Oliver Huntemann: o máximo do minimal
Nome fortíssimo do momento toca no D-Edge sexta e tem muita história pra contar
27.09.06 16:10
O DJ e produtor alemão Oliver Huntemann é um nome tão quente para as pistas de hoje que ele deve estar contribuindo para o aquecimento global. Ele toca em São Paulo pela primeira vez nesta sexta (29/9). No evento, vai gravar um set que será lançado pelo seu próprio selo, Confused. Será o primeiro CD de uma série que ele pretende lançar em 2007, com sets dele em clubes de todo o mundo e vai se chamar Play! 01. As fotos da capa, tiradas na própria noite, serão feitas por Fábio Megulhão. No Brasil, ele ainda toca na Floor, em Cuiabá, no dia 30.
Um remix poderoso que Huntemann deve tocar por aqui e que fez com o superprodutor Stephan Bodzin é o da música "Oh Yeah", sucesso do grupo Yello nos anos 80 e que virou hit no verão europeu deste ano. Outro remix que a dupla assinou há pouco foi para "Everything Counts", clássico do Depeche Mode.
Além disso, na bagagem ele traz os novíssimos remixes de duas de suas músicas: um "maximal minimal mix" do produtor Misc para "Scary Love" com vocais de Chelonis R. Jones, e o pesado remix de Arnaud Rebotini (do Blackstrobe) para "37 Degrees". Ele contou para o Rraurl um pouco sobre seu passado musical e como enxerga a música no futuro.
Meus pais ficaram loucos
"Eu tentei tocar vários instrumentos, como violão, por exemplo, mas não curtia muito. Eu era viciado em música. Comprei dois toca-discos e um mixer pequeno com meu salário de entregador de jornal. Depois, passei a gastar tudo o que tinha com as últimas novidades do electro-funk. Lembro do meu primeiro 12": era do Trans-X com "Living On Video", um ítalo que eu adorava. Meus pais ficaram loucos. Me mandaram para a Marinha, mas todo o treinamento e a disciplina militar não me impediram de gastar meu dinheiro em discos e festas. Na verdade, isso só fez a minha paixão aumentar. E virei técnico em eletrônica."
Ex-Humate
"Comecei em 1980 dançando break e discotecando em festas de escolas, tocando Afrika Bambaataa, Grandmaster Flash, Kurtis Blow, Whodini... Quando a acid house invadiu a Alemanha no final dos anos 80, eu me liguei na hora que ser DJ era a minha vida. Comecei a organizar festas de techno. No começo dos anos 90, eu, Gerret Frerichs e H.G Schmidt criamos o projeto Humate. Nossos primeiros lançamentos foram "Chrome" e "Love Stimulation", lançados em 92 pelo selo alemão MFS.
Vamos falar de negócios?
"Lanço minhas produções como Oliver Huntemann pelos meus selos Confused e Dance Electric. O Dance Electric tem mais minimal e coisas com vocais, e pelo Confused saem faixas de músicas de clube mais contemporâneas. Além deles, tem o Gigolo e o Datapunk, selos de que gosto há anos. Eles são ótimos na promoção dos artistas e foi muito bacana ter recebido ligações do DJ Hell e do Anthony Rother dizendo que eles adoraram meu som. Meu segundo álbum, Fieber, saiu agora em vinil pela Confused e em CD pela Gigolo. Meu primeiro álbum Too Many Presents For One Girl foi lançado em 2004."
Futuro da música
"Acho que a música vem se renovando e melhorando o tempo todo. Acho muito interessante o que está rolando hoje, o que está saindo principalmente na Alemanha. Diria que entre 60 e 70% dos discos que toco são alemães, os produtores de lá nunca tiveram tanta força no mercado da dance music quanto hoje. As lojas de download vão se tornar mais fortes e populares. A internet está crescendo. Há várias outras maneiras de aproximar a música das pessoas: promoções em blogs, podcasts, ringtones, myspace
os downloads ilegais vão diminuir à medida em que as pessoas mudarem de atitude. Mas acho que serei um daqueles que vão defender o vinil por muito tempo, mesmo que eu venha a gostar dos CDs, que por sinal são ótimos para testar novas faixas.
Brasil
"Saiu recentemente um single pela Confused, chamado "Freak Inside", que tem um remix incrível do Gui Boratto. Ele é um ótimo produtor, eu toco tudo o que ele faz. Sei que existe a Rio Parade, que tem uma postura parecida com a nossa Loveparade em Berlim e com a Streetparade na Suíça. Gosto da idéia de misturar um pouco da cultura tradicional com as influências globais. De modo geral, todo mundo diz que ir pro Brasil é uma ótima experiência. Toquei junto com o Digitaria e com o Renato Ratier este ano na festa da Gigolo, no Sonar, em Barcelona, e eles fizeram performances ótimas. E toco de novo com o Renato no Brasil. Com certeza vai ser ótimo, não vejo a hora de reencontrá-lo e de tocar no D-Edge."
Mas você vai por que gosta de Humate, que eu sei.
Já era hit da Discology...