Compilado com material da Factory Records começa a ser vendido.
Pela editora Chronicle Books, foi lançado o livro
Factory Records: The Complete Graphic Album. Uma publicação de 224 páginas reunidas pelo designer australiano Matthew Robertson com todas as capas de disco criadas para a gravadora Factory Records, onde o genial Peter Saville comandava o design. Além disso, o livro traz as artes de todos os flyers e posters que circularam no clube Haçienda, onde artistas do selo, como New Order e Happy Mondays, apresentavam-se com frequência.
Matthew Robertson vive na Inglaterra e foi um colecionador voraz do material que a Factory Records produziu sob o comando de Saville. Entre as muitas obra-primas estão as capas do single "Love Will Tears Apart" e do álbum
Closer, o segundo feito em estúdio pelo Joy Division, que usava a imagem duma escultura do sepultamento de Cristo. O lançamento do álbum atrasou e coincidiu morbidamente com o suicídio do vocalista Ian Curtis.
Closer (1980)

Além dessas, ele também criou a capa da primeira edição de "Blue Monday", do New Order. Ela reproduzia (em tamanho de disco) um daqueles antigos disquetes, pretos e molinhos, e não trazia nenhuma informação sobre banda ou música (algo comum nos discos da Factory). Entre os trabalhos fora da Factory, Saville criou para a banda Suede a capa do disco
Coming Up, de 1996. Hoje, ele comanda o próprio estúdio e realiza trabalhos para clientes tão diferentes quanto a EMI e o ateliê Givenchy.
Desaparecimento dos encartes?O lançamento dessa coleção esquenta a discussão sobre o fim das capas de disco. Com a popularização da compra de faixas pela internet, as capas estão sumindo de circulação. Será possível que as artes para discos estejam com os dias contados? Cada vez mais raras, elas chamam atenção quando aparecem nas prateleiras.
Blue Monday (1983)

Caso da imagem que apresenta o CD
Art, Plugs and Soul, do DJ Mau Mau, desenhada por ele mesmo. Ou do recente lançamento internacional
Chromophobia, do produtor Gui Boratto, desenhada pelo diretor de arte Felipe Caetano. "Demorou cerca de um mês. Gosto de parar, esquecer o trabalho e depois rever tudo com outros olhos. A princípio conversei com o Gui sobre algo monocromático, mas achei mais interessante ir para o lado oposto, numa linha maximalista e com muitas cores."
Chromophobia (2007)

No Brasil, Egeu Laus levantou a origem das primeiras capas de LP produzidas no país. A história remonta a década de 50 e tornou-se um
ensaio minucioso que pode ser publicado em livro no começo de 2008. Como a célebre capa para o primeiro disco do Velvet Underground,
Velvet Underground & Nico, criada por Andy Warhol, imortalizada naquela banana amarela, há dezenas de outras fotografias e ilustrações famosas no outro lado do oceano Atlêntico. O livro de Matthew Robertson, pelo site da editora Chronicle, pode ser comprado por 35 dólares na versão simples ou 60 dólares na versão com capa dura.
Mundo doido...
Saaaaaaaabe.