. N'Dour convidou K'Naan para participar de seu álbum de 2001, Building Bridges.
Em 2005, K'naan lançou seu primeiro álbum, The Dusty Foot Philosopher, elogiado pela crítica de vários países. Seu timbre vocal lembra um pouco Eminem mas a semelhança para por aí: seus temas são engajados e seu radar capta influências bem mais diversas, de Bob Marley a afrobeat a jazz. Ele também gosta de timbres acústicos e se sai muito bem em performances "spoken word", improvisando só no verbo. Em 2007, o disco seguia ganhando condecorações: foi eleito o melhor disco revelação na categoria World Music pela Radio 3 da BBC.
Depois de excursionar por um número assombroso de países, ele lançou este ano o álbum The Dusty Foot on the Road, compilando gravações que fez durante suas viagens pelo mundo. Nesse meio tempo, subiu no palco ao lado de alguns luminares do rap alternativo como Mos Def, The Roots, Dead Prez e Pharoahe Monch. No momento, K'naan grava seu próximo álbum.
parabéns rraul.com!
Cultura é coisa de pobre diz ai zabiela!!!
Respect man.
So as informacoes multiculturais que tem nesse texto ja salva meu dia.
Classe Camilo.