PET Duo fala sobre apresentação no TIM Festival
Dupla agora reside em Berlim e se destaca no roteiro techno europeu, confira entrevista.
Ana Luiza Gelfei e David Merlino estão de volta. Mas não de vez. Os PETs voltam ao Brasil mês que vem para participar do TIM Festival carioca ao lado de Booka Shade. Booka Shade e PET Duo? Sim, essa foi uma das combinações mais curiosas e também das mais criticadas no line-up do evento. A escalação é um grande passo para a dupla e também para o hard techno nacional, estilo da qual eles são os expoentes máximos: tocarão no mesmo evento que Daft Punk, Patti Smith, DJ Shadow, Beastie Boys e hypes como Yeah Yeah Yeahs e Devendra Banhart.
O casal mora há algum tempo em Berlim, onde centralizam suas atividades e rodam o velho continente tocando em festas, clubes e festivais. Estão se destacando no olho do furacão do techno europeu e vêm conseguindo destaque e visibilidade inimagináveis no Brasil.
Ana e David falaram com o rraurl via e-mail e rebateram críticas. E se o assunto são gêneros eletrônicos, eles têm a resposta na ponta da língua: antes de ser hard, a devoção de ambos é ao techno. E ponto.
Como foi o convite para o TIM Festival?
Recebemos um e-mail do responsável do evento falando do interesse na nossa contratação e como poderiam nos contratar. Pedimos para entrar em contato com nossa agente daqui e acabou rolando. Esta foi a primeira vez que houve interesse por parte do TIM e ficamos felizes que deu tudo certo. Já houve interesse de outros festivais, mas o fato de estarmos na Europa na época dos eventos tornou-se um empecilho enorme devido ao preço das passagens aéreas.
Muito se falou no Fórum do rraurl sobre a escalação dos PETs ao lado de Booka Shade. Vocês acham que há uma discrepância muito forte entre o estilo de vocês e que isso seria um fator negativo no line-up da tenda?
Acreditamos que não será um grande problema exatamente pela proposta do TIM, de tentar mostrar tendências no meio musical. Não é uma festa direcionada a um estilo, como estamos acostumados a nos apresentar. Achamos que devido a isso outras pessoas que nunca ouviram techno e hard techno podem começar a se interessar pelo estilo e freqüentar mais as festas dedicadas a estes.
Esse tipo de crítica não seria muito comum no Brasil, onde o público é mais acostumado com tendas, line-ups, eventos e artistas mais, digamos, segmentados? (techno-house-electro-hard-minimal, etc)?
As críticas vieram de alguns que provavelmente não sabem respeitar as diferenças entre as pessoas - e muito menos conhecem nosso trabalho - e questionam nosso profissionalismo quanto a desenvolver um set especial pro momento, dentro daquilo que mais gostamos: o techno e as pessoas presentes. Fora a resistência e preconceito que estas pessoas tem em relação ao segmento mais pesado do techno. Não se deve levar muito a sério! Se levássemos já teríamos parado de tocar há muito tempo (risos).
Sempre lembramos do que o pai do compositor experimental americano John Cage disse a ele desde muito cedo: se alguém lhe disser "não pode fazer", isso mostra exatamente o que fazer.. Deixem que falem, enquanto isso nós continuamos fazendo nosso trabalho de formiguinha na humildade e seguimos adiante.
A escalação de vocês para o TIM é um reconhecimento definitivo? Ou tantas datas na Europa e fãs carentes por aqui já são provas suficiente?
Nós pensamos que é um reconhecimento ao nosso amor e nossa dedicação ao techno. Não achamos que somos muito importantes ou conhecidos fora de São Paulo, mas dentro da nossa querida cidade, acreditamos que ajudamos a espalhar umas sementinhas de amor à música.
E porque poucas datas no Brasil então? Baixo retorno financeiro? Dificuldade de locomoção? Ou a investida européia na carreira é integral?
Normalmente não temos uma exposição na mídia, não ficamos e nem gostamos de ficar adjetivando demais ou superlativando o que fazemos, não pedimos votos pra subir em rankings de DJs. A única coisa que temos é nossa música.
Como nos últimos dois anos passamos mais tempo na Europa, acreditamos que as pessoas e os promoters acabaram se esquecendo de nós. Existem os maldosos e pseudo-conhecedores de plantão que sempre tratam de denegrir o estilo. Já é embutido na cabeça dessas pessoas o que é ruim, sem ao menos dar uma chance para aqueles que se dedicam à música com amor e carinho. Também não dão muito espaço para os DJs mais novos de hard, fazendo com que o estilo seja posto de lado... Tudo isso junto contribuiu para tocarmos menos e menos por aí. Tivemos que fazer uma escolha mesmo e no momento a Europa é melhor, principalmente para o nosso aprendizado profissional e pessoal. Mas, nem tudo são flores e realmente sentimos falta do Brasil, dos amigos, das festas, da animação! A terrinha é a terrinha, inigualável e incomparável!
Ainda Brasil. Uma dupla brasileira de DJs atrai mais curiosidade na Europa?
No meio musical acreditamos que seja um ponto positivo ser brasileiro. O mercado de DJs aqui é bem saturado, e o que a pessoa puder apresentar de diferente já ajuda... Mas é arriscado confiar só no exotismo de ser de um país de fora para ter muitas oportunidades em festas aqui. A diferença tem que vir na música e não na sua nacionalidade. Percebemos que as pessoas no geral procuram mesmo ir atrás do que gostam e não se iludem tanto pela mídia.
Porque vocês escolheram Berlim para morar? A geografia central européia? Benelux ou leste não seriam regiões mais fáceis para vocês trabalharem?
Viemos pela primeira vez pra cá no final de 2002 e foi amor à primeira vista. Além de nossa agência ser aqui, a cidade é linda, grande, muito arborizada e calma. Também não é uma cidade tão cara perto de outras capitais e cidades européias e todo esse conjunto acabou pesando na nossa decisão de passar um tempo maior em Berlim. Temos a sorte de ambos terem passaporte europeu, e com isso não tivemos maiores problemas em fixar residência aqui e legalizar nossa situação em relação a trabalho.
Quais foram as gigs mais marcantes para vocês nesse último verão? Vocês são os heads do I Love Techno desse ano...
Tivemos a sorte de nos apresentar em festas muito boas, como a Awakenings na Holanda. Na hora que estávamos tocando, o Brasil era eliminado pela França! Ainda bem que não assistimos o jogo! Depois teve o Monegros Festival, onde tivemos a chance de ver um live histórico do DJ Rush e da banda de EBM Nitzer Ebb, que gostamos muito. Podemos falar também do festival Decibel na Holanda, que é mais voltado ao hardstyle. Teve uma tenda de hard techno que podemos dizer foi a tenda de chill out do evento (risos).
Outro lugar que nos marcou foi um clube numa cidade ao norte da Catalunha, na Espanha, chamado Rachdingue. Esta clube já tem há 38 anos e era freqüentado por Salvador Dali. Tem uma arquitetura peculiar com uma piscina perto da pista de dança e obras surrealistas espalhadas pelo lugar. Uma experiência intensa e diferente. Em relação ao ILT, ficamos extremamente felizes com a possibilidade de nos apresentar pela segunda vez nesta festa. Estamos bastante ansiosos e contando os dias pra que chegue logo... Porque depois disso, estaremos no Brasil!!
nao tem muito o que comentar sobre esses dois, eles além de serem quase unanimidades no que fazem , sao simpaticos e muito carismaticos !
continuem sempre assim os ''fã_naticos`` brasileiros agradecem ! e lenha nos grigosss rssssssss