Marc Mac
Produtor fala com exclusividade ao rraurl.com sobre seu novo trabalho, que traz faixas de artistas brasileiros
04.08.06 14:00
Marc Mac, metade do lendário duo inglês 4Hero, possui uma bagagem musical de dar inveja. Atuando desde os anos 80, o produtor/DJ/músico influenciou a maioria dos ritmos que você conhece, do d'n'b ao hip hop, do techno ao jungle, e ainda leva crédito por ser um dos inventores do broken beat. Ao lado de Dennis McFarlane lançou álbuns e produções que hoje são clássicos por selos renomados como Reinforced e Twisted Funk. Agora, apresenta mais uma face de seu eclético repertório musical com a compilação "Brasilika", pelo label inglês especializado em música brasileira Far Out. O rraurl.com bateu um papo com o moço para descobrir de onde vem a paixão pela música verde-amarela.
» Durante sua carreira, você conseguiu manter uma identidade musical diversa e experimental, abraçando a cultura raver e ao mesmo tempo prestando atenção em sons mais orgânicos. Como e por quê a música brasileira te atraiu?
Sim, eu comecei na cena raver de breakbeat e no começo da cena de hip hop do Reino Unido. Ao mesmo tempo também colecionei discos de jazz, funk e soul dos anos 60 e 70, procurando por batidas, e foi assim que encontrei a música brasileira. Sempre tive essa paixão por ritmos sul-americanos. Muitas batidas originaram com a música latina e brasileira, e essas faixas que eu encontrei têm ótimas quebradas e momentos percursivos fantásticos.
» Como foi a primeira vez que você entrou em contato com a música brasileira?
Eu acho que a primeira vez que eu me apaixonei pela música brasileira foi quando eu encontrei "Águas de Março" do Tom Jobim. Eu curti muito o som pop/soul do Sérgio e aí conheci o trabalho de Marcos Valle através da colaboração dele com Leon Ware. Na seqüência veio o Azymuth, que é uma das maiores bandas de fusion de todos os tempos, radical e suave ao mesmo tempo.
» Essa compilação apresenta um leque musical bastante eclético, com faixas clássicas de Milton Nascimento e Joyce, passando pela produção eletrônica atual como Incognito e Mark Pritchard, e mostrando um pouco do futuro com artistas como Sabrina Malheiros. Conta um pouco por que você resolveu montar essa compilação e o que fez você escolher essas faixas?
Com esse disco eu queria não só mostrar meu amor pela música brasileira mais tradicional, mas também a nova fusão desse tipo de som com o breakbeat, broken beat e a música eletrônica. Joe do selo Far Out Records sempre teve uma boa visão dos produtores britânicos que trabalham com músicos brasileiros e eu queria chamar atenção para essas colaborações no meu mix. Eu escutei mais ou menos 50 CDs do catálogo da Far Out e eu poderia facilmente ter feito um mix só com faixas do Azymuth porque eles fazem ótimos álbuns. Eu acho que as faixas que eu escolhi mostram a versatilidade do Azymuth, o que me ajudou a criar atmosferas diferentes nesse mix.
» Sob o nome Nature's Plan você lançou faixas cheias de swing brasileiro como a "Without Words" com Ed Motta, e agora a Broken Samba que está no álbum. Nature's Plan é sua identidade latina? Pretende lançar mais faixas seguindo essa direção?
[Risos]. Acho que pode-se dizer que o Nature Plan é minha "identidade latina." Eu tenho uma conexão forte com a música latina porque eu tenho raízes na Jamaica e no Oeste da Índia, bastante parecido com o groove do samba. Eu amei trabalhar com Ed, aprendi muito trabalhando com ele e o Azymuth, e eu pretendo trabalhar com outros artistas brasileiros do selo Far Out através do Nature's Plan.
» Além deles, você também trabalhou com Patrícia Marx e Grupo Batuque, só para citar mais alguns. Qual é a sua visão dessa nova era musical?
A nova geração de músicos brasileiros tem muito potencial porque eles querem experimentar e mostrar o som brasileiro para uma audiência mundial mais vasta.
Patrícia Marx, Sabrina Malheiros e até DJs e produtores como DJ Marky têm ajudado a criar uma nova ponte com os produtores de música eletrônica do mundo.
Thais Mendes (glittah)I love you honey, I think you're a terrific girl, but you have clothes like a f•ckin' d•ckhead.