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Novas pistas de trabalho
DJs encontram espaço em ambientes diferentes
28.07.06 14:45
O crescente número de DJs e a falta de tantos clubes e festas para abrigá-los tem levado muitos profissionais a encontrarem outras pistas. Como vimos há pouco na temporada de moda, os desfiles foram um dos primeiros novos espaços para os DJs, e logo se seguiram lojas, restaurantes, bares, academias, show rooms, salões de beleza, escolas de DJs e programas de rádio. Uma boa parcela dos profissionais vem ganhando bem nesses lugares e conquistando um novo público. Como diz o DJ Jac Junior (foto), "também é uma excelente forma de espalhar a palavra", isto é, a música eletrônica!

"Hoje em dia não sou apenas um DJ de pista porque eu tenho uma profissão que pode ser trabalhada em diversas áreas, e não se consegue mais viver apenas tocando em clubes", esclarece Acácio Moura, que encabeça o projeto Pizza Hut Hits Music & Lounge. Desde setembro de 2005 Acácio tem aberto espaço para DJs em dois restaurantes Pizza Hut em São Paulo, e até agora não repetiu as atrações. O projeto contrata oito DJs por mês para tocar nas sextas-feiras. O DJ convidado toca entre 2 e 4 horas e ganha, além de um pequeno cachê, um belo jantar. Mas os cachês em restaurantes sofisticados como Skye, Porto Luna e Café de la Musique giram em torno de 200 a 300 reais, como revela o DJ Jac Junior. "Está na média do que pagam os clubes pequenos, mas rolam muitos convites para outros trabalhos, o que vale muito a pena".

Jac Junior começou no badalado restaurante Skye, na cobertura do hotel Unique e, de lá, foi convidado para trabalhar no Café de la Musique, outro ponto de encontro de gente endinheirada. "Esses lugares são uma oportunidade para trabalhos extras e para explorar um repertório mais calmo, fazendo misturebas que tanto gosto. Thievery Corp e Erykah Badu, ou Sade e Lisa Shaw." O ambiente dos restaurantes também dá mais liberdade para os ouvintes irem à cabine de som conversar. "Adoro quando alguém pergunta sobre uma versão diferente de um clássico ou onde ela pode ouvir mais house, principalmente quando noto que é algo totalmente novo para essa pessoa", conta Jac. "Fico muito feliz quando as pessoas estão comendo e balançando a cabeça ou batendo o pé, daí tenho certeza que estão gostando e muitos elogiam e compram nossos CDs mixados", diz Acácio. E tem os clientes entusiasmados que querem balada ali mesmo. É o que conta o DJ Lucas Rocha, que toca no restaurante Venezianos, em Porto Alegre. "Depois da meia-noite o lugar pega fogo e as pessoas dançam entre as mesas, querem se jogar ali mesmo".

As marcas de roupas também têm investido muito nos DJs, seja para criar trilhas para desfiles ou ambientações para lojas. O DJ Hisato é um dos mais procurados nesse ramo de ambientação sonora e já fez a trilha das lojas Cavalera de todo o país, além de marcas descoladas como UMA, Gisele Nasser, Novamente e Acqua Studio. Hisato largou as compilações em CD e tem feito podcasts mensais para lojas. "Faço a seleção segundo o perfil da marca e da coleção, considerando ainda o perfil dos compradores e dando uma canja pros vendedores, que afinal vão ficar lá o dia todo. Pontuo tudo com novidades moderninhas", explica. Mas o trabalho vai além das trilhas do desfile e da loja. "Também faço ou solto as trilhas de desfiles internos para compradores e representantes, e o trabalho continua por muito tempo depois dos desfiles". Hisato não gosta de falar de valores, mas confessa que faz questão de cobrar caro. "Eu gasto demais em pesquisa e novos álbuns. Faço contratos que valham para toda a temporada, por uns seis meses, para montar uma história real e personalizada para o cliente. Se você ama música de verdade, é um trabalho que acaba dando muito prazer".

Marcos Morcerf
Marcos Morcerf
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