Svein Berge, metade da dupla norueguesa, fala sobre coletânea e suicídio, entre outros temas
"Infelizmente nós ainda não demos esse salto quântico algumas tendências suicidas ainda podem ser percebidas; nós provavelmente ainda estamos no mesmo lugar de um ano atrás"
Conversando pelo telefone do seu estúdio na Noruega, o produtor do Royksopp Svein Berge (que forma o Royksopp com Torbjørn Brundtland) ri e admite que eles continuam seguindo sua filosofia dos "Sete estágios de composição musical iluminada". As super-estrelas do downtempo delinearam sua teoria pela primeira vez durante a promoção de seu primeiro álbum em 2005, época em que afirmavam estavar no "terceiro estágio".
"Para subir um degrau, você precisa primeiramente sair de si mesmo," disseram ao jornal inglês
The Guardian. "Você precisa sair, remover o espelho e olhar para si mesmo de fora. Quando isso acontecer, você estará no estágio quatro e receberá mais instruções".
Hoje, Svein está num humor mais reflexivo, meditando tanto sobre a obsolescência quanto sobre o suicídio, as tais instruções e mudanças enormes de vida.
"Nós vamos deixar essa vida de excessos lentos mas constantes nos levar; anos de depravação, decadência e negação devem fazer nossos egos crescerem e seguiremos para o próximo nível", ele prevê.
Tendências suicidas a parte, a estrela de 30 anos conversou com o rraurl.com para promover sua compilação para a série
Back to Mine, uma seleção definitivamente não suicida da DMC Compilations, que troca obviedades como Iggy Pop, Leonard Cohen e Cure por jóias bem mais animadas como "Born Under Punches" do Talking Heads e "Ma Quale Idea" de Pino D'Angino. Uptempo, cheio de vida e com aquele vibe de disco old school nova-iorquina pré-house, o CD é mais um disco para ferveção after-hours do que um trabalho contemplativo.
"Eu honestamente não sei se as pessoas têm qualquer expectativa de nós como DJs Eu, por alguma razão, acho que elas têm bem pouca ou nenhuma expectativa, mas pode ser apenas eu me sentindo deslocado", Svein gargalha
"Mas sabendo que nós temos gente que nos segue, espero que achem essa compilação interessante Nós a consideramos uma prova de vida, enquanto estamos fazendo nosso novo álbum."
Compilação Back to Mine

Foi simples compilar sua versão de Back to Mine?Eu gostaria de ser metido e dizer que sim, foi fácil simplesmente pelo prazer de ser metido. Mas ao mesmo tempo, olhando pra trás, eu acho que foi mesmo fácil porque pudemos passar por cima das nossas maiores inibições e selecionar um pequeno número de faixas das milhares de ótimas músicas que estão por aí. Quando nós começamos a pensar "Ah, é só uma compilação", a maior parte do trabalho estava feito. Nós só pegamos algumas faixas que tocaríamos naturalmente naquele dia específico mantendo em mente que nós deveríamos selecionar músicas que estivessem de alguma forma associadas às direções musicais do Royksopp.
Quão importante é discotecar para vocês hoje?Nós temos discotecado em algumas ocasiões, mas essa compilação pode sugerir uma mudança, onde a gente foi do pequeno para o médio. Na verdade, no momento em que estivermos cansados de nossa própria música, pode ser que comecemos a tocar pra valer. Eu faço algumas mixtapes para amigos e para mim mesmo há muitos anos. E quando o CD-R chegou ao mercado em 1997, eu me lembro de fazer muitos mixes para diferentes humores e características físicas das pessoas. Por exemplo, eu fiz uma fez um chamado "Música para aqueles com testa longa e alta-estima".
Você disse ao Guardian ano passado que "dinheiro é um fator perturbador, e que quando as coisas ficam grandes, as pessoas não fazem mais favores. Você não pode simplesmente pegar o telefone e convidar alguém para aparecer na sua gravação. É preciso de papelada e solicitações". Quanta felicidade o sucesso comercial te trouxe?Tanto Torbjørn quanto eu sempre fomos felizes não de um modo "alegre e saltitante", mas dizer que somos tristes seria um desrespeito àqueles que sofrem de verdade. Comparando os níveis de felicidade antes e depois do sucesso, eu me sinto bem estável. Mas o sucesso trouxe outras coisas, como ser apreciado por outras pessoas por causa do seu trabalho (nossa música) e ter segurança financeira para continuar fazendo música sem ter que pensar "o que eu vou comer amanhã?", o que é bom.
Você já teve que lidar com depressão?Nao, ainda não. Pelo menos não de maneira muito profunda."
Erlend Oye, Biosphere (que ajudou vocês) e Annie são todos noruegueses que se estabeleceram alguns anos atrás. Qual é a história por trás de seu sucesso?Eu não sei bem o que dizer aqui, mas vou arriscar. Biosphere [
produtor de ambient que lançou trabalhos elogiados nos anos 90] foi um tipo de mentor para nós quando estávamos crescendo, já que nos mostrou que era possível fazer música totalmente a parte do resto do mundo e lançar em grandes selos europeus. Ele nos encorajou a continuar fazendo música quando tínhamos 13, 14 anos, e isso foi um acontecimento-chave que nos trouxe até aqui. Erlend nos abençoou com seu talento para escrever e cantar no primeiro álbum e eu acho que é justo dizer que isso deve tê-lo ajudado a entrar no caminho da música eletrônica. Annie é uma amiga com quem nós trabalhamos no seu álbum de estréia. Ela tem um grande senso para cultura pop e um faro para o pop grudento. Ela é toda fofa e amigável também. Isso pode soar machista, mas eu só estou tentando ser legal. Ela é ótima.
O Guardian também descreveu vocês como uma dupla excêntrica. Você se sente particularmente diferente de outros produtores e compositores por aí?Acredito que somos diferentes de alguma forma, mas eu não sei ao certo como. Ao mesmo tempo eu tenho um pouco de medo de ser rotulado como excêntrico, porque eu não sei como isso será interpretado pelos outros. As pessoas que dizem ser insanas, loucas, sequeladas etc. tendem a ser consideradas pouco autênticas. Eu não vou sair por aí dizendo que tenho problemas ou que sou excêntrico, as pessoas é que devem julgar. O estranhamento deve vir naturalmente mas eu li e ouvi tantas vezes essa história de que somos considerados um pouco estranhos que estou começando a acreditar nisso.
Conheci a banda através de um amigo norueguês que me faz altos elogios sobre eles,peguei os 2 discos deles(Melody Am e The Understanding) e adorei!
Vamos ver se algum dia veremos eles por aqui.Espero.
vale pra quem gosta de house e disco.
Ai bom d+!!!
"Back to Mine" para vocês!!!