A Parada Gay de São Paulo tem pelo menos um milhão de pessoas a mais que a segunda cidade colocada e andar atrás do trio elétrico é permitido em todo o trajeto, diferentemente de muitos eventos em outras capitais do mundo. Assim, os carros se esmeram na potência do som e na escolha dos DJs. Alguns atacam de Ivete Sangalo, outros buscam inspiração nos clássicos gays como "I Am What I Am", "It's Raining Men" e "YMCA".
Para dois DJs bem longe do armário o rraurl.com perguntou qual música é infalível numa festa gay e se sentem hoje menos hostilidade contra gays na balada. Luca Lauri e Barbie da Silva trabalham bastante na semana da Parada Gay. Ela encabeça a festa Chá com Bolachas no clube Gloria e ele, além d'Aloca, é residente no Vegas, na noite Strip Poker.
Neste sábado (9/6) os dois tocarão na festa Close, no clube Clash, junto com Marcos Morcerf, Nega Nervous e Andre Fischer, que dirige o site Mixbrasil. O projeto ainda tem imagens cuidadas pelo AVAF (Assume Vivid Astro Focus), curado pelo conceituado artista plástico Eli Sudbrack.
Luca Lauri

Qual música que você toca que é infalível numa festa gay?Luca Lauri: "Here to Stay (Felix Da Housecat - Thee Extended Glitz Mix)" do New Order. Já toquei essa música na Parada e fiquei arrepiado com a reação. O refrão tem tudo a ver com a manifestação,"we're here to stay", e a música é bem alto astral. Em qualquer pista gay ela se encaixa bem também. Para mim, é atemporal.
Barbie da Silva: Bom, vou indicar duas, vai. Uma só é difícil. Uma que acho fodaça e que sempre levanta a pista da audiência gay é "Plastic Dreams", do Jaydee. Essa música é um hino gay clubber. Das velhinhas, essa é infalível. Uma mais atual que também funciona muito bem é uma versão de "Last Nite", dos Strokes, cantada pela Vitamin C. Essa música tem uns samples de "Heart of Glass", do Blondie, e todo mundo se sente em casa ouvindo, mesmo que seja pela primeira vez.
Da primeira vez que você se apresentou numa festa até agora melhorou o preconceito com gays nas boates?Barbie da Silva

Luca Lauri: Às vezes tenho a ilusão de que melhorou, mas acho que é só ilusão mesmo. Ainda tenho que me deparar com atitudes preconceituosas do staff de alguns clubes, por exemplo. Clubes com uma expressiva clientela gay. Isso é vergonhoso pra qualquer DJ ou profissional da noite. Vejo uma atitude mais otimista nessa nova geração pós-emo, que levantou a bandeira do amor independente da orientação sexual e lota festas em busca de pura diversão.
Barbie da Silva: Ah, de verdade, eu nunca senti tanto essa hostilidade. As festas legais são feitas para pessoas que gostam de música. E quem gosta de música mesmo e vai à festa por este motivo, geralmente é inteligente o bastante e para saber que hostilizar uma pessoa por causa da sua orientação sexual ou de suas dancinhas exóticas é ridículo. Ou então acho que dei sorte. Só toquei para pessoas legais até hoje.
Crédito da foto (1): http://www.flickr.com/photos/entretantos
bjs e parabéns!