Mais um político ataca as raves
Vereador evangélico do PMDB quer proibição total no município do Rio
12.12.06 17:45
Apareceu mais um político querendo proibir as "festas rave" como forma de conter o tráfico de drogas. Dessa vez é no Rio de Janeiro e o salvador da pátria atende por Theo Silva, vereador evangélico do PMDB. Segundo o projeto que apresentou, seriam banidas do município do Rio de Janeiro raves ou qualquer outro tipo de evento de música eletrônica que aconteça de madrugada, manhã ou à tarde.
Segundo o vereador justificou na transcrição do projeto no Diário Oficial da Câmara, os eventos de música eletrônica são iguais aos bailes funk, "onde traficantes contratam os artistas para cantarem (sic) e durante os bailes venderem livremente suas drogas para os freqüentadores".
Ainda segundo o publicado no Diário, "esse tipo de evento se tornou um antro de consumo e distribuição de todos os tipos de drogas, mas principalmente de drogas sintéticas". Em novembro, duas operações policiais separadas no Rio prenderam um total de 29 pessoas por envolvimento com tráfico de ecstasy. Nenhuma delas estava numa rave.
"Isso não vai adiantar"
Não se tem notícia ainda de local no mundo onde a repressão a eventos de música eletrônica tenha resultado em diminuição do tráfico. O Reino Unido chegou a passar legislação federal contra raves em 1994 e medidas repressivas foram adotadas por vários países europeus na seqüência, incluindo França, Suécia e Itália. O consumo e o tráfico de drogas no continente não parou de se expandir. Segundo um relatório de 2005 da European Drugs Agency, o preço das drogas nas ruas da Europa caiu em até 50% comparado com dez ou vinte anos atrás.
O DJ e produtor carioca Marcelinho CIC diz que "isso não vai adiantar. É preciso cortar o mal pela raiz e, certamente, a raiz não são as festas de música eletrônica". Ainda segundo CIC, "O Rio é uma cidade turística, que precisa de eventos, festas, bailes etc. O Rio de Janeiro gira e sobrevive em cima de uma plataforma cultural e a música eletrônica já faz parte disso."
"Sem contar a quantidade de empregos que se gera em um evento como esse", complementa Nepal, também DJ e produtor do Rio. "Por que ele não pensa em algo para tirar os jovens que vivem cheirando cola nas ruas?". Para Nepal, Theo Silva está na verdade mais preocupado em promoção pessoal do que em resolver alguma coisa.
Para CIC, "Seria ótimo ter as autoridades do nosso lado para nos ajudar e combater o uso ilegal de drogas, mas cadê? Onde posso achar essa ajuda? Vamos punir sim aqueles que merecem, não generalizar".
Mas ainda há muito a ser feito para que o público entenda isso. Segundo pesquisa com internautas do Globo Online, 48% aprovam a proposta do vereador. Enquanto isso, o site Cena Carioca conclama os apreciadores de música eletrônica a protestar contra o vereador através do seu email: theosilva@camara.rj.gov.br
se preocupe com moradia, saude e trabalho.
isso é falsso moralismo