Cinco perguntas para Hans-Peter Lindstrøm
Noruguês, um dos expoentes da space disco, lança compilação de seus EPs
25.10.06 14:40
Se tem uma terra que entende de disco music, é a Escandinávia. Não só pelo ABBA, mas pela maneira como Noruega, Suécia, Finlândia e Dinamarca absorveram por muito mais tempo o gênero e suas variantes, entre elas a italo disco, que foi além do começo dos anos oitenta e virou mercado sério para os artistas do gênero por um longo tempo..
Hoje, 25 anos depois, Hans-Peter Lindstrøm, um músico norueguês é um dos destaques da space disco, versão 2000 da italo cheia de reverbs, paradas silenciosas, assobios, niponismos e elementos do minimal e da house.
Saiu essa semana o álbum It's a Feedelity Affair, reunindo os principais EPs de Lindstrøm lançados de 2003 a 2006. Entre eles o belíssimo "I Feel Space", que chamou atenção do Playhouse alemão, "Music (In My Mind)", "Another Station" e "There's a Drink in my Bedroom and I Need a Hot Lady", talvez o nome de track mais interessante dos últimos tempos.
Lindstrøm é daqueles remixers requisitados, LCD Soundsystem e Tiga caíram em seus encantos. Ele ganhou destaque também por suas parcerias ao vivo e em álbum homônimo com o conterrâneo Prins Thomas, outro ás da space disco.
Confira a entrevista feita por e-mail que acabou rendendo uma promo de It's a Feedelity Affair, a ser resenhada em breve aqui no site.
Qual é a grande coisa por trás da space disco?
Na verdade eu não uso a definição, mas ela é boa para definir talvez a origem de algumas influências. Space Disco é algo que se aplica a, vejamos, 30% da minha música.
E os outros 70%?
Pode ser space disco também (risos), porque é disco music com muitas pausas, muitos espaços aéreos e ventos uivantes no alto. Mas eu não criei isso de maneira alguma.
Não há uma preocupação em ficar marcado demais pelas influências?
Não, porque não dá para negar que esse tipo de música é perfeitamente o resultado de alguém que ouviu Patrick Cowley e muitos produtores do fim dos anos 70 e começo dos 80. Eu só estou roubando dos meus mestres (risos).
Li que você é de uma cidade pequena, como foi sua trajetória até chegar na música?
Eu sou de Randaberg, um povoado na costa oeste, ao redor de Stavanger (terceira maior cidade norueguesa). Vivo em Oslo desde meus 21 e gosto de viver aqui, foi onde conheci música. A cidade não é tão grande nem tão pequena, o que fez a cidade ter uma cena musical saudável. Talvez porque nós não tenhamos uma cena de fato, as pessoas aqui só fazem o que têm vontade.
Annie, Royksøpp, Prins Thomas, Kings of Convenience, você... É a geração musical norueguesa mais criativa desde os tempos do A-Ha?
Não sei, não sinto que eu faça parte de uma tradição musical norueguesa. Temos bons artistas porque, como eu disse antes, não vivemos em grandes metrópoles então acabamos tendo uma identidade mais definida.