Michael Mayer
faça login para votar!
Enviar esse texto
login para votar!
Enviar esse texto
social bookmarks
Digg
Mugg
del.icio.us
Michael Mayer
"Eu ainda gosto de chamar a música que estamos fazendo de techno"
07.01.06 01:45
Michael Mayer fez em janeiro de 2006 as suas primeiras apresentações no Brasil, rota certeira para DJs do mundo inteiro. Big boss do famoso selo alemão Kompakt, Mayer está excitado com as novidades do Brasil e nessa entrevista exclusiva fala sobre a revelação brasileira Gui Boratto, a evolução do techno e conta como nasceu e como está hoje o Kompakt, referência mundial de música de vanguarda.

» Você está compondo ou pensando em lançar algo em 2006?

Eu estava fazendo algumas coisinhas em meu novo estúdio no porão do QG do Kompakt e eu estou ansioso para começar a compor. Realmente tenho sonhado sobre isso todas as noites desde que cheguei ao Brasil. Eu já fiz já algumas trilhas incríveis lá no novo estúdio. Agora, eu terei que traduzir esses sonhos em realidade... É uma pena que meu lado compositor tenha sempre tempo curto devido minhas viagens e responsabilidades com o selo Kompakt. Agora estou gastando mais tempo com a nossa nova plataforma de download (http://www.kompakt-mp3.net). É muito excitante e é um terreno inteiramente novo para mim. Eu gosto de desafios além do lado puramente musical de meu trabalho. E então, está para sair meu novo CD mix pelo Kompakt, "Immer 2", que deve ser lançado em março.

>» Recentemente o selo Kompakt lançou um disco do brasileiro Gui Boratto. Como as pessoas entram em contato com você e sua equipe, e como vocês pesquisam por novidades para lançar?

Normalmente as pessoas nos enviam apenas um CD com sua música, ou mais freqüentemente, nos mandam um link ou um arquivo MP3 com seu som. Nós escutamos quase tudo que recebemos e se gostarmos contatamos o artista. Infelizmente nós não podemos dar um feedback de todas as demos que ouvimos. São cerca de 30 demos por semana! A demo do Gui Boratto era um daqueles "milagres". Isso acontece quando você já escutou uns 15 CDs e vai ficando deprimido. De repente havia esta trilha, "Arquipélago", que estava muito acima da média, e então decidimos fazer contato com o Gui logo após os primeiros minutos que escutamos a música. Ele é um grande talento e nós estamos planejando fazer mais coisas com ele em 2006.

>» Como nasceu o selo Kompakt? Que tipo de produtores/DJs/músicos você pensou em lançar pelo selo quando ele começou? E isso ainda continua?

No começo, o selo Kompakt não era somente eu. Começou como uma espécie de negócio familiar entre 5 amigos: Wolfgang Voigt, seu irmão Reinhard Voigt, Jürgen Paape, Jörg Burguer e eu. Nós somos um grupo de artistas e estávamos trabalhando com uns dez selos diferentes e a loja de discos Delirium, até que em 1998 decidimos criar uma marca registrada para todas as nossas atividades. Em primeiro lugar, Kompakt era uma plataforma para nós mesmos e outros amigos músicos de Colônia, mas logo recebemos mais e mais demos de todo lugar. Atualmente, nosso roll de artistas inclui gente da França, Reino Unido, Suécia, Japão, Itália, Escócia, Argentina, Suíça, Dinamarca, Espanha, Rússia, Nova Zelândia... e agora com Gui Boratto há um membro brasileiro na família! Não importa de onde um artista vem desde que sua música venha do coração. Nós temos procurado sempre músicas que têm uma assinatura muito pessoal. Nós gostamos de dizer que queremos sentir o caráter da pessoa (compositor) por trás das máquinas. Isso prova que pessoas que fazem uma música agradável são pessoas agradáveis também.

» Como funcionam os sub selos da Kompakt?

No ano passado, nossa família Kompakt recebeu alguns membros novos: K2 (no qual Gui Boratto lança) é o nosso novo bebê, voltado para o minimal techno clássico. Desde que pegamos muitos projetos de álbuns na matriz da Kompakt, não tinhamos mais lugar para os 12" que amamos. Assim nós tivemos que inventar um sub selo. Depois, tem minha história pessoal chamada "Immer". É um selo que relança minhas músicas preferidas do passado. Não são hits óbvios que todos conhecem, mas raridades. São faixas que eu amo tocar e as quais o tempo não passa, são eternas.

» Quais são as suas referências artísticas?

Allan Parson's Project e Abba foram minhas primeiras bandas favoritas e eu respondi fortemente ao disco e à música clássica. Na adolescência comecei a ouvir ítalo disco, funk, new wave e extended mixes de grupos pop como Pet Shop Boys, ABC, Depeche Mode ou Frankie Goes to Hollywood. Eu já era um fã de Kylie Minogue nesse tempo. Isso foi quando comecei a discotecar aos 14 anos. Eu tocava tudo o que era dançante nas festas da escola. Então eu descobri os novos sons underground dos clubes no final dos anos 80: a house music de Chicago, um pouco de acid, a escola de hip hop Native Tongues, o british clubsoul e por último o techno. Eu nunca fui um ouvinte de rock. Eu sou um "disco kid". Hoje em dia escuto muitos compositores como Scott Walker, Glenn Campell, Lee Hazelwood. Amo Brian Eno, Harold Budd... e comecei a descobrir um pouco do jazz recentemente. Eu o rejeitei sempre mas agora eu comecei finalmente a ouvir Miles Davis e algum material de jazz psicodélico dos anos 60. Existe muito material interessante e estranho a descobrir ainda.

» Como você analisa a evolução da musica eletrônica? Agora tudo está mais misturado e é difícil distinguir sons puros. Existem formas puras de música?

Hmm... Podem me chamar de preguiçoso ou o que quer que seja, mas eu ainda gosto de chamar a música que estamos fazendo de techno - o "nosso techno". Há também o "techno-techno", que está se tornando mais e mais desinteressante. Isso fez com que DJs como Chris Liebing ou Adam Beyer passassem a jogar no nosso time, no time do "nosso techno". Para mim, realmente nunca importou se uma faixa fosse techno, trance ou house. Para mim todos estes estilos são parte do mesmo bolo que eu costumo chamar techno. Porque eu gosto da palavra. Eu nunca gostei do electro porque tem uma batida quebrada. Eu sei, historicamente o electro tem muito ainda o que fazer com o material que saiu de Detroit. Mas eu sempre achei chatas estas discussões puristas, e não me importo realmente se você disser que o Kompakt é um selo de música minimalista. Meus amigos do selo Playhouse, em Frankfurt, fizeram uma vez uma camiseta que tocava neste ponto. Na estampa se lia: "Música boa - eu danço. Nenhuma música boa - eu não danço".

» Como sera seu set em São Paulo? É sua primeira vez no Brasil, quais suas expectativas sobre o público e o clube D-Edge?

Realmente ainda não sei o que me espera. Meus sets são sempre improvisados e diferentes dependendo do clube e do público. Eu espero que a noite no D-Edge seja muito excitante. E um bocado sexy.

Joaquim Lefévre
Joaquim Lefévre
comentários