O break multi-uso do Modeselektor
faça login para votar!
Enviar esse texto
login para votar!
Enviar esse texto
social bookmarks
Digg
Mugg
del.icio.us
O break multi-uso do Modeselektor
"Technera" hip hop da dupla é a sonoridade em destaque no Bpitch. Atração do Motomix, rraurl.com conversou com a dupla no Sónar espanhol
27.06.06 14:25
Sintética pela raiz, a Alemanha é a terra natal do Kraftwerk e berço do lado tecnológico e da veia branca da música eletrônica como a conhecemos. Atualmente, um dos principais grupos da cena eletrônica naquele país é o Modeselektor, cria de Gernot Bronsert e Sebastian Szary. Verbete indispensável na enciclopédia do nu-techno europeu, a dupla do leste berlinense, antigo solo comunista, hoje encontra morada no selo Bpitch Control.

Cut-up, crossover, break IDM, o Modeselektor é antes de mais nada o beat distorcido feito para dançar pela barriga e a base retorcida para se perturbar nos momentos de calmaria. É também atração certa em muita festa por lugares como Espanha, Alemanha, Finlândia, Japão, França, Dinamarca, Suíça e Brasil. Tudo começou em 1992, época em que Szary tocava acid house nas festas da então unificada Berlim. Antigo companheiro de escola do DJ, o careca e grafiteiro Gernot era habitué desses squats e acabaram virando amigos e parceiros de experiências musicais. "Naquela época era tudo por hobby, eu tinha muitos discos e um estúdio com um 303, um 808 e um sampler com uma notável capacidade de 1MB", lembra o barbudo Szary, em papo com o rraurl.com na sala de imprensa do Sónar.

Ambos cresceram bebendo na fonte da nova música eletrônica que surgia e no hip hop. Acid house, Detroit, Miami bass, hard techno, Aphex Twin, influências básicas nos primórdios da dupla como DJs e clubbers. "Eu me lembro de gravar muita mixtape porque nós vivíamos no leste. As festas e as rádios eram do outro lado do muro, não podíamos ir, quem gostava começou com fita gravada e festa ilegal", diz Gernot, o mais jovem - 3 anos a menos que o parceiro - e mais falante do Modeselektor.

Continentic Grime

E é dessa mistureba de influências intrínsecas aos dedos dos alemães que nasceu, em 1996, o primeiro molde do Modeselektor. Muito loop, EP e claro, mixtapes, até os beats distorcidos conquistarem em 2000 os ouvidos de Ellen Alien, amiga deles. "Fomos uma vez para o estúdio e ficamos mexendo e distorcendo um só loop, por horas. Aquele barulho torto, nheeeum, nheeum, a gente adorava aquilo. É ainda basicamente o que nós fazemos", conta Szary. Basicamente uma dupla de DJs até então, o contrato com o Bpitch fez o Modeselektor se dedicar às apresentações ao vivo. Essa é a razão de longos cinco anos de EPs como "Death Medley" e "In Loving Memory" até o primeiro álbum, "Hello Mum", aquele de artwork do macaco. "Algumas faixas nós levamos um, dois anos para produzir. É como vinho, tem que maturar, senão não tem qualidade", explica Szary, caprichoso por fazer um álbum novo de fato, não apenas uma reunião de antigos singles. O segundo já está a caminho. Músicas já estão sendo criadas para um novo álbum em 2007 nos intervalos das turnês.

Com "Hello Mum" vieram as tours mundiais, as coletivas, entrevistas, documentários e muita especulação sobre o que era a tal macumba breakz daquela dupla de Berlim. "Eu odeio o termo crossover, mas acho que é o mais adequado. Para nós o que importa é fazer entender que o hip hop e o bass são os nossos princípios", opina Szary. Para Gernot, o techno tem maior valor. "Tudo é techno, a maioria dessas coisas vem disso. E eu percebi que isso era uma matriz quando ouvi pela primeira vez o remix de 'Sueño Latino' que o Derrick May fez. Aquilo resume como o techno pôde influenciar tanto. E era só um remix!". Dessas filosofias genéricas sobre sua música, ambos já perderam as contas de quantos rótulos já ouviram: eurocrunck, grime, nu-breakz.. "Mas a gente toca continentic grime, anota aí, continentic grime!", finaliza Gernot, meio que tirando um barato com a cara deste repórter que vos fala. "Tem muito blablabla em cima disso, tanto é que cansaram de falar que a gente tocava grime e acabamos chegando à conclusão de que nós tocamos continentic grime", explica o careca, amenizando a piada. Entao tá, continentic grime!

Foto: Birgit Kaulfuss

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários