Gente como Bungle, Fabio Stein, Marcelinho CIC, Marcelo K2 e Rodolfo Wehbba lançam às pencas na gringa
Ninguém mais se espanta ao ver o nome de algum produtor de música eletrônica brasileiro recebendo confete lá fora. Nomes calejados como os de Renato Cohen, Marky e PET Duo, que fizeram fama não apenas atrás dos toca-discos, mas também com suas produções, já lançaram por tudo que é selo, tiveram suas músicas tocadas por medalhões e, talvez o mais importante, abriram a porta para as próximas levas. Depois deles não paramos mais de exportar talentos. Nos últimos tempos, gente como Gui Boratto e Digitaria assumiram o papel de modelos de exportação ao terem seus nomes estampados em coletâneas blockbusters e charts bombados.
Com todo esse fervo criativo, o rraurl.com foi atrás de produtores nacionais que, apesar de (ainda) não terem caído nas graças do hype internacional, fazem seu trabalho com talento, competência e orgulham qualquer brasileiro que saiba com quantas batidas se faz um compasso. São artistas como Marcelinho CIC, Rodolfo Wehbba, Marcelo K2, Bungle e Fabio Stein, que mesmo com pouca idade já têm diversos releases na gringa, remixaram figurões da música eletrônica e merecem o reconhecimento de seus compatriotas.
BE-A-BÁ CASCUDOOs méritos daqueles que lutam para chegar lá começam pelo fato de morarem nesse país tropical, de bandeira verde-amarela e proporções continentais. Como nossa tradição cultural passa longe das batidas retas, o grosso da indústria voltada à música eletrônica que consumimos aqui é estrangeira. O resultado está nos preços de softwares e hardwares, que chegam aqui com o preço multiplicado por dez. É só dar uma passeada por lojas de áudio para ver sintetizadores por oito mil reais e que lá fora custariam menos da metade do preço.
O carioca Marcelinho CIC, cabeça do selo nacional Audio Family

Programas profissionais de produção também não saem barato. A versão mais recente do Ableton Live, um dos softwares mais usados por aí, sai por cerca de 600 dólares. Em um mercado tão movediço, onde de começo só investe quem tiver muito dinheiro ou coragem, a prática mais comum é fazer uma visita a um site de "bit torrent" ou à banca de camelô mais próxima. "[O uso de softwares piratas] é inevitável, dependendo do estúdio. Eu mesmo já usei muito. Hoje em dia não faço mais isso, pois tenho um estúdio registrado pela OMB (Ordem dos Músicos do Brasil), então ocorrem fiscalizações, e são necessárias algumas comprovações, notas fiscais. Agora, para home studios isso é um fato consumado", conta o produtor carioca de techno Marcelinho CIC.
Já o paulistano Fábio Stein encontrou nos softwares gratuitos uma forma de driblar o problema. "Eu uso o Buzz, que é livre e muito diferente do que há por aí hoje. Ele não é gráfico, mas tem alguns plug-ins fantásticos que não encontrei em nenhum outro programa", conta o DJ e produtor de trance. Entre os usuários famosos do programa está James Holden, que ajudou a popularizar o programa.
YOU'VE COME A LONG WAY, BABYO longo caminho de alguém que queira começar a produzir em terras tupiniquins geralmente começa na brincadeira. "Comecei por curiosidade, brincando no Fruity Loops", conta Marcelo K2, cuja primeira faixa lançada em um selo gringo, o Giant & Dwarf, foi feita nesse mesmo programa, considerado por muitos uma ferramenta para leigos. Desde então, Marcelo acumula lançamentos por labels como os ingleses Advanced e Evopro Recordings e o alemão Frisbee Tracks. Ao lado de Leo Breanza, seu colega de estúdio, lançou faixas nas compilações Schranz Total e Cherry Moon, junto de gente como Vitalic e Thomas Andersson. Além de produzir, ele trabalha como técnico em informática em um hospital de Campinas. "Eu produzo, toco à noite e trabalho aqui de dia e a grana ainda falta", conta Marcelo. Para aqueles que estão começando agora, K2 recomenda que "não se preocupem com aspectos técnicos. Se esforcem para colocar suas idéias na música, depois você senta com alguém que saiba e arruma tudo. É frustrante ficar ajustando a compressão e a equalização, chegar num estúdio, ouvir sua música nos monitores de áudio e ver que está tudo errado".
Fabio Stein está na case de Paul Van Dyke

A dica é reiterada por Stein, que começou a brincar com softwares de produção há quase dez anos atrás. "Fiz minhas primeiras faixas em um software que veio junto com a placa de som do computador". Stein tem diversos remixes e chegou a trabalhar com Judge Jules. "Você precisa procurar um estilo próprio que transcenda essa história de vertente. Tem que se preocupar em fazer algo diferente do que é produzido lá fora, criar um estilo próprio" diz o DJ. "Muita gente diz que meu som parece ter saído de um hardware, e não do digital. Eu procuro usar várias camadas de instrumentos para criar uma mesma linha melódica. Uso três kicks sobrepostos, por exemplo, ou dois sintetizadores para criar uma única linha de baixo". Stein se prepara para lançar a faixa "Panik Mode" pelo selo Maelstrom. A faixa está no case de gente como o todo-poderoso Paul Van Dyk.
Bungle lança seu primeiro álbum em abril

Outro jovem talento que já está em cases respeitados é André Sobota, o Bungle, que com apenas 23 anos já lançou faixas de drum'n'bass por selos como Innerground, remixou Q Project e trabalhou em diversas músicas com DJ Marky. Bungle se prepara para lançar seu primeiro álbum, que deve chegar às lojas em abril. Quanto à fórmula para o sucesso, André acredita que "o produtor tem que agradar a ele mesmo em primeiro lugar e ver um sentido no que está fazendo, ser autêntico".
Marcelinho CIC e Rodolfo Wehbba, cabeças do recém-criado selo Audio Family, o primeiro no Rio e o segundo em São Paulo, também são exemplos de como chegar lá. O label foi lançado no começo do ano em parceria com a distribuidora holandesa Triple Vision, e deve funcionar como um trampolim para que produtores brasileiros, consagrados ou iniciantes, pulem nas agitadas águas do mercado fonográfico estrangeiro. "A primeira coisa é não querer se dar bem rápido, isso é uma longa jornada. Lançar não é o maior dos problemas, mas sim vender bem o seu material" diz Marcelinho, que só nesse começo de ano já anunciou lançamentos pelo selo Yin Yang, o alemão i220, o francês Kazzo, além de um remix para Chaka Khan. CIC prepara as malas e viaja para Miami, onde lança a faixa "Second Time EP" no Winter Music Conference, junto com Léo Janeiro. "Leiam tutorials, estudem e tentem ao máximo não copiar outros artistas. Acreditem nas suas próprias idéias, pois elas podem virar um lançamento", aconselha o carioca.
Wehbba lançou pelo Primate e Craft Music

Estejam ou não presentes no cast de selos do momento, tocando em grandes festivais ou fazendo tours internacionais, temos muito a comemorar. "Hoje em dia está provado que é possível chegar lá e se manter. Temos essa 'nova safra', e alguns estão vendendo super-bem todos os seus lançamentos", diz Wehbba, que já lançou por selos como Primate e Craft Music. Poucas vezes voltamos nossos olhos para nossos próprios criadouros e esse deveria ser um exercício constante. Cada vez mais o mercado se abre para nossos talentos, e com tudo isso acontecendo em nosso quintal, podemos nos orgulhar de poder dançar antes do pessoal de fora.
Ele ja ta na area faz um tempo mas o live dele nao é uma coisa tao recente..foram anos para concretizar esse projeto de live p.a!
ósculos e perplexos!
Ela está sendo tocada a rodo lá fora por vários Top.
E aguardem a sequência dela que também sairá pela Craft Music.
O EP se chama Xcellr8, e virá com remixes de Propulse e D-Nox.
Hit Hit Hit Hit
da pra ouvir preview aqui:
www.greatstuff.eu.com/greatstuff/label.htm
abs