Mas afinal de contas, o que é dubstep?
Conheça um pouco mais deste gênero promissor
20.02.06 01:45
Dubstep é o nome do som que surgiu na região sul de Londres, por volta de 1999, como uma variação densa e instrumental do UK Garage. Na época, seus maiores representantes eram El-B e Zed Bias (foto). No dubstep, o vazio e o silêncio são tão importantes quanto o barulho caótico dos seus arranjos pesados ou a imprevisibilidade da sua percussão quase assíncrona. Filho bastardo e mal-educado do Garage inglês, suas batidas quebradas com graves poderosos foram capazes de absorver diversas influências e criar algo realmente diferente. A inovação foi difundida através de rádios piratas - como a Rinse FM em Londres. Seus entusiastas escrevem blogs e participam de forums dedicados ao estilo. O croata Ivan Kovacevic é um deles: seu blog ficou tão famoso que agora abriga o forum mais significativo do gênero.
O termo foi usado pela primeira vez na capa da revista norte-americana XLR8R número 60, de Julho de 2002, para apresentar o trio Horsepower Productions. O nome também ganhou força e aceitação com o CD Dubstep Allstars Volume 1, lançado pelo selo Tempa e mixado por Hatcha. O Tempa faz parte da Ammunition, agência de promoção responsável pela noite Forward em Londres - festa pioneira que foi fundamental para consolidação do estilo na cena. Kode 9 - DJ, produtor e label manager do Hyperdub - apresenta o programa de mesmo nome na rádio pirata londrina Rinse FM.
A Forward também abriu espaço para o grime: variação crua e suja do UK Garage, onde crews de MCs disputavam duelos de microfone com rimas rápidas e inteligentes. Alguns produtores - principalmente Plasticman e Mark One - fizeram o crossover entre o dubstep e o grime, tanto na pista como no estúdio. Até mesmo o renomado selo Rephlex dedicou duas coletâneas inteiramente dedicadas ao som. Embora o lançamento seja chamado de "Grime", a compilação traz sonoridades bem variadas. Plasticman, Mark One e Slaughter Mob sairam no primeiro volume e Kode 9, Loefah e Digital Mystikz no segundo. A loja Big Apple de Croydon, região sul de Londres, decidiu apostar no talento de jovens produtores como Benga, Hatcha e Skream. Seu catálogo, em conjunto com os títulos lançados pelo Tempa, são considerados seminais.
Há também outra cria do UK Garage: o breakbeat garage ou simplesmente breakstep. Sua influência direta é o breakbeat, o jungle e o drum'n'bass. Deekline, Oris Jay e Zinc foram seus primeiros entusiastas. Hoje o breakstep é representado por Bogey Man, Distance, Dub Child, Elemental, Narrows, Quiet Storm, Slaughter Mob, Reza, Search & Destroy e Toasty. Na linha de frente estão os selos Destructive Recordings, Storming Productions e Hotflush Recordings.
Recentemente o dubstep recebeu mais um grande impulso criativo. Mala, Coki e Loefah foram buscar no dub e na cultura dos sound systems sua principal fonte de inspiração. Assim surgiu o DMZ: selo e festa homônimos que conquistaram prestígio e lideram a produção e a preferência da cena. Appleblim, Chef, Cyrus, D1, Joe Nice, N-Type, Pinch, Shackleton, Scuba, Skream, Vex'd e Youngsta são seus mais novos expoentes.
Em janeiro, Mary Anne Hobbs, apresentadora do Breezeblock na BBC Radio 1, reuniu um time de primeira e gravou um programa inédito que entrou para história do estilo. Digital Mystikz, Skream, Kode 9 & Spaceape, Vex'd, Hatcha & Crazy D, Loefah & Sgt. Pokes e Distance foram as estrelas do Dubstep Warz. O programa contou com depoimentos dos embaixadores do gênero em diferentes lugares do mundo - inclusive do Brasil.
Acima de tudo, o dubstep não reconhece fronteiras. Tudo indica que nenhuma barreira - seja ela musical ou cultural - será capaz de impedir sua expansão iminente. Clique nos links abaixo e confira músicas e outras notícias relacionadas ao dubstep.