Warung e onda-techno no Sul
10.02.03 01:45
Warung reina na Praia Brava de Camboriú
O nome do clube foi tirado do balinês: significa "casa". Que em inglês escreve-se "house", estilo de som que o Warung quer implantar como opções ao psicodélico e à lenha techno reinantes na costa catarinense.
O lugar: imagine uma praia deserta onde no meio de dunas e vegetação, ergue-se uma estrutura inspirada nas construções da paradisíaca ilha de Bali, com dragões e deuses orientais como tema da decoração. Além da pista do clube (que toma todo o segundo andar), o espaço conta com um restaurante internacional que abre durante o dia, e na praia em frente, são realizadas sunset parties e luaus.
DJs internacionais do primeiro time apresentam-se cada mês na casa. Na inauguração, em novembro de 2002 veio o alemão Timo Maas. Depois vieram os ingleses Layo & Bushwacca! , Dave Seaman e agora em fevereiro aguarda-se a vinda do argentino recém-radicado em Londres, Hernan Cattaneo. Toda essa atmosfera lembra mais o espírito de outra ilha, a espanhola Ibiza, meca do verão clubber mundial, nome que vem à cabeça quando você vê o agito que se transformou esta temporada de verão na costa catarinense.
E por falar em Santa Catarina e DJs gringos, não posso esquecer de mencionar o superclube Ibiza (não, desta vez não é a ilha) que trouxe recentemente Vitalic, Miss Kittin e no reveillón contou com Funk D'Void como atração.
E além desse clube, lembro ainda alguns superclubes que vem fazendo um bom trabalho de divulgação de musica eletrônica decente, abrindo sempre uma pista para o gênero: Rancho Mariás, Bali Hai (Porto Belo) e algumas festas eventuais no Baturité e Café Pinhão (Itapema).
No quesito "noite eletrônica na praia" está difícil superar Balneário Camboriú no sul do país...
Techno é o novo Trance
Lembra do Trance? Pois é, ele não morreu, mas não é mais o estilo eletrônico da hora nas pistas do Sul.
Nomes de trance-djs como Paul Van Dyk, Tiesto ou Oakenfold são lembrados quando se fala em djs-referência estrangeiros, mas a eles se juntaram techno-djs como Dave The Drummer, Chris Liberator, Marco Carola, e claro, Carl Cox.
Os hits são aqueles que todo mundo já ouviu: Hollywood, Sunshine, Space Cruising, La Rock e Pontapé. Ok, você caro nerd-trainspotter-techno-xiita vai dizer que isso não é techno com "t" maiúsculo, e eu até chamaria toda essa safra de pop techno. Mas o que importa mesmo, é que o público pede bis.
A pergunta que se faz é: como se deu a mudança? É de se supor que essa onda de techno seja um modismo. Assim como outros modismos, este predomina agora e vai ser substuído por outro, mas não é disso mesmo que o mundo vive? Dito isso, o responsável pela virada tem nome: Fabrício Peçanha (Porto Alegre), que foi possivelmente o primeiro a difundir o gênero no sul.
Como a fórmula deu mais do que certo, agora todo mundo toca as mesmas músicas até cansar (alô djzada, ta na hora de todo mundo trabalhar seus próprios hits). Mas não é só Peçanha que toca techno com estilo próprio por estas paragens: Curitiba tem bons djs do gênero como Rafael Araújo (acid techno), Phaze, Gadotti, Pako e Jollan. Em Santa Catarina há os novatos Victor Hugo e Eduardo EP (Balneário Camboriú), e o veterano Ledgroove (Florianópolis).
Atenção promoters: que tal dar abrir espaço a todos esses esforçados DJs? Além de batalharem para manter um bom repertório em vinil, cada um tem seu próprio estilo e são garantia de manterem a pista "bombando"!