Fundador da Loveparade quer ver o evento fora de Berlim
Dr Motte abandonou a organização da parada no ano passado após brigar com as companhias que injetaram dinheiro no evento
08.03.07 20:45
Como fundador da Loveparade de Berlim em 1989 e seu organizador até o ano passado, Dr. Motte é um ícone da música eletrônica alemã. Ele conversou com o rraurl.com sobre a tentativa de realizar o evento em outra cidade e disse também que não sente nenhuma ligação com Berlim.
"Eu comecei a Loveparade em Berlim e a desenvolvi lá, mas poderia ter sido em outro lugar. Só começou em Berlim porque eu cresci aqui", revela Motte. "Eu a criei para dar àquele novo tipo de música uma plataforma, um novo espaço, uma nova identidade, uma nova forma de expressão e crescimento, de elevação, de dança, de música... uma nova forma de conhecer pessoas. Envolvia música eletrônica de qualquer tipo. Essa era a minha principal intenção quando comecei a Loveparade, eu nunca a fiz para Berlim. Eu estava concentrado em dar à música eletrônica uma nova plataforma", completa.
Motte viu o evento crescer de algumas poucas centenas de clubbers para um milhão e meio de pessoas em 1999, quando seu tamanho e popularidade começou a provocar cada vez mais conflitos entra as autoridades da cidade e os organizadores. Quando os investidores apareceram no ano passado para salvar o evento, ele brigou com a companhia que tomou conta do negócio e hoje está totalmente desligado do evento.
"A Love Parade está totalmente vendida 100%", diz Motte, "O antigo time não está mais envolvido e por causa disso estou concentrado em mim mesmo e em tentar achar outra coisa que possa se tornar uma nova plataforma".
Além de se preparar para lançar um novo selo, ele afirma estar planejando deixar Berlim em breve, com Colônia como seu destino número um. "Eu tenho amigos lá e eu gosto da cidade porque a atitude das pessoas é bem agradável. Se você vem para Berlim você vai encontrar uma energia muito dura, muito forte. Você sempre precisa trabalhar muito duro para conseguir as coisas por aqui, enquanto em Colônia as pessoas são mais de dizer 'Ah, isso é fácil, isso é bom'".
"O que eu também gosto em Colônia é que eles têm uma Parada Gay acontecendo todo ano. Milhões de pessoas vão para lá só para o evento. O governo da cidade os apóia e dão dinheiro para propaganda. Berlim nunca faria isso".
Mark Reeder, que descobriu Cosmic Baby e Paul Van Dyk, discorda. "Eu acho que seria ótimo realizar a Loveparade em outras cidades, enquanto o evento possuir a mesma mensagem original de amor e tolerância. Porém, não importa quão grande eles forem, nunca será como em Berlim. A cidade é a casa da Loveparade e deveria haver uma aqui também".
"Em julho de 1989, nós éramos apenas uns loucos dançando techno na Kuddam [famosa avenida de Berlim] atrás de algumas vans em tardes de sábado", relembra.
"Pela expressão no rosto das pessoas, dava pra ver que eles nos achavam malucos. Nós nos divertíamos demais e o nosso entusiasmo, ainda maior depois da queda do muro, deu ao evento ainda mais força, refletindo a volta da liberdade à cidade. O público aumentou a cada ano até chegar na casa dos milhões. Mas mesmo assim, onde há sucesso e felicidade, ainda há inveja e raiva.", continua.
"Infelizmente, com o passar dos anos, a imagem da parada e sua idéia original ficou muito distorcida. Muitas pessoas são hostis ao que ela se tornou hoje, ela perdeu seu fascínio e seu brilho e acabou manchada. Isso porque a parada foi dominada por companhias que a usam como instrumento de marketing. É uma maneira deles enfiarem na cabeça dos jovens o quanto suas marcas são legais".
"Sem dúvida, essa cidade precisa da parada. Mas principalmente, ela precisa resgatar sua idéia original e se tornar novamente um evento do povo, feito para o povo."
E, quando isso acontece, quando as iniciativas se deturpam e são engolidas por outros interesses, acho que é hora de parar.
São ciclos onde idéias nascem, crescem e morrem. Depois é hora da outra geração chegar e fazer algo novo, reciclar.
Sempre existirá gente nova, com novas idéias e vontade de colocar novas propostas em prática. É o ciclo da vida.
Aqui em Curitiba eu lembro do tempo do MMM, que vinha pra cá de 4 em 4 meses e era uma festa só!