Gildas Loaec, da Kitsuné Maison
O produtor traça um perfil do seu selo e acredita que Klaxons e Digitalism podem estourar como Daft Punk
19.02.07 15:20
Gildas, do selo Kitsuné, conversou conosco para promover o bem-sucedido Kitsuné Maison 3, uma seleção de faixas não-mixadas de bandas em ascensão que inclui Digitalism, Klaxons, Simian Móbil Disco, Fox N Wolf e Gossip. Ganhando aplausos da DJ Mag, do Telegraph e da BBC, a coleção enquadra-se no new-rave/rock/dance, a tendenciosa mistura de estilos, um lugar que Gildas tem grande prazer em ocupar.
"Muitas pessoas enxergam o comercial e o fato de fazer dinheiro como ruim, mas esta não é minha postura", ele explica.
"Eu acredito que você pode ser pop e comercial e ao mesmo tempo vender discos enquanto realiza projetos com qualidade. Você não precisa vestir um capuz e ficar em um buraco tocando para cinco pessoas para ser talentoso."
Que Gildas entende sobre ser pop e comercial não se tem dúvidas, dada que sua carreira paralela ficou marcada por lançar o maior produto musical da França em todos os tempos, Daft Punk. Ao lado de Pedro Winter, da Ed Banger, Gildas continua a agenciar seus negócios mesmo depois de lançar o duo, há dez anos. Hoje, seu foco está na Kitsuné.
A nova compilação é chamada Kitsuné Maison, quanto isso deve ser entendido como uma referência a house music?
O Maison está ligado ao fato que nós estamos trabalhando mais e mais para transformá-lo um selo apropriado, funcionando como uma "casa" para estes artistas. A Kitsuné começou a fazer álbuns, como Kitsune Love e Kitsune Midnight, envolvendo trilhas licenciadas de artistas que nós amamos. Então, nós começamos gradualmente a pedir que os artistas fizessem trilhas especiais e os CDs deram super certo. Depois disso, nós pensamos que seria divertido fazer um selo apropriado, e estávamos mais confiantes sobre o que fazer. Ter um selo apropriado envolve assinar e desenvolver faixas de artistas que estejam o tempo todo trabalhando.
Agora, a imprensa começa a nos conhecer melhor, nós também acreditamos mais em nosso gosto, e temos visto trabalhos de alguns dos artistas renderem compilações como Wolfmother, Hot Chip e Digitalism. Nós damos preferência a artistas que tenham esse potencial de cruzamento.
É só você quem escolhe os lançamentos?
Sim, sou eu.
Como você os seleciona?
Há razões diferentes: primeiro eu tenho que gostar do artista e da suas músicas. Isso é óbvio claro, mas depois existem muitos fatores. Para Maison 3 a idéia era ter mais; errr, ser mais comercial, ter mais seleções. Para algumas pessoas o comercial é uma palavra ruim, mas para mim não é. Eu procurei músicas mais pops. É isso que estamos procurando, faixas apropriadas.
Você ainda está produzindo músicas com Daft Punk?
Eu estive trabalhando com o Daft Punk por 10 anos e ainda trabalho. Eu cuido da produção aqui em Paris e faço as tarefas do dia-a-dia da agência. Kitsuné é um projeto paralelo e é o meu selo.
O agente do Daft Punk, Pedro Winter, falou sobre a diferença entre a Kitsuné e Ed Banger em entrevista com a Stylus Magazine e disse "Não pense que estamos fazendo o mesmo tipo de música. Eu estou dando uma força a novos artistas franceses, Kitsuné supre os grandes clubes e vende muitos discos". Parecem citações completamente ásperas, vocês dois têm uma competição direta?
O que você quer dizer com áspera?
Isso soa como uma visão comercial negativa?
Sim. Era sobre isso que eu estava falando, sobre pessoas que enxergam o comercial como ruim e o fato de fazer dinheiro não ser uma coisa boa. Esta não é minha postura, eu acredito que você pode ser pop e comercial e vender discos enquanto realiza projetos com qualidade. Você não precisa vestir um capuz e ficar em um buraco tocando para cinco pessoas para ser talentoso. Ed Banger não gosta disso de jeito nenhum.
Você ainda é amigo de Pedro?
Sim, naturalmente, nós ainda trabalhamos juntos com o Daft Punk. Nós não concordamos em tudo, mas tudo bem. O Pedro está desenvolvendo artistas e tendências enquanto eu estou tendendo a fazer mais compilações e colocá-las nas prateleiras.
A França está atravessando particularmente um período criativo?
Não, eu não acho. Eu acredito que nós sempre tivemos em um período criativo. Dois anos atrás saiu um artigo na revista FACT sobre como a França estava prosperando, falando sobre a revolução musical e novo som francês. Em abril passado li um outro artigo sobre a nova onda do som fancês, eu acho que sempre tivemos boas músicas sendo produzidas aqui, é só exposição da mídia, isso dá a impressão de existir ciclos, particularmente no Reino Unido. Como há seis ou sete anos atrás existiu o britpop, por exemplo, que teve uma atenção maior, mas sempre existiram bons produtores na França.
Você não está lançando nenhum disco de minimal?
Não, eu não gosto de minimal. Eu nunca compreendi e realmente acho minimal entediante, mas essa é uma questão de gosto pessoal. Eu penso que é uma fase. Nós gostamos de algumas trilhas de tempo em tempo, só isso.
Uma recente crítica do Switch sugeria que ele está trazendo de volta hip-house, você vê isso como uma nova separação de tendência ou new rave?
Eu acho que o new rave está começando a dar uma direção aos garotos de 14 ou 15 anos de idade, que estão descobrindo estas faixas dos anos 90 e eu acho isso bom. Eu acho que definitivamente é uma cena, embora eu não possa ver onde isso vai dar. Os Klaxons são muito interessantes, eles misturam o punk britânico com o happy hardcore e isso é um novo estilo. E ao mesmo tempo eles são pop.
De todas as bandas da compilação, alguma pode vir a se tornar tão grande como Daft Punk?
O mercado é muito difícil e muito diferente agora. Pode ser que os Klaxons venham a ser grandes, mas talvez só no Reino Unido.
E sobre o Digitalism?
Errr, eu espero que sim! Definitivamente. Nós também temos que ver se seu álbum tem o mesmo potencial de fusão que Daft Punk tem. Mais uma vez, é uma combinação de coisas diferentes. Também estamos em outra época, onde tudo está se movendo muito rápido, sem tempo para as bandas se desenvolverem. É muito mais difícil. Mesmo porque não tivemos um tempo longo desde que bandas como Chemical Brothers ou Basement Jaxx emergiram e os festivais de música eletrônica pedem novidades. Digitalism terá uma carreira bem sucedida, claro, porque existe uma demanda muito grande de festivais procurando por novos nomes na cena eletrônica.