O inferninho que fez história
O Hell's Club foi o primeiro after do país mas esta não foi sua única inovação
13.07.07 10:30
Pois é, o nome Hell's Club acabou se tornando um sólido rochedo no agitado e transitório maremoto noturno que é São Paulo. A marca está sacramentada na história baladeira da cidade, ao lado de Madame Satã, Rose Bombom e Lov.e. O Hell's foi o primeiro after hours da cidade, começando em 1993 com o nome de Velvet Undrground e situado no extinto Columbia, na esquina da rua Estados Unidos com rua Augusta. Naquela época, a idéia de gente enfiada num ambiente escuro dançando eletrônico até as dez da manhã era pura ficção científica.
Mas esta não foi a única inovação trazida pelo clube lançado pelo então promoter (hoje DJ) Pil Marques. Numa época de busca de referências do incipiente movimento clubber, o Hell's investiu na especialização musical atavés de seu residente Mau Mau. Nessa época eu morava em Londres e acabei cruzando o Mau numa de suas idas à Inglaterra. Fomos juntos ao Final Frontier, uma balada de sexta onde o som era techno, techno, techno.
Mau depois me contaria que aquilo tinha sido uma inspiração fundamental para o conceito do som que desenvolveu no Hell's, ou seja, o foco numa linha específica de som. (crianças, entendam que isto era absolutamente original naquela época; é claro que, obedecendo a natureza cíclica das tendências, essa idéia dos anos 90 foi saturada e teve que ser até combatida pelo ecletismo que o novo milênio trouxe).
O Hell's também foi porta de entrada na "cena" para uma revoada de gente nova: skatistas, roqueiros, tatuadores, socialites, profissionais liberais, estilistas, estudantes, surfistas, rappers, entre outros, chegaram para diversificar o universo clubber, ainda bastante gueto. Alguns, como Edgard Scandurra, vieram para ficar. Outros estavam de passagem, como Dinho Ouro Preto, que já deu entrevista desdenhando suas manhãs de junkie no Hell's.
Esse processo de difusão da cultura clubber e eletrônica teve seu passo lógico seguinte com o advento das raves, que eram porteiras abertas comparadas ao Hell's. Afinal, este ainda mantinha uma porta intimidatória, graças às posturas severas das hostesses Roberta Hoffman e Ana Luiza Gelfei (isso mesmo, a Ana PET).
Essa primeira fase do Hell's durou até 1998. Depois disso, seus órfãos se diluíram pela noite em projetos no D-Edge, Pix, Lov.e e Tostex, as tatuagens com o logo da casa simbolizando sua devoção e a cabeça cheia de memórias de ter participado de algo especial. Apesar da fidelidade de tantos, quando o Vegas anunciou que iria abrigar uma nova versão do Hell's muita gente reagiu ceticamente, apostando que um conceito da década passada não tinha lugar na diferente paisagem dos anos 00.
Estavam errados. Apesar do clima de inovação, descoberta e sociedade secreta não existir mais, por motivos óbvios, a nova fase pegou em cheio. E firmou o Hell's mais uma vez como a principal opção da cidade quando todas as festas acabaram e ainda há muita energia para gastar. Parabéns!
nesse ano tava conhecendo a dance music
e não podia entrar, era de menor!
snifz
11:30 da manhã de domingo, luzes acesas, TODO MUNDO dentro do Hell's batendo os pés no assoalho da pista. Depois de alguns minutos as luzes se apagam novamente para mais 1 horinha de set do Mau Mau... rs
Ôoooo tempinhoo bom... rs
Nesta festa, fui linda de Ágatha Clubber, e em alguns momentos lembrei juntamente com o Mau Mau de noites incríveis que vivemos lá no Columbia. Lembrei de eventos e muita gente, que alias fizeram falta na festa de 2007: Ana & Davi, Marina Dias, Gaia a nossa Tank Girl, o saudoso Alfred! A chamada nação Hells!!!
A festa em si foi bem bacana, embora tivesse pessoas não-fantasiadas, o melhor do line-up nacional e muita gente que já faz parte do elenco do novo Hells.
O melhor da festa foi ter o Mau Mau também como anfitrião, o cara ficou até o final da festa todo animadão!
Parabéns Hell?s Club, agora configurado numa nova temporada!