Underworld: quem sabe faz ao vivo
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Underworld: quem sabe faz ao vivo
Karl Hyde fala ao rraurl.com sobre show, passado e futuro
08.11.06 17:25
Na segunda metade dos anos 90, eles eram um dos quatro "grandes" da música eletrônica, junto com Chemical Brothers, Prodigy e Daft Punk. Foram eles também os responsáveis por "aquela" música, que saiu da trilha de Trainspotting, varreu as pistas de dança e foi parar nas sete mais da Jovem Pan: "Born Slippy".

Por trás do estouro, o Underworld tinha uma discografia consistente para mostrar, incluindo ótimos álbuns como Dubnobasswithmyheadman e Second Toughest In the Infants, além de singles lendários como "Rez" e "Dirty". Fora isso, o Underworld se firmou como um das melhores performances ao vivo da música eletrônica.

A história do Underworld começa no início da década de 80, quando Karl Hyde (vocal e letras) e Rick Smith formam uma dupla de synth-pop chamada Freur. Passados dois álbuns e um hit menor na Inglaterra, o Freur mudou seu nome para Underworld. Depois de tentar a sorte no universo pop e fracassar, o Underworld ficou meio perdido e resolveu dar um tempo. Com o advento da acid house e da nova música eletrônica, eles resolveram retomar o projeto, desta vez ao lado do jovem DJ Darren Emerson. E aí foi só alegria.

Em 2000, Darren Emerson deixou o grupo. Hyde e Smith seguiram em frente, lançando um álbum bacana (A Hundred Days Off) e uma coletânea de melhores momentos (1992-2002). Em 2005, sem contrato com gravadora e fazendo música incessantemente, começaram o Riverrun Project, uma série de lançamentos digitais das novas produções, disponível no site Underworld Live (algumas depois foram editadas em vinil). Para o ano que vem, prometem um novo álbum "físico".

Falando com o rraurl.com pelo telefone da Inglaterra, Karl Hyde deu uma geral na carreira, nas novidades e em como vão ser os shows que eles farão no Brasil (no Creamfields e na festa de 13 anos do Sirena).

A pergunta que não quer calar: por que demoraram tanto para vir ao Brasil?

É uma ótima pergunta mas eu não sei a resposta. Sempre ouvimos coisas tão boas sobre o Brasil e nunca aconteceu. Mas estamos bem empolgados.

Como é seu show atualmente? Qual a proporção entre coisas velhas e novas?

Se você for no show vai reconhecer vários clássicos mas também vai ouvir material novíssimo, como as coisas do projeto Riverrun. Tudo é improvisado, a música, o vídeo, as luzes. Somos dois na banda, eu e o Rick, mais nosso DJ, Darren Price. Nossa apresentação demora umas três horas mas no Creamfields brasileiro vai ser um pouco menos porque tem muitos outros artistas.

Não tem muita regra. Aprendemos com os DJs a chegar num lugar sem idéia pronta e reagir ao momento. Dependendo da ocasião, pode soar diferente do disco ou não. Na hora a gente vê isso mas as mudanças acontecem especialmente no arranjo e algumas vezes nos timbres.

Você tinha uma banda de synthpop nos anos 80 [Freur] e chegou a excursionar com os Eurythmics. Como foram virar um grupo de música eletrônica underground no começo dos anos 90?

Sempre fomos muito interessados em Kraftwerk e música de cinema, essas eram nossas paixões. Isso e o que John Peel [lendário DJ de rádio inglês, responsável por lançar no rádio nomes como Jimi Hendrix e Smiths] tocava no rádio. A música que fazíamos não era pop. Mas estávamos tão famintos e desesperados que quando uma gravadora quis nos transformar em popstars aceitamos. Aí toda vez que terminavam nosso contrato pensávamos: "bom, vamos voltar a fazer o que gostamos de fazer".

A gente não sabia nada sobre o que rolava em Chicago, Detroit ou Nova York, éramos só garotos brancos morando no País de Gales. Foi só quando a acid house chegou com tudo, aquele som eletrônico e psciodélico, que finalmente percebemos que nossa música tinha um lar. Pensamos, são essas coisas que ouvimos desde o início.

Você considera o Underworld influente? Onde você vê essa influência?

Não vejo o que fazemos assim, de maneira alguma. Outras pessoas já observaram isso mas não é como nós vemos.

Com o projeto Riverrun vocês passaram a lançar faixas que só estão disponíveis na internet. O que motivou esse projeto?

Queríamos mais liberdade e sentíamos que queríamos menos distância entre compor e lançar uma música. Também queríamos poder fazer as músicas na duração que quiséssemos, sem se preocupar se é o tamanho certo para o CD. Também não queríamos mais discussões sobre a arte da capa. Colocamos lá no site um monte de fotos para as pessoas usarem como quiserem. Queríamos ainda explorar mudanças no custo de fazer discos.

Apesar disso tudo, ainda queremos um contrato com uma gravadora. Estamos em negociação no momento...

Com quem?

...não posso falar, ainda não dá.

Mas pretendem continuar lançando digitalmente mesmo com contrato?

Claro, porque deu muito certo. Tudo que podíamos querer aconteceu. As críticas foram muito boas com relação às músicas e tudo se pagou. Foi um grande exercício de liberdade de expressão e fazer as coisas nesse formato com certeza é um parte crucial das coisas agora. Outra coisa que fazemos no nosso site que adoramos é o nosso programa de rádio. Nele, tocamos basicamente músicas dos outros, mas de tudo que é estilo.

Vocês tem um novo álbum planejado para 2007. O que pode nos contar sobre ele?

Estamos gravando coisas desde 2003 sem parar. Fizemos umas 200 músicas: algumas foram para a internet, algumas nos vinis que prensamos nesses últimos anos (que também incluem faixas do projeto Riverrun) e algumas em trilhas sonoras. A influência dessas trilhas sonoras tem sido significativa para nós.

Mas mais influente ainda tem sido o contato com todos esses selos independentes, por causa dos programas de rádio. Essa inspiração tem sido fenomenal. Continuamos ecléticos como sempre fomos, interessados em todos os gêneros musicais. E em algum lugar ali tem uma espinha dorsal de clube, para a pista de dança.

Camilo Rocha
Camilo Rocha
Putz! Putz!
comentários
1 comentários
Luly
Luly(14.11.06)
0AprovadoQueima
Não acho um line up em lugar nenhum, falta feia, heim!!!!
Que horas os caras tocam?