Verba do projeto Baladaboa é suspensa
Flyers idealizados pelo projeto são acusados de incentivar o uso de ecstasy
19.06.07 15:55
O Estado de São Paulo deu um grave passo para trás em relação a políticas de conscientização do uso de drogas nesta segunda-feira (18/6). A Fapesp, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, suspendeu as verbas destinadas ao projeto Baladaboa, iniciativa do Instituto de Psicologia da USP pioneira no esclarecimento dos riscos do uso de ecstasy e defensora de políticas de redução de danos. A Fapesp era a única fonte de dinheiro do projeto, que utiliza a estrutura da Universidade de São Paulo.
Segundo o órgão estadual, os flyers informativos que a entidade distribuía em clubes e faculdades "incentivavam o uso de ecstasy". Os cartões contém mensagens que visam orientar um uso menos arriscado de substâncias sintéticas. Entre os "incentivos" estão o de tomar apenas meio comprimido e não combinar seu uso com o de outras drogas psicoativas.
O caso foi parar na polícia e o Denarc se pronunciou prometendo apurar se realmente há algum tipo de apologia ao uso de drogas nos flyers do Baladaboa. Em uma declaração para o site Globo Online, o delegado Wuppslander Ferreira disse que as mensagens despertariam "a curiosidade de quem nunca usou".
"Ainda não recebi nenhuma notificação da polícia" afirma Stella Pereira de Almeida, coordenadora do projeto. "Antes de começar a distribuição de flyers, entreguei o projeto pessoalmente para o delegado Edmur Luchiari [do Denarc] e não recebi nenhum tipo de resposta negativa".
Stella, que ficou sabendo da suspensão das verbas através da imprensa, acredita que "só serão éticas campanhas [antidrogas] que veiculem informações verídicas, pautadas no conhecimento científico, e recomendações preventivas só serão eficazes se forem práticas e possíveis", em contrapartida a medidas ineficazes e ultrapassadas como a repressão ao usuário.
Até a semana passada, a avaliação do projeto estava sendo extremamente positiva, segundo enquetes feitas no site do Baladaboa. "70% dos visitantes diziam que mudariam seus hábitos de consumo do ecstasy e 98% achava que o projeto deveria continuar" diz a coodernadora.
Para o projeto, o momento agora é de articulação política. Órgãos como o CONAD (Conselho Nacional Antidrogas) já estão se mobilizando para possibilitar o retorno da verba. Uma reunião de esclarecimento com a Fapesp está marcada para a semana que vem.
Ao contrário de drogas como a cocaína, para a qual o Ministério da Saúde possui uma política de redução de riscos devido ao perigo de contaminação pelo compartilhamento de material, o ecstasy não é considerado um problema de saúde pública, por isso são tão escassas as medidas que visam a orientação do usuário.
qta gente achando que ecstasy é remédio pra dor de cabeça...
tem que ter campanha mesmo e ponto!
O pesquisador tem a boa vontade de fazer uma campanha para a redução dos riscos com o uso de ecstasy e tem a verba cortada. Pra que tipo de pesquisa a verba seria direcionada? Para estatísticas de consumidores de refrigerantes de cola light?
A campanha do balada boa foi uma das mais inteligentes que eu já vi em balada até hoje.
Pra que manter as pessoas informadas né?
Será que ela tem uma fábrica de ecstasy e tá querendo ficar milionária?
Ow bando de gente tapada!
De qualquer voces não vão ver a cor desse dinheiro que voces paga pelos impostos!
Que se destinem a projetos conscientes como este, e não para o bolso dos políticos...
Se isso não for apologia ao crime, não sei de mais nada...
E o pior, crime praticado com $$$ público!
As pessoas precisam saber de uma coisa: quando elas ESCOLHEM chupar drogas, o fazem sabendo que estão entrando na ilegalidade. Simples assim. Idêntica escolha faz o ladrão, o estuprador, etc.
Simplesmente indecente esse projeto.