No próximo fim-de-semana, mais um nome engorda a lista de detroitianos que já causaram nas cabines do Dama de Ferro, no Rio de Janeiro, e do D-Edge, em São Paulo: Aux 88. O projeto, encabeçado por Keith "K1" Tucker, hoje com 40 anos (ele garante que parece mais jovem, meninas), e Tommy "Tom Tom" Hamilton, de 39, é top no repertório dos fãs brasileiros de electro, especialmente por uma faixa: "Electrotechno", de 1996. Outras mais-mais são "I need to freak" e "Play it loud". A dupla, que está na ativa desde o comecinho dos anos 1990, tem fãs como Dave Clarke e Anthony Rother, além de ter conquistado DJs como George ACTV e Mau Mau por aqui. Ainda dando gás na divulgação do disco mais recente, entitulado "Aux 88", K1 e Tom Tom estão à toda numa extensa turnê mundial. Do Brasil, seguem para Grécia, Alemanha, Dinamarca, Finlândia, Croácia, Malta e Inglaterra. A seguir, uma entrevista que Keith concedeu ao rraurl.com por telefone, de seu estúdio, em Detroit, com exclusividade.
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Vocês cuidam de uma conta no myspace.com (http://www.myspace.com/aux88). O que estão achando desse sistema?Nós gostamos bastante. Rendeu muitos bookings. Além disso, também estão cadastrados vários artistas e gente da área de tecnologia com quem temos mantido contato. Temos amigos do Brasil, também. Tem sido muito útil.
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Como surgiu o convite para tocar no Brasil?O contato foi pelo Di'jital, na verdade, que é bastante amigo nosso. Como um monte de gente do Underground Resistance já tinha ido ao Brasil a convite do Eduardo [Llerena, do Dama de Ferro] e adorado, estamos bem animados. O Suburban Knight e os irmãos Burden [Octave One] também nos falaram a respeito... Estamos tentando fazer com que dê certo já há algum tempo. Que bom que agora vai.
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Essa vinda ao Rio de Janeiro e a São Paulo é parte de uma turnê mundial. Vocês passaram por Londres e Amsterdã recentemente, por exemplo. Como está rolando?Tem sido ótima. A apresentação dura duas horas e, durante esse tempo, as pistas estão sempre lotadas e bastante animadas. O melhor é encontrar tanto os que sabem dos nossos discos quanto aqueles que não fazem idéia de quem somos, que são a maioria. Na Europa, muitas dessas pessoas que ainda não nos conhecem já criam determinadas expectativas por ouvirem que somos de Detroit. Por conta disso, há um interesse crescente que passa a contagiar os demais. Eu e o Tommy nos apresentamos juntos há muitos anos, temos um bom entrosamento. Acho que o público percebe isso. E tem respondido muito bem.
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Como vocês se sentem quando a massa começa a exigir "Electro Techno", maior hit de vocês?Olha, nos seguimos uma linha condutora básica nas apresentações, que é esse encontro entre techno e electro, mas não nos preocupamos com a data das músicas... se é de cinco ou dez anos atrás, não importa. Quanto a "Electro Techno", vale o que eu disse: são poucas as pessoas que realmente conhecem nossa história. Mas gostamos de mostrar também outros clássicos, como Cybotron e Model 500, que convergem com nosso estilo.
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Esse estilo de vocês, que acabou sendo popularizado no meio da música eletrônica sob a alcunha "Techno bass", acabou por dar corpo a um verdadeiro legado que influenciou um punhado de outros projetos...Ah, sim, definitivamente... Dos que conhecemos, Adult., Anthony Rother, DJ Godfather, DJ Assault... e tantos outros. É bem verdade o que você diz, porque estávamos fazendo esse tipo de electro antes de todo mundo. Nós e o Drexciya [de James Stinson, falecido em 2002], em especial. Pensávamos, simplesmente, em criar a música que imaginávamos porque ela simplesmente não existia. Fazíamos porque ninguém fazia. Podemos ainda dizer que esse legado se estendeu a vertentes um tanto diferentes da nossa, como aquela do DMX Krew, da Inglaterra, ou do Technasia, de Hong Kong. Se o electro tem esse poder hoje, fico seguro em dizer que temos algo a ver com isso.
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No ano passado, quando o Octave One veio pela primeira vez ao Brasil, o Lenny [Burden, um dos irmãos que compõem o projeto] confessou em uma conversa que não entendia o alarde em cima de Detroit. Ele me disse não conseguir perceber o que, de tão único, a cena de produção de música eletrônica da cidade irradia, a ponto de comover tanta gente. Em resposta, citei características como o senso de melancolia, as referências da ficção científica, a habilidade em colocar vestes sintéticas no funk... Será que um certo distanciamento é necessário para perceber o que vocês representam em uma escala mundial?Acho que temos que pensar naqueles que começaram tudo para entender a origem desse fascínio em torno de Detroit. Nossos pioneiros não davam entrevistas nem mostravam os rostos. Falavam somente com a música. E isso, de alguma forma, mais ou menos intensamente, permaneceu em todos da cidade que seguiram mexendo com techno. Penso especialmente no Metroplex, nesse sentido. A concepção do Aux 88 foi influenciada por esses pioneiros, inclusive por conselhos dados diretamente sobre nosso posicionamento enquanto artistas. A escolha do nome do projeto deriva disso, os nomes das músicas também. É verdade que, mais do que imagens, trabalhamos conceitos. Detroit é um conceito. É uma referência histórica. Há um conceito por trás do nome. A popularidade da música eletrônica daqui tem a ver com isso. Você sabe que hoje tem um monte de produtores que iniciam projetos sem grandes justificativas ou motivações conceituais. Eles só vão lá e fazem, vivem e nem sabem por quê. Conosco sempre foi diferente. De qualquer forma, nunca chegamos a prever que as coisas tomariam essa proporção. Só fazíamos a música que amávamos, que era diferente do resto que estava surgindo. A gente nem tinha essa malícia, tipo "ei, as pessoas estão gostando, precisamos remixar mais uma para agradar". Bem, quando você fala desse distanciamento, acho que isso colaborou para que se criasse um sentido de mistério... Estamos longe, e antes não tínhamos tanto uma ponte com o resto do mundo por não nos ligarmos tanto em imprensa, nem tirarmos muitas fotos.

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Percebo que só recentemente, por fatores como uma maior profissionalização da Submerge, e uma mudança de atitude por parte de gente como vocês, os irmãos Burden e os Los Hermanos, que passaram a trabalhar seus projetos como verdadeiras marcas, esse quadro tem se alterado...Correto. Nós do Aux 88 éramos mesmo um pouco diferentes. Nunca pensávamos que iríamos realmente nos profissionalizar. No momento de criar uma música, nem passava pela nossa cabeça que ela chegaria a pessoas de outros países. Não havia um comprometimento nesse sentido. Pensávamos localmente, pensávamos em Detroit. Ou sei lá, jogávamos para Deus. Só que nos últimos sete ou oito anos a situação realmente mudou. Começaram a nos convidar para fazer trilhas para filmes, para jogos... E foi realmente surpreendente, porque somos completamente autodidatas. Não fomos à escola para produzir, nem lemos manuais. Colocamos a mão na massa, simplesmente. Acho que esse é outro ponto interessante sobre Detroit. Você tem que se virar, você tem que inventar com o que tem disponível. Ninguém vai ensinar nada, com raras exceções. Ninguém entrega na sua mão um software ou um instrumento apropriado... Essa foi uma das coisas que mais me marcaram por ter crescido aqui. Foi muito difícil. Então é engraçado estar aqui hoje, falando com você, e pensando sobre toda essa notoriedade que temos. Penso também que o que nos fez pensar que tínhamos que ter uma mudança de atitude foi ver que artistas que estavam fazendo a mesma coisa que a gente estavam sendo muito mais percebidos. Hoje levamos bem mais a sério a questão da notoriedade.
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O que o Juan [Atkins] representou na composição do conceito do Aux 88?No começo, eu lembro que ficávamos passados porque ele soube ser Parliament e Funkadelic um lance de escadas além. Era funk com esse toque germânico, mas de velocidade maior, e nós nos identificamos de verdade. "Nossa, um cara dos nossos arredores fazendo esse som", eu pensava... Eu pensava que o Cybotron poderia ser de qualquer outro lugar, tipo Alemanha mesmo, mas era de Detroit... Isso significou muito para mim. Começamos a ouvir Cybotron e só Cybotron. Viciamos. Ele foi e vai ser sempre o meu artista preferido de electro-techno. Ponto final. O Tommy [Hamilton] também é muito importante para mim musicalmente, só que em um outro sentido... Como ele é baterista, sua formação puxa mais o Miami Bass.
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Por falar em Miami Bass, já chegaram a ouvir funk carioca?Sabe que não? Sabemos no que consiste e até recebemos um e-mail de um DJ nos últimos dias falando sobre o assunto... Tomara que aí no Brasil role, porque adoraríamos ouvir novidades. Às vezes ficamos tão concentrados no estúdio que nem nos ligamos no que está sendo lançado. Fora que... você sabe como é... sai tanto disco de techno e de electro atualmente, e boa parte é horrível. A gente acaba nem correndo muito atrás. Por isso, meu jeito preferido de conhecer música nova é encontrar os produtores enquanto viajo. Só realmente não gosto daquela pressão de um produtor me dar o disco e depois ficar no pé perguntando se eu gostei ou não gostei. O fato de eu gostar ou não gostar não significa que a faixa é boa ou ruim. Cada um com a sua interpretação.
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Valeu, Keith. Espero que os dias aqui valham a longa viagem.
Ah, muito obrigada. Estamos muito ansiosos. Além das músicas do Aux 88, geralmente tocamos Metroplex, às vezes Cybotron, e até preparamos um cover de Yellow Magic Orchestra... A gente se vê aí!
ABRAÇOS,
DJ BRUNO GABRIELI
Quem não foi perdeu.
UR
Nossa quaze não acredito que vou ver o live do AUX 88, um dos meus projetos preferidos, e solo tbm (Keith Tucker & Tommy Hamiltom) ANIMALESCOS!!!!
É uma imenssa honra pra todos que amamos musica eletronica.
Não percam!!!!!
Nos vemos na pista....
DJ George Actv.