Anthony Rother: "Precisava evoluir"
Rother encarna Frank Sinatra
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Anthony Rother: "Precisava evoluir"
O punk dos dados não quer mais saber de electro puro
19.09.06 15:05
O papa do electro Anthony Rother atendeu o Rraurl no final da semana passada, em seu celular. Estava no carro, indo comprar equipamentos. Nada mais adequado para o homem que até hoje faz questão de levar mais de 200 quilos na bagagem para suas apresentações ao vivo. Rother explicou por que não usa laptop em seus shows e o motivo por trás da mudança radical em seu som nos útimos dois álbuns, Popkiller e Super Space Model. Confira os principais trechos da conversa.

Onde você está agora?
Estou no carro, deixe apenas eu encontrar um lugar para estacionar.

Está indo aonde? Para casa?
Não, estou indo para a cidade, a uma loja de eletrônicos.

Para comprar equipamentos?
Hmm... Talvez (risos).

Eu vi a lista dos equipamentos que você vai trazer ao Brasil. É muita coisa. Você por acaso é obcecado por instrumentos eletrônicos?
Eu amo equipamentos e particularmente sintetizadores.

Mas de que tipo? Analógicos?
Sim. No meu live eu levo outro tipo de instrumentos. Mas no estúdio tenho muitos sintetizadores analógicos, que eu não poderia levar toda vez que vou tocar.

E de qual você mais gosta, ou o mais valioso?
Depende do que eu queira fazer, do meu humor. Os favoritos mudam de tempos em tempos. Tenho um OSCar, tenho um JD-800, que é digital, mas que usei em muitas das minhas produções no passado, eu amo a 808, a 909 (baterias eletrônicas Roland TR-808 e TR-909), tenho um Moog Voyager que eu amo demais. Isso é só uma parte do que eu tenho. Não diria que há uma única peça que seja a predileta ou a melhor.

Na música que você costumava produzir, o electro puro, você provavelmente abusou da TR-808. Mas nos últimos dois discos os sons são bastante diferentes. O que mudou?
Acho que passei a usar mais equipamentos analógicos. Tentei usar ao máximo os equipamentos antigos, para obter o melhor som possível dos instrumentos analógicos. O sistema de produção é o mesmo, mas a maneira de tirar os sons dos instrumentos é que muda.

O curioso é que cada vez mais gente ouve suas músicas em MP3, naqueles fones baratos de iPod. Não se perde muito desse "calor" que o mundo analógico proporciona?
Depende das pessoas. Elas precisam descobrir o que os sons podem proporcionar para elas. Para mim é intolerável ouvir música em MP3, que são muito comprimidos. Você perde ataque, os agudos não estão certos, as freqüências mais baixas estão confusas. É como nos anos 70 e 80. As pessoas gravavam fitas cassete, mas o vinil sempre teve um som muito melhor. Mas é claro que as pessoas podem se emocionar de qualquer maneira, seja com um CD ou um MP3. Se minha música as toca assim, a missão está cumprida.

O tema de suas músicas também mudou bastante. Você sempre se preocupou muito com a relação entre o homem e as máquinas. Mas, nos dois últimos discos, os assuntos são o amor, a família...
Muita coisa mudou em minha vida. Com o electro purista, cuja última produção foi Hacker, eu estava no topo da criação deste tipo de música. Não havia mais o que eu pudesse fazer. Então comecei a criar novas coisas. Precisava evoluir. Mas o disco Popkiller não é uma mudança que aconteceu de um dia para o outro. Enquanto eu produzia Hacker, lancei um remix de Little Computer People, com mais vocais, e depois Dreampeople. Quando lancei o selo Datapunk já havia uma transformação clara – e gradual – do meu som. Foi um processo.

A questão das máquinas deixou de interessá-lo, então?
Não. Mas já pensei muito sobre isso. Acredito que já estejamos vivendo em tempos futuristas. As possibilidades eletrônicas, como a internet, o dilúvio de informações que nos cercam, são um sinal disso. Essa transformação foi muito rápida. Agora estou interessado no lado humano, social.

Você ainda toca suas músicas de electro puro ou já acabou para você?
Sim, eu toco alguma coisa. Gosto muito de Synthethik, que expressa bem esse lado. E também Little Computer People. Mas agora o repertório é baseado nos dois últimos discos.

Falando em computadores, por que você não usa um laptop em suas apresentações ao vivo?
Porque tocar ao vivo é uma experiência física. Controlo as máquinas com meu corpo, não somente com meus dedos. Preciso de todos os equipamentos para poder me expressar. O computador e um controlador seria muito pouco. Eu faço os arranjos no palco. Preciso de todos os botões e dos equipamentos para isso.

Você esteve no Brasil no ano passado. Quais foi suas impressões do show e o que você espera de uma apresentação em um clube?
O Brasil foi "Uau!". Tudo é tão rápido, tão maluco tão... "Uau!" Sobre o clube, não tenho preocupações. Em grandes festivais você fica um pouco mais longe do público, é mais difícil fazer contato com o público. Mas gosto das duas situações.

No seu site você fala das dificuldades de manter um selo. Quais são essas dificuldades? Pirataria, superoferta de música...?
É uma pergunta difícil. Quando lancei meu primeiro selo (PSI49 Net), queria ter a liberdade de lançar as músicas de que eu gostasse, sem ter de agradar a nenhum diretor artístico. Queria ser livre, com minha visão. Mas hoje está muito difícil. É muito fácil piratear. E as pessoas parecem não ter mais sentimentos com relação à música, tanto com relação à qualidade quanto com o valor. Não custa nada e tudo está disponível. Como todo mundo faz isso, deixou de ser um problema. Mas estou satisfeito. Muita gente ainda compra nossos discos. E não dá para parar a evolução. Temos de viver com isso. Espero que um dia as pessoas voltem a valorizar o produto completo, a arte dos discos etc.

O símbolo do selo Datapunk é o cara do moicano. Na época, você disse que era uma espécie de reação ao electroclash. Ele ainda representa o selo?
Sim (risos). Para sempre! (mais risos).

Por quê?
Porque ele estava lá desde o primeiro segundo. O logo, o nome do selo e a filosofia são uma coisa. O moicano não tem nada a ver com a tendência. Na época fazia sentido, mas há algo mais. É a idéia punk, no sentido de liberdade. E não estamos falando do "no future", pelo contrário. Acredito que a filosofia Datapunk é mais futuro. Temos de fazer desse mundo um lugar melhor. Pode soar meio brega, mas acredito nisso.

sete
sete
Gs up hoes down
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1 comentários
Luis
Luis(20.09.06)
0AprovadoQueima
falar o q?