Underworld: saiba mais sobre a banda
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Underworld: saiba mais sobre a banda
22.06.06 14:45
O ano era 1996 quanto o Underworld apareceu para o grande público. Baseado no livro homônimo do inglês Irvine Welsh, o filme "Trainspotting" foi às telas dos cinemas mundiais e inovou a angulação estética do mundo dos junkies da Grã-Bretanha com um roteiro irreverente, atuações bacanas e efeitos lúdicos para mimetizar as viagens de heroína. A trilha sonora, entretanto, foi a menina dos olhos da película: logo se tornou referência por agregar nomes como Blur, New Order, Primal Scream e... Underworld. O single "Born Slippy" foi o hino de um dos clássicos da geração hedonista dos clubs da época. As batidas nada harmônicas, os teclados pungentes e os timbres passeando pela atmosfera viajante do trance até a levada intensa do techno, acompanhados de um mantra catártico que compila versos sobre sexo e drogas – quase sempre encerrados pela palavra "boy" – jogaram o trio para os grandes festivais europeus.

Egressos do flerte com a new wave londrina do começo dos anos 80, o vocalista Karl Hyde e o guitarrista Rick Smith tiveram uma carreira elástica até serem conhecidos pelo nome Underworld. Os dois álbuns lançados naquela época ("Doot-Doot",1983; e "Get Us Out Of Here", 1985) não obtiveram sucesso. O passo seguinte veio em 1988, em uma reformulação que já assume o nome Underworld, mas dentro de uma perspectiva sonora voltada para o industrial. Mais dois discos são lançados ("Underneath The Radar", 1988; e "Change The Weather", 1989), também sem qualquer repercussão.

Uma quase-desistência depois dos sucessivos fracassos foi transpassada pelo experimentalismo musical e pelas feições camaleônicas da dupla. Em 1992, lançam "Dirty" e "Bigmouth", junto ao DJ inglês Darren Emerson e sob a alcunha de Lemon Interrupt.

Parecia, então, que a entrada de Emerson acertara o compasso do projeto musical que o duo tinha – e, por conseqüência óbvia, acabou por ser um divisor de águas na carreira do agora trio. Novamente sob a égide do nome Underworld, lançam, em 1993, os singles "Mmm... Skyscraper I Love You" (um pequeno insight lírico dedicado aos arranha-céus das grandes metrópoles, recheados com momentos de desvario poético do tipo "I see elvis! And I hear god on the phone"), "Rez" e "Spikee".

O primeiro álbum do trio Underworld vem no mesmo ano. "Dubnobasswithmyheadman", que lança músicas como "Dirty Epic", "Dark & Long" e "Cowgirl" – além de "Mmm... Skyscraper I Love You". O casamento entre elementos do acid house, do techno, do trance e do dub se delineia plenamente no caráter musical do trio, e o faz entrar no itinerário de festas e clubs nos anos seguintes.

Veio o frisson de "Born Slippy" em 1996 e, no mesmo ano, o Underworld lança o excelente álbum "Second Toughest In The Infants", que emplaca a música "Pearl's Girl" nas pistas.

O disco seguinte surge três anos depois, inserido em uma conotação de desgaste da tríade que, durante esse período, se consagrou em festivais no planeta. "Beacoup Fish" é cheesy, e Karl Hyde cantando não soa tão perturbador quanto antes. O álbum decepciona os que esperavam a suíte entre o vocal agressivo e a sonoridade intensa mostrada nos trabalhos anteriores. "Jumbo", "Push Upstairs", "Moaner" e "Shudder/King Of Snake" figuram no álbum, cuja receptividade pelo o público e pela crítica é pouco animada.

Ainda assim, as turnês constantes do grupo renderam o lançamento de "Everything Everything", em 2000. É o ano no qual a cisão do Underworld se confirma oficialmente: Darren Emerson segue em projetos pessoais de discotecagem e produção, enquanto Karl Hyde e Rick Smith prosseguem no grupo.

O Underworld lança mais dois singles ("8 Ball", e "Two Months Off") e um disco ("A Hundred Days Off", 2002) após a saída de Emerson, baseado nas guitarras sobressalentes e em um vocal de Hyde catalisado pelo vocoder. Os trabalhos ficam no limbo, se tomados como referência os anos de apogeu do grupo.

Engana-se quem pensa que o duo arrefeceu depois disso. Em 2003, o Underworld lança "Underworld 1992-2002", que resume a carreira dos caras em faixas como "Dirty", "Cowgirl", "Jumbo" – e, óbvio, "Born Slippy". No bojo da febre internáutica, Karl e Rick fazem transmissões on-line do seu QG Lemonworld, onde trabalham as novas músicas – e as dispõem para os fãs em MP3 a preços módicos. Eles já anunciaram para este mês a data para o lançamento do novo trabalho em formato digital ("I'm a Big Sister, and I'm a Girl, and I'm a Princess, and this is my Horse", dentro da série "Riverrun Project", que só pode ser adquirida pelo site da dupla). A dupla promete também lançamentos em 12". É só aguardar e, enquanto isso, esperar também a confirmação oficial da organização do Creamfields Brasil 2006 para conferir toda essa rica trajetória ao vivo.

Marina Lang
Marina Lang
you can't quit me, baby.
comentários
2 comentários
Rebeca
Rebeca(27.07.06)
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Underworld
nara
nara(11.07.06)
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underworld