Cinco perguntas para Paul van Dyk
Apresentações desta semana no Brasil são canceladas; mesmo assim aqui vai nossa conversa com o über-DJ
24.01.07 16:40
Um dos criadores do trance e número um da última edição da polêmica lista de melhores do mundo da revista DJ Mag, Paul van Dyk é primeiro escalão das pick-ups faz tempo. Esta semana ele viria para três apresentações no Brasil: no Guarujá, Atlântida (RS) e Balenário Camboriú. As três acabaram canceladas já que o alvará para o evento no Guarujá não foi obtido a tempo. Segundo a assessoria da turnê, ele voltará para o Brasil em março.
Este ano, van Dyk lança um novo álbum, Inbetween, com lançamento agendado para o fim de junho. Politizado e articulado, o alemão falou sobre ecletismo, engajamento político, DJs superstars e se, lá no topo, as coisas podem ficar um pouco solitárias.
As fronteiras entre muitos estilos parecem indefinidas agora e muitos DJs hoje dizem que não conseguem dar um nome para o que tocam. Você se sente assim também ou ainda se considera um DJ de trance acima de tudo?
Bom, eu me sinto assim faz mais de dez anos, mesmo antigamente eu nunca me considerei um DJ de trance. Eu toco uma combinação de estilos que juntos podem ser definidos como o estilo Paul van Dyk. Sempre tive bem claro para mim que esse é a única maneira de progredir. Posso tocar techno, breakbeat, trance, house, electro, e essa combinação de sons cria algo único.
Você sempre se expressou politicamente, tanto com os CDs Politics of Dancing quanto participando de campanhas incentivando os jovens a votar. Você acha que a cena eletrônica deveria ser mais politizada do que é?
Acho que não dá para querer que uma cena tão grande, ligada ao entretenimento, seja militante, focada em uma causa ou tema político único. Acho que o caráter político da cena é que ela é tem a ver com expressão individual e liberdade de expressão. Mas eu acredito em democracia, acho que a participação fortalece a sociedade. Acho que se você acha que tem algo errado no lugar onde mora vá e faça algo para mudar isso.
Eu mantenho uma organização beneficente ligada à Cruz Vermelha alemã. Nosso objetivo é ajudar crianças carentes dando suporte, ensinando habilidades, temos aulas de computador, é uma mão estendida oferecendo ajuda não só por um tempo mas por muitos anos, para que consigam progredir na vida.
Através da organização temos participado de muitas reuniões e discussões políticas sobre as amplas reformas educacionais que estão sendo propostas na Alemanha. Estamos lá debatendo, contribuindo com nossa experiência no assunto.
Muitas pessoas tem dito que a era do DJ superstar terminou. Você se considera um DJ superstar? Concorda que a era deles acabou?
Eu nunca me considerei um DJ superstar. Sou apenas um cara muito sortudo que pode tocar a música que gosto para pessoas ao redor do mundo. Mas não jogo aparelhos de TV pela janela do hotel nem tenho uma imagem fabricada. Eu sou o que sou, o que faço é isso e mais nada. Eu não acho que a era dos DJs superstars acabou porque para mim ela nunca deveria ter existido. Agora, sempre vão ter DJs que se projetam mais que outros, que fazem mais sucesso ou que são mais talentosos.
A rotina de um DJ famoso, entre hotéis cinco estrelas, vôos de classe executiva e salas VIP em lugares diferentes toda vez não fica um tanto solitária? Recentemente, deu que Tiesto aqui em São Paulo passou seu aniversário numa festa onde não conhecia praticamente ninguém e ficou deslocado, cercado por apenas dez amigos e com um monte de gente tentando fotografá-lo.
Acho que isso tem a ver com a pessoa, depende das prioridades que você coloca para si mesmo. Para mim, a família vem sempre em primeiro lugar. Se é meu aniversário, da minha esposa ou de alguém da minha família eu com certeza estarei com eles e não em algum outro lugar.
É por isso que eu sou feliz e não sou sozinho. Quando estou com pessoas estou sempre falando, tenho interesse no que os outros tem a dizer, porque este é o elo que a música eletrônica proporciona, com a vida e com pessoas do mundo inteiro. Por causa disso, nunca estarei solitário.
Você pode nos contar sobre as origens do trance. O que se passava na cabeça das pessoas na época quando se criava esse estilo. Quais eram as inspirações?
Pra ser sincero, as coisas mais criativas surgem quando você não pensa nisso, quando não é intencional. Tenho boas memórias da atmosfera da época e tento recriar isso às vezes. Como garoto gostava de bandas indie como Smiths, Depeche Mode e New Order, a estrutura de suas músicas me inspirou. A diferença é que tínhamos a liberdade da música eletrônica. Numa banda de rock, tem cinco ou seis jeitos de tocar um baixo, na música eletrônica isso é ilimitado.
Esse papo que ele criou o trance é um erro.
O Brasil não conhece o Trance é está perdendo um pouco dos melhores momentos da ME.
A ME nunca mais foi a mesma depois do Trance.
Love Stimulation do Humate com colaboração e remix do PVD é um clássico da ME.
O trance é um dos estilos da ME mais evoluido enquantos o resto da cena volta aos anos 80 o trance continua buscando novas sonoridades sem perder suas raízes.
O futuro nós espera.
Bem.. que pena, toda vez com ele da um problema. mas tomara q ele faça uma turne maior em março. E quem sabe venha para mais perto de Goiânia