PET Duo
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PET Duo
17.10.01 01:45
A origem do nome PET Duo
"É um segredo que pouquíssimas pessoas sabem...
Na primeira vez que nós fomos tocar em uma rave, o Xuetze (criador da Rave Orybapu) que era a pessoa que nos chamou para tocar,disse que deveríamos arrumar um nome, que não tinha nada a ver usar Ana e David.
Daí nós pegamos o "DUO" de Dueto... o PET é um segredo, surgiu sendo uma coisa, mas acabou virando outra. Antes tinha os pontinhos, era uma abreviatura de 3 palavras e hoje é PET, de animal. Preferiu adotar esse nome, pq senão fica muito "dupla sertaneja" (risos).
A idéia é ter só um nome porque somos a mesma pessoa, fazemos parte do mesmo projeto..."

Primeiros contatos com música eletrônica
David
"Eu tinha 14 anos e um amigo meu, que por acaso também se chamava David, me levou pro Hoellisch e foi lá que eu aprendi o que era EBM (Electronic Body Music). Ele me levava para um outro clube também que se chamava Habeas Corpus, onde tocava músicas mais comerciais e dançantes.
Esse amigo (David), comprou as pickups e eu adorei, comecei a brincar na casa dele, comecei a comprar os meus discos. Fiz o curso para DJ da Fieldzz, com o DJ Iraí Campos. Aí eu troquei a minha mobilete por um toca discos (já que meus pais nunca iriam comprar para mim), peguei a vitrola de correia do meu pai e trouxe de uma viagem que fiz pros EUA o meu primeiro mixer e ficava treinando em casa.
Depois comecei a fazer festinhas de criança tocando de tudo, Rap, Dance, além de Ministry, Front 242 e Nine Inch Nails, os moleques (de 10, 11 anos) pirando na música... só que era muito trabalho, eu tinha que fazer tudo sozinho, levar o som, carregar, instalar, montar a iluminação, descarregar, etc... então eu logo parei de fazer estas festinhas. Daí, com 18 anos, eu entrei na faculdade de publicidade e propaganda, e dei uma parada com a música por um ano. Continuava saindo, e acabei conhecendo o Hell's aonde realmente a música eletrônica me invadiu. Antes eu gostava de EBM, RAP, Dance... Dead or Alive, Plaza, uma babeiras, Double Dee, MC Double Trouble...
Mas foi no Hell's que realmente a música eletrônica realmente invadiu a minha vida, conheci o som do Mau Mau... e daí eu conheci a Ana no Hells..."

Ana
"Eu freqüentava outra facção, não saía muito na minha adolescência, comecei a sair com 18 anos. Eu curtia Metal, meu irmão era metaleiro, ele me mostrou várias coisas... eu curtia Metallica, Sepultura, Slayer bastante... eu saía com uma galera que também curtia hardcore... eu era mais voltada pro peso. Só que um dia eu estava com uma amiga da Macá, a Cintia, fizemos uma balada na casa delas em um Sábado e depois elas me levaram por Velvet Underground que era antes do Hell's.
Fui parar nesse local, fiquei chocada... 5 da manhã, uma música estranha... mas eu nem me liguei muito na música achei mais estranho o lugar... comecei a freqüentar mais o ambiente de clube.
Daí um dia o Velvet já chamava Hell's e chamaram uma amiga minha, a Roberta, para trabalhar na entrada. Como precisava de mais uma pessoa me chamaram para trabalhar na porta do Hells.
Daí eu comecei a trabalhar direto na porta, o som era pesado, uma batida forte... Fui pega pelo som, aquele clube mudou a minha vida, de repente tudo fez sentido.
Mas cada vez mais eu queria estar lá dentro, a porta do Hells era só passar uma cortininha que já vinha o som e eu ficava ouvindo a noite inteira. O David aparecia de meia em meia hora, a situação começou a me incomodar. Além disso eu trabalhava de dia também. Até o dia que eu decidi que queria curtir e escutar a música lá dentro o tempo inteiro. No Natal de 1995 foi a minha última noite como hostess."

PET Duo
"O David já tinha uns 200 discos, já morávamos juntos e a gente comprou as pickups para fazer chill out, gostávamos de escutar a música depois das festas.
Fomos tocando, foi indo aos poucos... o Mau Mau dava uns toques pra gente, conseguiamos comprar mais uns discos, pois naquela época era mais difícil para comprar discos do que hoje.
Eu tive que fazer um curso de DJ pq não rolou direito do David me ensinar. Fiz o curso da Fieldzz também.
Então o Xuetze nos convidou para tocarmos na Orybapu, onde fizemos nosso primeiro set para o público.
Um dia o Mau ligou para nós, dizendo que queria que tocassemos no Hells, era uma sexta feira iriamos tocar no Sábado...
Estávamos morrendo de medo, a agulha tremendo pra colocar no prato...maior responsabilidade, tocar ao lado do Mau Mau, no melhor clube que já tinhamos ido... mas tudo deu certo, a galera adorou e nos convidaram outras vezes. Depois tocamos na Rave Technologica, começamos a tocar em mais festas, mas ainda tínhamos empregos paralelos.
Com o fim do Hells, não tinha mais muito lugar para tocar techno, era tudo mais tech house / house / trance...
Poucos tocavam techno, sentimos e percebemos isso, mas decidimos seguir o nosso coração e tocar o som que gostávamos, porque se não fazemos o que gostamos, para que viver? Para ganhar dinheiro? Dinheiro não compra felicidade.
Em 1999 rolou de começarmos a tocar na Lôca, eu ainda tinha um emprego paralelo, mas não deu mais e tanto eu como o David paramos com os nossos trabalhos paralelos para nos dedicarmos ao trabalho de DJ. Na Lôca foi aonde nós aprendemos tocar realmente.
Em 2000 nós tivemos a oportunidade de viajar e tocar em duas festas em Londres: a Antiworld e a Remix. Na remix, tocamos no Sound System do Lawrie Immersion(Pounding Grooves), com o DDR, o Henry (Dave the Drummer), a Gizelle o Cyber Simom que é um DJ de lá... foi bem legal, bem underground."

Momento inesquecível com música eletrônica
David
"São tantos momentos... mas o Hoelisch foi um absurdo... em 1989, era um porão com 3 andares pra baixo. Totalmente labiríntico, tudo pintado de preto, a pista só tinha estrobo e fumaça,com uma estrela de 13 pontas pintada no fundo, com uns escritos em latim e hebraico, bem dark, bem underground."

Ana
"No primeiro ano que eu comecei a escutar música eletrônica e trabalhar no Hells, teve o Live PA do Acid Junkies no Floresta, foi animal, foi muito forte esse dia. Foi o primeiro Live PA que eu vi na minha vida. Nunca tinhamos ouvido falar de Acid Junkies, de repente aquele Live PA demais.
Eu estava acostumada a escutar o Mau Mau umas 4 vezes por semana, cada set mais incrível do que o outro... Absurdo, ainda bem que fui educada por ele. De repente eu vi o Acid Junkies que tb era animal. Eu já escutava e achava um absurdo o som do Mau Mau, Alfred, Renato Lopes, Julião... e de repente foi uma outra fronteira, os caras fazendo um negócio ao vivo, uma sonoridade diferente."

David
"Apesar do Hoelisch e Acid Junkies, não dá para não falar do Mau Mau 1994 –1995 no Hells... o mais legal do Hells é que além de ser o Mau Mau, eram as pessoas que estavam lá... um clima único, as pessoas só queriam sabem de dançar, tinha muita união, o sentimento de que aquilo tudo era muito especial... meio-dia e ainda tinha umas 50 pessoas batendo o pé, querendo dançar mais, foram momentos inesquecíveis!"

Crescimento da Cena no Brasil
"Apesar do crescimento, achamos que na cena ainda falta muita humildade, respeito e união. Tem muita gente que reclama, muita gente egoísta e muita gente que só quer saber de levar a grana e ponto.
Nós já estamos ficando mais velhos, conhecemos uns aos outros há tempos, tinha que pelo menos respeitar o trabalho um do outro, ia ser um passo enorme para a cena evoluir ainda mais. No geral o pessoal tem que parar de reclamar e fazer mais. Nós mesmo há um tempo atrás só queriamos saber de tocar, hoje percebemos que para termos o nosso lugar e expandirmos aquilo o que acreditamos, o Techno, precisamos ir atrás, fazendo o nosso site, algumas festas etc.
O legal da época do Hells é que havia mais união, todo mundo junto... esse é o lance que aprendemos no Hells... mas muita gente já esqueceu. O pessoal tem que se envolver mais, perceber as várias etapas do trabalho em si. Deixar o lado pessoal pra trás e falar mais de música, porque o que fazemos é uma arte."

O site - petduo.com
"Nós tivemos experiências com algumas agências, mas não deu muito certo. Nós precisavamos de um meio para divulgar o nosso trabalho sem necessariamente passar por uma agência. Já eramos super conectados, já visitavamos os sites de outros DJs e decidimos fazer o nosso site. Gostamos de ter controle sobre o nosso trabalho e fizemos nós mesmos o site, é a nossa maneira de divulgar o nosso trabalho."

Pool-e - pool-electronics.com
O Pool-e veio na seqüência porque percebemos que havia outras pessoas que são ótimas profissionais envolvidas com o underground, música, pelo o que acreditam. Acabamos conversando com os nossos amigos DJs, promoters, fotógrafos, jornalistas, etc e percebemos que não há muita projeção para as pessoas que também fazem parte da noite. Juntamos todos, não para fazer mais uma panela, mas sim para utilizar o nosso aprendizado para acrescentar na cena.
Não queremos "combater" a panela formando outra, inclusive no site tem a parte do fanzine para divulgar o trabalho de outros DJs, agenda de outros clubes, etc.
Tanto que esse negócio de agências e tal... Nós só temos problema com o monopólio, o grande querendo esmagar o pequeno. Esse negócio de monopolizar é difícil, inflacionando o mercado. Quem trabalha em agência ganha muito, quem não trabalha ganha nada. É legal ter agências grandes, mas com profissionalização, sem isso do DJ ter uma "grife" ao entar para elas ou usar o slogan "A melhor porque é a melhor".
O Pool-E está ai para mostrar que há profissionais além da agência e não é uma agência, é uma vitrine para mostrar os profissionais.
Existem metodologias de trabalho de cada agência, tem uma que achamos que acrescenta na cena, a Smartbiz, eles procuram fazer alguma coisa, trazer outros DJs... o Cyber Café, dá pra perceber que eles gostam da música. Tem outras agências que fazem a coisa mais pelo dinheiro...

Novos Projetos
"Estamos começando uma noite nova todos os Sábados no Absinto Clube, a noite Vertical (http://www.vertical.petduo.com)
A noite será voltada para o techno, sempre com o PET DUO como residentes e DJs convidados.
Vai ter uma noite de electro mais voltado para o dark, estilo que gostamos bastante. Uma vez por mês vai ter um after hours no qual tocaremos com 4 pickups.
Além da música eletrônica, o projeto vertical estará envolvido também com pessoas que querem participar, vamos promover noites com moda, artes, ONGs, tatoos, etc. São parcerias com pessoas que freqüentam a noite e que gostariam de participar de alguma forma.
Pretendemos fazer mais festas que nem a do Dave The Drummer, que rolou no Absinto também, trazendo DJs de fora para mostrar o que está acontecendo em outros países.
Estamos nos preparando para começar a produzir as nossas próprias músicas, esperamos até Julho de 2002 ter iniciado o processo de produção. Também estamos preparando o nosso CD mixado promocional... aguardem!"

Toques para quem está começando
"Seja verdadeiro a sua alma e ouça sempre a música que você gosta. Tem muito DJ que vai atrás de outros DJs tentando pegar os toques de quais são as melhores músicas ao invés de descobrir o que é melhor para ele.
Uma coisa muito determinante em nosso estilo é que fomos (e ainda vamos) atrás. Vamos atrás das músicas, nas revistas, lojas, net, etc. O Mau Mau até deu alguns toques de técnicas, mas o que ele mais ensinou pra nós foi na pista, o sentimento que ele nos passou com suas músicas. O DJ que está começando hoje precisa se preocupar em formar sua personalidade musical.
Tem que ser persistente, paciente, humilde... em um primeiro momento, se for necessário ter outra profissão, tenha, pois o material de DJ é caro, mas precisa ter esse material. Não se preocupem porque esse é o caminho normal, ao mesmo tempo que tudo isso faz parte, ganha-se a noção de responsabilidade quando se tem dois trabalhos em sua vida. E tem que estar antenado com o que sente, tentar subir um degrau de cada vez, com calma. O mais importante de tudo é ter iniciativa, participar como um todo da cena de música eletrônica e não somente como DJ, saber o que está acontecendo além de suas pick-ups é primordial. Comunique-se, DJ é comunicação."

Por Sérgio Godoy

Marcus Vinícius Brasil e Renata Macedo
Marcus Vinícius Brasil e Renata Macedo
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