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DJ Koze
Alemão adianta detalhes do novo disco do International Pony e diz que seu grupo Adolf Noise é sua terapia psicológica
05.05.06 01:45
A entrevista feita por e-mail com o DJ alemão Koze, que chega ao Brasil imprimindo o nome da hoje concorrida gravadora Kompakt, ao lado de Tobias Thomas, aborda diversos aspectos de sua variada carreira. O prodígio fala sobre o segundo álbum do seu trio de micro-house International Pony, que já está pronto, fala do extinto crew de hip hop experimental Fischmob, em que integrou e foi parar na MTV e mais. Seu grupo de downtempo Adolf Noise, que lançou "Wo Die Rammelwolle Fliegt" no ano passado, é sua "terapia psicológica", diz. Koze contou que assume a identidade Monaco Schranze para fazer um techno mais desencanado, tipo de picnic – vai entender?! Só ouvindo mesmo os poucos sons dele, que saíram pela Kompakt Extra.

Quando o maduro produtor teve a oportunidade de falar sobre a indústria fonográfica, logo criticou: "espero que não hypem a cena com o chamado 'minimal'". Em selvagem mundo capitalista, olhe como é pertinente a mensagem do DJ, ainda que na sociedade brasileira. Não é difícil sacar como refletem e brilham as camadas e os níveis de status pelo glamour até na cena eletrônica. O puxão de orelha de Koze vale para muitos que desejam construir uma história marcante na cultura eletrônica – equilíbrio às avalanches efêmeras e exclusivistas. Costumes e comportamentos à parte, vamos falar de música que é o que mais interessa.

»No LP "Music Is Okay", você lançou em 2000 produções próprias, remixes e faixas de outros projetos teus. Recentemente, gravou o primeiro álbum de inéditas, "Kosi Comes Around", que se diferencia com sua recente identidade, voltada ao minimal tecno. O que você aprendeu nos últimos cinco anos? Como é estar mais em contato com a Kompakt desde 2003?

Acho que tenho aprendido bastante coisa nova nos últimos cinco anos. Produzir e arranjar é muito mais fácil agora para mim. Com certeza, graças a novos computadores e softwares e a experiência que tirei em fazer música praticamente todo dia. Sei muito mais que tipo de música quero fazer do que antes. E o trabalho com a Kompakt rola legal para ambos os lados.

»Após a saída do produtor Schreckliche Sven em 1998, o Fischmob se separou. Vocês gravaram "Power" (uma faixa deste figurou na MTV), "Männer Können Seine Gefühle Nicht Zeigen" e "The Doors Of Passion", três discos de hip hop pouco convencional. Quais eram as principais influências no projeto experimental?

Todos nós tinhamos backgrounds musicais bem distintos e amávamos tentar novas sonoridades. Era uma atmosfera pioneira neste tempo, porque o hip hop germânico começava a surgir. Foi muito hypado, até que a indústria assinou com vários crews de hip hop. Um ano depois, a cena estava totalmente caída. Eu torço pra que isto não aconteça com o chamado "minimal".

»Você tem acompanhado a evolução desta linha inventiva de hip hop, que tem força em Los Angeles?

Pra ser sincero, isto é muito distante de mim. Agora, não posso falar sobre esta cena.

»O Fischmob trata sobre a Fish Mobilization? É comum este movimento por aí?

Não, foi uma piada. Porque um famoso grupo americano de hip hop era chamado de Lench Mob. Era o crew do Ice Cube.

»No Fischmob, você tocava com o Cosmic DJ. Juntos, hoje vocês participam do International Pony, que estreou firme em 2002 com o álbum "We Love Music". Como rola o processo criativo no crew de micro-house, disco e afins?

Estamos trabalhando nos últimos três anos no material do segundo álbum. Estou muito feliz em poder contar que terminamos e masterizamos tudo, antes de eu deixar a Alemanha para vir à América do Sul. Nós fizemos 10 novas músicas. É muito mais orientado para o pop, do que meu material solo. Mas, agora eu estou agilizando para produzir meu material solo novamente. É muito gostoso não assumir tantos compromissos, às vezes.

»Sua banda criada em 1996, Adolf Noise, que no ano passado lançou o segundo álbum, é mais focada em downtempo e ambient. A escola alemã de dub tecno é influência?

Acredito que Maurizio, Basic Channel e coisas assim são muito mais referência das faixas que eu faço sob a alcunha Koze. Tenho uma profunda admiração por estes sons. Tem muitas coisas interessantes nesta linha, ainda tento encontrar em produções atuais. Adolf Noise é meu playground, minha terapia psicológica. Tem muito a ver com audição e os desafios para os ouvidos.

»Como Monaco Schranze, você participou de discos da série do sub-selo Kompakt Extra. Qual é o objetivo do Monaco?

As duas faixas "Der Saeger Von St. Georg" e "Der Jaeger Von St.Georg" são brutais e sem compromisso, tipo techno de picnic. Mas isto não é meu interesse em club music, por isso que criei o pseudônimo Monaco Schranze.

»Recentemente, Tobi Neuman tocou por aqui (em uma Technova Especial). Ele é parceiro de Thies Mynther, com quem você desenvolve o projeto DJ Koze And The Tease. Esta dupla é mais conhecida por remixes, como para "Kaltes Klares Wasser", do Malaria vs. Chicks On Speed. Tease está bem ligado com o electropop por aí, né? Como é trabalhar com ele?

Tease é um cara muito mais disciplinado do que eu. Quando ele vem em meu estúdio, eu fico fazendo café, levo no quarto e ele já está conectando tudo e dizendo assim "vamos lá, trabalhar...", um grande parceiro.

Felicio Marmitex
Felicio Marmitex
www.twitter.com/feliciomarmitex
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