The MFA: Os garotos prodígio da eletrônica
Com poucos e ótimos releases, dupla britânica já é um dos live mais concorridos do ano
12.09.06 16:40
É fácil achar motivos para gostar do MFA. Alastair Douglas e Rhys Evan são uma dupla anglo-galesa de jovens de 20 e poucos anos, bonitos, talentosos e com uma modéstia que é mais fruto do susto com o sucesso do que da humildade propriamente dita.
A visibilidade veio nos últimos dois anos com pouco menos de dez músicas lançado em quatro EPs: Motherload / Spinx, Zone Day, Two Billion Year Journey e The Difference it Makes, com a faixa homônimo que é de chorar de bonita. Disco 2 Breakz é um breakbeat dark que foi parar no glitch Bpitch Control.
Músicos de tempos em que rótulos e gênero são diluídos e ultra-processados pela suprainformação, Alastair e Rhys já viveram tudo: techno, rock, house, drum'n'bass, breaks, electro, pop... Eles não se encaixam em "época" nenhuma a não ser nos tempos atuais: muita informação, tecnologia e acessibilidade. Por isso a crítica já brada que o MFA é o novo Orbital, ou a melhor coisa inglesa desde Chemical.
Eles podem ser house, pode ser click, minimal, breaks, dark, neo-trance, dark e IDM. Mas calma, é basicamente um live para dançar, com as experimentações e loops noiados nas mixagens. As poucas músicas são estendidas e retorcidas ao longo do live de uma hora. Lembre-se, eles não tem música suficiente para encher um álbum.
Em resumo, é melodia com beat, de diversas maneiras. Miss Kittin, fofa (literalmente), dançou sem parar atrás da dupla no Sónar barceloneta desse ano. Enquanto o tempo não passa para que sejam feitas análises mais profundas e históricas e o sucesso os corrompa, Rhys e Alastair se divertem tocando um dos lives mais interessantes do ano.
Confira a entrevista telefônica feita com Rhys, paciente e educado por causa de seu complicado sotaque galês. A agência que booka a dupla disponibilizou em Real Player o live deles no Sónar, o link está logo abaixo.
>> O que levou você e Alastair a produzir música? Festanças no tempo do colégio? (Eles foram companheiros de classe)
Foi mais da vontade particular de cada um, nós não costumávamos ter as mesmas idéias para música. Ele era mais fã de dark music, drum'n'bass, eu gostava mais da combinação entre techno, house, etc. Até hoje não entendemos como conseguimos chegar a um resultado juntos.
>> Li numa entrevista que Aerodynamic do Daft Punk foi uma inspiração essencial. É verdade. Por que essa faixa?
É bem bacana, mas não é uma inspiração direta. Temos a referência básica do Daft Punk. Acho que todo mundo que ouviu dance music nos últimos anos tem eles como ícones, mas não gosto de falar disso porque parece que nosso objetivo é ser como eles.
>> Outras influências seriam...?
Várias. Pra mim, techno, recentemente uns discos velhos do Bowie que tenho ouvido. É meio clichê falar dele, mas todo clichê faz sentido.
>> Quem tem maior importância na música de vocês: o beat ou a melodia?
As melodias, sem dúvida. As vezes até pensamos em alguma batida mas aí criamos uma melodia em cima que inverte tudo. Eu achava que seria o contrário, mas é mais interessante produzir melodias.
>> A música já virou o principal trabalho de vocês, certo?
Nunca considerei assim, talvez tenhamos mais responsabilidades por causa das músicas que já fizemos, mas será sempre um hobby, que no fim é o que queremos para a nossa vida.
>> Como foi o contato com Ellen Allien?
Nós terminamos algumas músicas e eu a vi num clube. Cheguei, disse "oi, tenho algumas músicas, será que você poderia escutar?". Depois de um tempo ela retornou, lançamos pela Bpitch (o EP Zone Day) e fizemos o remix de Magma.
>> Quando sai o primeiro álbum?
É uma possibilidade, mas acho que temos que produzir mais. Não é algo urgente que temos vontade de fazer, estamos nos divertindo tocando por aí. Mas é bem provável que aconteça um dia.