Diário Berlim: Berghain
10.07.06 03:35
:: Feitas as pazes com a eletrônica, sábado foi dia de conhecer o famoso Berghain, o clube sensação-orgulho da cidade. Design incrível, lista de melhores clubes em diversas publicações, line-up caro, preços idem, aquele tipo de clube "bombante" de uma grande cidade.
Batizado Berghain em homenagem aos dois distritos do leste berlinense, KreuzBERG e FriedrichsHAIN, o lugar foi a meca clubber de Berlim na última década. Antes de uma repaginação há dois anos, se chamava Ostgut (o "bom" do leste).
Instalado numa antiga fábrica (foto), o Berghain divide espaço com o Panorama Bar. Mas é tudo a mesma coisa. Embaixo rola o porão techno, em cima, no bar, espaço para sons mais "finos" e experimentais. Então dá-lhe beco, corredor, banheiro com vitral, pé direito de 10m, darkroom, engrenagens, fusíveis e geradores compondo um clichê incrível da atmosfera industrial alemã. Lembra muito a fábrica da Lapa onde rolou o Campari Rock 2005, só que com diversos avisos de "Achtung!".
Nesse sábado teve Mathew Jonson live, Luke Slater, Monika Kruse (Berghain) e Cobblestone Jazz, Claro Intelecto, Konrad Black e Nick Höppner (Panorama).
Luke pegou pesado, literalmente. E fez a alegria da pista esfumaçada e intransitável do Berghain. Muito turista, muitos italianos e franceses felizes com a final da Copa. Alguns até com a bandeira da França. Tadinhos...
Em seguida Mathew Jonson, o canadense mentor da Wagon Repair, trouxe aquela sensação de que as máquinas, sob o comando de bons dedos, fazem sua cabeça ir longe num mundo bizarro de breaks, beats e camadas musicais. Foi tão intenso que Mathew em si às vezes deixava a coisa escapar e tinha que correr atrás com o mouse. Acho que é assim que se samba com laptops.
Claro que é Intelecto
Lá em cima já era dia às 04 da manhã quando Mark Stewart, o Claro Intelecto, lustrou sapatos mais requintados que fugiam do non-sense de Mathew Jonson. "Percentages", "You Not Me" e "Chicago", faixas do álbum debut "Neurofibro" levantaram o bracinho de muita gente e provaram que a alcunha Claro Intelecto não era mera prepotência. E quando o light jockey se animava e abria as persianas, deixando a luz do domingo da final entrar na pista? Alegria de viver.
Uma pena que Mark é daqueles artistas que levam sua música ao ápice mas depois baixam tudo para começar de novo. É a diferença básica entre DJs e artistas que querem apresentar suas músicas uma por vez, como se fosse show, sem muita preocupação com o feeling da pista na hora de mixar.
Konrad Black, também da Wagon Repair, e Nick Höppner, da frankfurter Playhouse, prosseguiram com classe na pista. Momento ápice house com uma faixa que cantava, bem safada: "fiiind it, wooork it, keep it..spread it!". Alguém sabe do que se trata?
De volta ao Berghain, Jonson abaixou a bola e ficou mais click até que Monika Kruse chegou atropelando tudo com um techno bem 2001, bem Drumcode. Esvaziou 2/3 em menos de trinta minutos, mas não perdeu o sorriso. Bonita a moça, né?
Enfim, "balada forte", cara para os padrões berlinenses (12 euros entrada) e muito intensa, equivale a ir numa Circuito da vida.
Ressaca
Depois de sexta e sábado pesados, ressaca óbvia, vontade nenhuma de enfrentar Café Moskau, mesmo com Basement Jaxx a 10 euros. Domingo para ficar no parque, lembrar do (distante) sangue italiano e ver a França levar um nabo. AZZURRA!