Na ópera remixada por Mau Mau o rraurl.com visitou os ensaios
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Na ópera remixada por Mau Mau o rraurl.com visitou os ensaios
O Guarani será exibida em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife
22.06.07 14:25
Telões coreografados, bailarinos, cantores líricos, percussão, maestro e o DJ Mau Mau. São esses os improváveis elementos da primeira ópera que foi encenada com música em São Paulo. A montagem inédita de O Guarani ainda viaja para o Rio de Janeiro e Recife, parte da turnê capitaneada pelo projeto Arte Via Gol.

O rraurl.com acompanhou o ensaio geral no Tom Brasil. Foram duas apresentações com sets depois da ópera de Derrick Carter e Nego Moçambique, além do Jamanta Crew e do DJ Cesar Alvarenga. Entre oração do maestro, gritos de "merda" e um DVD que insistia em não funcionar, a primeira passagem prevista para às 14h acabou depois que a noite estava escura.

Mau Mau: depois da ópera, datas na Europa e no Japão
Mau Mau: depois da ópera, datas na Europa e no Japão
14h40: Mau Mau chega na casa de shows e vai direto para a mesa de som. "É todo mundo mais ou menos conhecido. Sabe a Ceci? Que é esposa do maestro? Ela cantou uma vez num desfile da Beneducci que eu fiz a trilha... Tinha um tempo antes da São Paulo Fashion Week que eu acabava fazendo trilha de todos os desfiles". Ceci é uma das protagonistas da ópera. Ela faz o papel da filha de portugueses que se apaixona pelo índio Peri. Neste instante ela está na maquiagem, fazendo o cabelo que termina quase no joelho.

14h52: Paciente, Mau Mau conta da rotina nos últimos tempos: "De três meses para cá só tenho tocado em São Paulo, que adoro, mas o cachê é menor. Tem muita oferta de DJs por aqui. Mas para conseguir preparar tudo só agendei apresentações nos sábados e domingos, para me dedicar à ópera no resto da semana sem ter que viajar para fora de São Paulo". Longe do verão europeu algumas datas tiveram de ser canceladas. "Na semana que vem vou para Londres, toco em Paris e em Tóquio. O Fernando deve chegar hoje, pode ser que ele tenha fechado mais datas". Ele se refere ao Fernando Moreno, da agência Smartbiz, que o representa e está chegando do Sónar, em Barcelona. Sobre a roupa que vai usar, nada de fraque e gravata branca: "A Manu, da Trama, é quem me ajuda nessas horas, tenho que ligar para ela até... Acho que deve ser algum terno moderninho, sabe?"

As cordas!
As cordas!
15h15: "O PA? Não, isso aqui é diversão". Assim responde Junior apontando para a mesa gigante que controla os canais de som do espetáculo. "Eu estou preocupado com o resultado geral, a gente quer que fique bonito, né?". Além de produtor musical é o hobby dele cuidar do PA, a mesa de canais. Agora Junior está a espera de Edson Cordeiro para voltar à produção porque o cantor está em turnê na Alemanha. "O Guarani tá meio na cabeça da gente, já. Você sabe a Voz do Brasil, né? Aquela música? Em Brasília, são dezenove horas..." A música de abertura do programa de rádio é da obra de Carlos Gomes. Até poucos anos atrás era obrigatória a transmissão da Voz do Brasil nas rádios do país.

15h30: O violoncelo e o violino chegam em seus lugares no palco e o som das primeiras cordas já pode ser ouvido. As luzes ainda estão acesas e nem Ceci, nem os outros bailarinos aparecem no cenário. Coy Freitas, envolvido com o evento, exibe orgulhoso o Catalyst, atrás das cortinas: "É a primeira vez que esse software vai ser usado com essa configuração, gerenciando imagens de 12 telões". Ali na coxia estão as roupas que o contra-regra Rodney deixa fotografar: "É tudo em cinza e branco, do outro lado tem umas saias com tecido colorido por debaixo".

Roupa da ópera, com algum laranja no acabamento
Roupa da ópera é cinza e laranja
15h50: "Cinco minutos para começar o ensaio, atenção", avisa Bia Guedes no microfone preso a um fio no ouvido. Ela também conhece o Mau Mau, que fotografou anos atrás para a revista The Journal, publicação que não existe mais e era moderna como uma Dazed and Confused. Não são todos que tem essa intmidade com o DJ. Noutro canto, alguém que conversava com ele há dez minutos sobre justamente o DJ que fez a remixagem da ópera se desculpa: "Ah, é você? Me perdoe, não tinha reconhecido, você mudou?". Polido, Mau Mau desconversa: "É o cabelo, nem cortei o cabelo para vir aqui, tenho que fazer isso..."

16h15: Cheio de espuma no abdome para compor os músculos do personagem, Peri, já de peruca e rosto pintando de laranja, surge na beirada da platéia. "Vim fiscalizar, ver se está tudo certo", apontando para o emaranhado de fios.

'MERDA'
'MERDA'
16h35: Os bailarinos aparecem no palco vestidos com as roupas do espetáculo, um colã cinza de malha. Fazem um aquecimento coletivo, dão as mãos, testam as vozes. "Vai ter uma galera aqui amanhã, pega essa energia e dança para subir... 1... 2... 3... Merda!" A saudação de boa sorte das artes cênicas sai gritada para todo mundo ouvir.

16h45: O maestro explica uma tradição da ópera e acalma os ânimos: "Hoje eu espero que dê tudo errado! Assim a gente conserta tudo para ficar tudo certo amanhã". Para "quem é de reza", emenda: "Pai nosso que estais no céu..."

17h30: O ensaio vai funcionando. A música alta demais não é problema. "É que hoje está vazio, mas o som é testado como se já estivesse cheio... amanhã com todo mundo aqui fica melhor", explica Daniel Cozta, que é assistente de direção na empreitada. Renato Patriarca, chamado para operar o Logic, programa que mescla as imagens e o som, oferece uma subida aos camarins, onde está o bufê que alimenta a equipe.

Maestro: reza forte
Maestro: reza forte
18h04: "Tá incrível! O público já podia estar aqui", diz Bia Guedes ao microfone com amplificação geral. O primeiro ensaio termina e vai rolar uma pausa até começar a segunda e última rodada. Peri e Ceci comem um sanduíche e uma mini pizza, enquanto os bailarinos, muito suados, tomam a frente na mesa de sucos. Ninguém toca nas frutas. O violoncelista se preocupa: "Você vai deixar seu violino lá embaixo, mesmo?" perguntando para a violinista, que dá de ombros. O índio Peri nem se incomoda com o calor dos músculos de espuma presos ao seu corpo: "É tudo meu, só o cabelo que é de mentira".

Danilo Poveza
Danilo Poveza
comentários
4 comentários
Julio
Julio(25.06.07)
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Concordo com o Thiago.
Parabenizo à equipe pela ousadia do projeto.
O espetáculo tem alguns belos momentos, mas no geral não agradou.
Recomendo para quem quiser ver por curiosidade, sem grandes expectativas.
No site do showlivre tem 2 videos da opera.
Thiago
Thiago(25.06.07)
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Eu fui. A ópera foi de altos e baixos, momentos que se aproximaram do emocionante e outros que davam vergonha de tão piegas e desarmônicos com a música. A inciativa ousada deve ser valorizada. Mas pra mim não valeu à pena!
alex
alex(24.06.07)
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E ai, alguem foi?

comentarios?

Foi legal?
Falaram q vai ter no RJ tbm, vale a pena ir?

rodrigo
rodrigo(22.06.07)
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E que tal uma "ópera hip hop"?
É o que a Casa do Hip Hop de S.J.Rio Preto/SP montou e apresenta neste finde, na mesma cidade. Com apoio das secretarias estadual e municipal de cultura e da faperp.