As lentes bem-relacionadas de Bob Gruen
A diva Debbie Harry, do Blondie
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Expo Rockers, de Bob Gruen @ FAAP
21.05.07 14:05
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As lentes bem-relacionadas de Bob Gruen
Fotógrafo que registrou grandes figuras do rock diz que atitude de roqueiros frente às câmeras é coerente com suas personalidades
18.05.07 13:15
Quem nunca sonhou viver no centro da hecatombe cultural que foi o rock'n'roll nas últimas dédacas? Mas como empunhar uma guitarra ou gritar num microfone não é oportunidade nem talento para qualquer um, muita gente viveu o sonho rockstar pelas beiradas. É o caso de empresários, roadies, técnicos de som, produtores, jornalistas, groupies, jetsetters e outros bem relacionados que tiveram seu naco de glamour do mundo do rock.

Um deles é o fotógrafo nova-iorquino Bob Gruen, que desde jovem se misturou com as pessoas certas e acabou por clicar no palco e nos bastidores nomões como Sid Vicious, Blondie, Rolling Stones, The Clash, Elvis Presley e Tina Turner, tornando-se um dos grandes nomes da fotografia rock'n'roll. Suas fotos estão expostas na grandiosa – quase megalômana - exposição "Rockers", aberta quarta-feira (16/5) em meio à arquitetura clássica e portais de Aleijadinho do Museu de Arte Brasileira da FAAP.

Bob, que acabou por seguir a vida de pai de família e acabou largando um pouco o mundo do rock nos últimos ano, lamenta apenas não ter fotografado o soulman Otis Redding, falecido antes dele começar sua carreira. De resto, foram quase todas as estrelas imagináveis, até Bob Marley.

E se, entre tantas nomes, ele destaca a beleza do The Clash, a espontaneidade de Tina Turner e a maturidade de John Lennon em Nova York, a exposição mostra outros registros interessantes,como Elton John quase voando com seu piano, o Ramones posando em frente ao CBGB no começo da carreira, Debbie Harry e Iggy Pop bêbados, entre outros.

O destaque da expo fica também pelos momentos do Sex: eles escolhendo lagostas num buffet, Sid Vicious sangrando depois de uma briga e uma misteriosa foto num avião após um show na Bélgica em 1977. "Tem uma criança, uma garotinha que eu não lembro quem era. Ela está lá, toda arrumada com Johnny Rotten e Sid Vicious atrás, fumando e tomando vodka com suco de laranja às oito da manhã", lembra Bob, nostálgico. "Depois dos shows os belgas queriam que saíssemos logo de seu país, mas os ingleses também não nos queriam de volta! Foi um momento delicado, mas eles não se importavam muito".

Bob conversou rapidamente com o rraurl.com ao visitar as instalações da exposição.

Depois de tanto tempo como fotógrafo, você pode dizer de uma maneira geral como um músico se comporta ao ser fotografado?

Depende. Alguns são bastante tímidos, não ficam confortáveis com a câmera como ficam quando tocam. Mas muitos deles são falantes, exibidos, com personalidades fortes e gostam de ser fotografados o tempo todo. E obviamente muitos deles sabem que esse é um dos principais meios para se tornarem estrelas, para irem parar numa revista, por exemplo.

Mas teve alguém que simplesmente detestava ser fotografado?

Talvez, mas esses aí são muitos problemáticos e até usavam essa "rebeldia" para gerar publicidade própria, então eu não quero ajudá-los (risos), citando nomes. É mais fácil falar dos que gostam de tirar fotos, como Tina Turner, que sempre saía bem nas fotos, estava sempre disposta a colaborar para obtermos um resultado final...

De todos que você fotografou, quais eram os mais fotogênicos?

Vários, John Lennon sempre gostava – e conseguia – estar bem numa foto. Na época dos Beatles eles foram tão fotografados que acabaram aprendendo a lidar com fotógrafos, a ficarem confiantes e despreocupados em como seriam retratados. E Lennon gostava muito de ser documentado.

O The Clash gostava muito também. Era uma banda de garotos bonitos, com bom visual. Eles tinham algo que é difícil, saber como sair bem numa foto sem posar exageradamente.

Então como você tinha a vaidade dos artistas na sua mão, seu trabalho até que era fácil.

Bem, roqueiros não são iguais modelos, que você penteia, coloca maquiagem e eles posam profissionalmente. Eles não sabem como sair bem, mais sempre querem que o resultado final seja excelente, uma foto revolucionária.

Como você se tornou fotógrafo pessoal de John Lennon em Nova York?

Eu tive sorte porque acabamos nos conhecendo bastante. Quando os conheci vivíamos quase no mesmo quarteirão em Nova York, tínhamos o mesmo senso de humor e até o mesmo visual. Ele e Yoko gostavam das minhas fotos, nos tornamos amigos e acabaram me chamando mais e mais para fotografá-los. Continuo assim até hoje, 30 anos depois, bastante próximo de Yoko Ono.

E o Sex Pistols?

Eram garotos legais. Quando tirei a foto do Sid Vicious comendo um hot dog nós estávamos numa passagem de som, eu olhei para ele e disse "ei, não se mexa, você está bem assim, deixa eu tirar uma foto". Ele disse "um minuto", pegou mais mostarda e catchup e se lambuzou inteiro. Muitos desses músicos tentavam adicionar algo para a foto, e por mais que fosse uma atitude pensada naquela hora, era sempre uma atitude, sempre um tipo de coisa que tinha a ver com a personalidade deles.

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
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