Cinco perguntas para Erika Palomino
Começa hoje (13/6) a São Paulo Fashion Week; conversamos com uma das maiores especialistas de moda do Brasil
13.06.07 13:45
Erika Palomino é uma personagem polêmica do jornalismo brasileiro. Criticam suas opiniões, suas apostas, seu uso de expressões do "mundinho" (antes clubber, agora fashion). Até sua missão (bem-sucedida) de colocar a moda como pauta séria e relevante na ordem do dia enerva aqueles que nutrem velhos preconceitos contra "o fútil mundo da moda" (e que esquecem que esta é uma indústria que emprega milhares e gera milhões, além de contribuir na inserção do Brasil no mapa cultural mundial).
A verdade é que esta mulher foi a primeira a abrir espaço para a vida noturna, os clubes, os DJs, os personagens da noite e a música eletrônica underground na grande imprensa. Em 1992, quando ela começou com sua coluna "Noite Ilustrada" na Folha de S. Paulo, a aparição daquele universo nas páginas de um jornal mainstream foi como promover uma sessão-surpresa de filmes pornôs na Liga das Sras. Católicas. As reações variavam entre perplexidade, indignação e choque.
Na sequência, ela ajudou a promover os talentos de uma nova geração de estilistas, de nomes como Caio Gobbi, Alexandre Herchcovitch e Marcelo Sommer, que chacoalhou o status quo da moda da época. Essa movimentação deu a largada para uma expansão e profissionalização nunca vistos na moda brasileira. A herança direta disso são mega-eventos de moda como o São Paulo Fashion Week (que começa hoje e vai até o dia 19 no prédio da Bienal, no Parque do Ibirapuera, São Paulo), hoje corriqueiros, e a visibilidade e rentabilidade que a criação local adquiriu.
Erika Palomino conversou com o rraurl.com sobre a relação entre música e moda, new rave, quem vai "bombar" no SPFW e um certo desentendimento com o Cansei de Ser Sexy.
Qual a importância da música em mega-eventos de moda como o SPFW?
A trilha sonora dos desfiles é fundamental para complementar e ilustrar o conceito da coleção. Pode levantar ou destruir um desfile, principalmente pra mim, que sou "movida a música". O volume também é fundamental. Há editoras que pra não serem incomodadas por volumes altos ou equalização ruim usam algodão nos ouvidos!
Fiquei sabendo que artistas/agentes/gravadoras tentam emplacar seus artistas em trilhas de desfiles mandando promos e fazendo lobby com quem faz as trilhas. É assim que tem funcionado mesmo? Dá certo?
Desconheço, sinceramente, esse processo, se é que ele existe. Mas, como sabemos, DJs e produtores costumam receber promos como divulgação.
Quais as semelhanças entre os mundos da moda e da música para você?
São fontes de novidade, de renovação. São universos que fornecem pistas para que possamos entender os dias em que vivemos. Ou as noites... Denotam comportamento, estilo, personalidade, unindo pessoas em torno dos mesmos gostos, das mesmas preferências. Como sabemos, são as tribos urbanas, surgidas a partir das subculturas relacionadas aos movimentos musicais do final dos 50 e
início dos 60. Música e moda fazem convergir preferências em torno de determinados estilos.
New rave tem dado o que falar no mundo da música. E na moda?
É fonte de inspiração por se conectar com a música, trazer o universo hedonista e colorido do final dos 80 e início dos 90 e proporcionou mais diversão e irreverência à moda, que andava meio careta.
Quais serão as atrações da SPFW na sua opinião?
Alexandre Herchcovitch, sempre, Neon, Reinaldo Lourenço. Gosto de Ellus 2nd Floor, sem falar em Marcelo Sommer, com sua marca Do Estilista.
Sua coluna foi a primeira a levantar a bola do CSS. Mas eles não parecem muito agradecidos. O que aconteceu?
Sinceramente, nunca entendi direito o que houve ali. Até porque eu fui muito criticada no começo, quando noticiava eles direto, e as pessoas achavam que era um hype inventado por mim, que eles nâo tinham conteúdo etc.
Paralelamente, foi a mesma coisa que aconteceu com o Alexandre Herchcovitch no início, que falavam que eu hypava ele porque ele é meu amigo. Não sou trouxa, sou jornalista. Jamais apostaria meu nome em algo que eu não acredito, mesmo sendo meu amigo, isso comprometeria meu nome como jornalista. Seria suicídio.
Voltando ao Cansei, fui eu quem recomendou à Monique Gardenberg o CSS para o Tim Festival, e elogiamos a performance deles que o público e a crítica do Rio não entenderam. O CSS chegou a tocar numa festa minha durante o São Paulo Fashion Week, festa oficial do evento. Também indiquei a Luisa (que conheço há muito tempo desde quando ela era assistente do Caio Gobbi, e depois foi morar com minha amiga e assistente pessoal Eduarda de Souza, a Duda para fazer toda a programação visual da coleção Rock da Melissa, ela desenhou desde estampas para uniformes e sofás do lounge deles no evento, até a grandiosa fachada da Galeria Melissa, na Oscar Freire. Deu até para ela ganhar uma grana boa! Também fizemos aqui na House o lançamento do videoclip e um pocket-show deles, num projeto chamado Sunday Jam, e sugeri que eles remontassem o estúdio, ou a garagem deles aqui no galpão. Foi muito legal, as pessoas adoraram!
Algum tempo depois comecei a ouvir falar que eles andavam chochando a gente, não sei por quê, e finalmente surgiu o blog A Diaba Veste Fause, uma divertida sátira do site EP, feita pelo Adriano, brincando com o que falamos
no site e o que rola aqui. Eu achava bem engraçado e cada post era lido em voz alta aqui na Redação, mas confesso que achava a perda de tempo deles com isso meio estranha. Finalmente, Adriano fez um remix (sensacional, aliás), do nosso primeiro podcast.
Nisso todo mundo estava falando do blog, e todo mundo achando que eu me sentia atacada por ele. Que nada. Acho pop, é como o Casseta e Planeta, e você só é chochado se tem alguma relevância. Depois do remix eu publiquei uma nota no meu site, falando que eu adorava o blog e havia adorado o remix e que esperava que o Adriano continuasse tendo tanto tempo livre assim para fazer o blog, já que ele era fonte de risadas.
Parece que depois o blog saiu do ar, mas outro dia encontrei o Adriano no Clash e ele me disse que era tudo homenagem, que não era chocho, não. Falei que normal, que tudo bem. Tanto faz se é verdade ou não. Como você sabe, Camilo, estou acostumada a ser criticada, zoada, debochada desde 92 quando comecei minha coluna, então não levo nada pro lado pessoal. Despertar raiva nas pessoas me estranha e me causa um certo desconforto, confesso, mas é assim mesmo. Como se diz, faz parte.
Também parece que eles teriam ficado chateados por causa de uma crítica negativa que alguém fez aqui no site (não sei se Jackson ou André, nem lembro), do show deles no clube do Angelo Leuzzi aqui na Vila. Mas acho que diante de tudo o que apostei neles, me parece pequeno...
A história é toda essa. Mas de verdade, acho tudo normal, eles são muito jovens ainda e eu não me sinto magoada ou quero ficar alimentando eventuais polêmicas pueris. Trabalho muito, nem tenho tempo pra isso....!!!
thanks!
HD
como o povo se leva a sério.. tsc tsc tsc