Cinco perguntas para Dominik Eulberg
Produtor é o representante do conceituado minimal alemão no Nokia Trends; Ele agora faz parte do cast da Cocoon
22.11.06 18:00
Dominik Eulberg é um alemão meio esquisitão de 28 anos que divide seu tempo entre a pesquisa ecológica e uma bem-sucedida carreira de remixer e produtor de minimal. Ele é o representante do gênero no Nokia Trends paulistano desse ano.
Uma de suas maiores inspirações artísticas é seu famoso conterrâneo Sven Väth quando o jovem Dominik ouvia seu programa de rádio Clubnights. Enquanto iniciava sua vida clubber em Bonn, ele passava horas e horas pesquisando insetos, pássaros, plantas e relevos da montanhosa região de Westerwald, sua terra natal e uma das áreas mais florestadas da Alemanha. Ele é formado em geografia ecológica, profissão que pretende seguir quando parar de trabalhar com música.
Se você é daqueles que têm enjôo ao ouvir qualquer loop da Kompakt, não se assuste. Por mais que possa ser um pouco cabeçudo, o minimal de Dominik é mais influenciado pela versatilidade melódica de Mr. Väth e pelo experimentalismo de um artista, famoso por remixar DJ Hell, Nathan Fake, Le Dust Sucker, entre outros.
Depois de um bem comentado álbum de nome sugestivo, Flora & Fauna e diversos prêmios de melhor produtor e remixer alemão, ele se credenciou como um dos artistas mais obscuros e curiosos da numerosa cena alemã.
Ele conversou com o rraurl por telefone com uma simpática paciência, enquanto esperava sua namorada sair do hospital após sofrer um leve atropelamento.
Por que a música eletrônica minimal? É algo indissociável nos músicos alemães atuais?
Não é uma razão geográfica, de um país. Minimal é a música eletrônica mais essencial, é o que te faz dançar mais puramente, não consigo me imaginar tocando outra coisa dentro desse e de qualquer outro estilo de música.
Você, que sempre trabalhou em contato com a natureza, não se sente um pouco angustiado de ter que tocar em clubes escuros e esfumaçados?
Não, mas eu obviamente prefiro tocar em festivais abertos. O minimal é muito similar à natureza, assim como o techno, é o estilo de música que repete as batidas do coração, é instintivo, remete à nossa origem no feto materno. E é tão melhor, as pessoas dançando rumo ao êxtase com um visual bonito.
(O repórter explica para Dominik que sua apresentação em SP será no Anhembi, um lugar às margens de um rio poluído, que não tem um visual necessariamente paradisíaco. Mas ele parece não se importar, seguindo a tradicional cartilha da indiferença alemã)
Além de tocar, você pretende conhecer a natureza brasileira?
Sim! Nunca estive na América do Sul, só no México, mas não tive tempo de ver nada. Eu sempre ouvi falar muito dos colibris, do solo, das plantas tropicais, estou bem ansioso. Tudo é muito novo para mim, vou me sentir como criança perdida em loja de doces. Devo fazer uma excursão rápida para conhecer a floresta tropical. Conheço toda a natureza da Alemanha e da Europa, pena que não terei tempo para um safári (?) mais completo no Brasil. Mas será suficiente se eu conhecer alguns sistemas ecológicos, como as plantas vivem juntas, etc.
No Flora & Fauna você utilizou muitos elementos e samples de barulhos de animais, da natureza... Como foi isso?
Foi a maneira de eu manter minhas duas atividades unidas, e as pessoas se fascinam muito quando explico isso. A música é tão artificial que tento colocar elementos naturais nela, e nesse sentido a música eletrônica é o meio mais instintivo. E a contradição por ela ser inorgânica torna tudo mais fascinante ainda.
Quando faço música, penso em pinturas artísticas da natureza, tento refletir esse meu sentimento sobre o mundo. Então eu coloco barulhos de passarinhos, por exemplo. Aí as pessoas ouvem e pensam que é um sintetizador, mas eu digo "não, são pássaros!". Copiar coisas da natureza de maneira tecnológica é a simbiose perfeita da minha música.
Como está sendo trabalhar com Sven Väth, publicamente a sua maior influência?
Muito bom, sempre fui fã de seu "Clubnight", íamos ao seu clube, ele sempre foi meu ídolo mesmo e fiquei muito honrado quando ele pediu para que eu o remixasse. Estou fazendo três faixas para seu novo álbum ao mesmo tempo que produzo meu segundo disco, que sai em março pela Cocoon. Ele se chamará Bionic e terá dez faixas contando uma pequena história.