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Luciano
Balanço Chile-Suíça da o pontapé no verão paulistano
05.01.06 01:45
Em cima da hora, a primeira edição do Technova revelou a surpresinha de boas-vindas do projeto em 2006: o DJ set do chileno Luciano. O jovem talentoso chega pela segunda vez ao Brasil – ele passou por aqui discretamente no último aniversário do clube Sirena, mas já era esperado desde o final de 2004, quando teve uma forte dor nas costas e não pode embarcar para a estréia da festa paulista No Hay Banda!, da agência Supercontents.

Na época do furo, o produtor já tinha lançado seu primeiro álbum, "Blind Behaviour" ("comportamento cego"), linda peça que se destaca no downtempo contemporâneo. Com sua face 'anti-pista', Lucien-N-Luciano, assinou com o seminal selo inglês Peacefrog, base européia de lançamentos de gente como Robert Hood, Suburban Knight e Dan Curtin. Aliado aos amigos Pier Bucci e Argenis Brito, figurantes do Mambotur, segue a mesma linha, com congas, instrumentos regionais e sutilezas inspiradoras, no projeto Monne Automne. "Introducing Light & Sound" é o disco de cheias da crew latina ávida por festa. Atenção: vale lembrar que o citado acima não é muito a cara de quando Lucien Nicolet (seu nome original), incorpora Luciano, que mantém o funky acesso no techno. Que os EPs "Funk Excursion" e "Orange Mistake", pérolas do seu selo Candenza, deixem claro a forma sutil e melódica desta sua concepção musical - truncada na criativa cena minimalista, que aliás, não é a definição que agrada Lucien (leia mais na entrevista).

É com este nome que boa parte das pistas do mundo todo têm conhecido a discotecagem e o live pa dele, filho de mãe chilena e de pai suíço. De suas primeiras residências, como no clube Weetamix, da Suíça, e o alemão Robert Johnson, Luciano carimba constantemente o case até em Ibiza, levando seu conteúdo de primeira ao caos popular da fervida ilha. E é do aeroporto de lá que o breve bate-papo com rraurl começou, via ligação 'chiada' para seu celular, e continuou no hotel na Espanha, onde o 'bombero' capota, sai para discotecar, volta, tira um 'power nap' (famoso cochilo de DJs), antes de rumar a Sampa – que está ansiosa por boas festas eletrônicas em 2006, depois de uma virada de ano deprimente na Paulista – salvada pelo techno de qualidade da Mothership, no D-Edge.

» Por que escolheu o nome "Blind Behaviour" (comportamento cego) para seu disco? É alguma critica?

Naquele tempo, eu estava olhando para nomes que tivessem algum significado relacionado ao dia-a-dia e coisas que eu acredito. Referi-me à humanidade que muitas vezes age cegamente.

» Você não se preocupa com uma possível folclorizacao da música chilena ao redor das pistas?

Não. Estou sempre preocupado em promover, no melhor sentido da palavra, a música da América do Sul. Sempre tento levar adiante comigo, argentinos, chilenos, colombianos... E não importa a quantidade e sim que a nossa divertida cultura possa estar presente. Acredito que nosso tempero é muito superior do que de outros lugares. O ritmo, as cores, as atmosferas, as melodias. E minha pegada é essa, colocar tudo isso com maquinas eletrônicas de forma simplista nas pistas.

» Através da estética minimal?

Olha, as pessoas e a mídia estão colocando o nome minimal em minha música, mas eu não quero confundi-los. Gosto do tecno minimal, mas acredito que quem faz isto é Richie Hawtin com seu Plasticman e muito dos alemães precursores, que com 5 elementos fazem uma música cheia. Minha história é colocar cor e alma nas pistas.

» Você iniciou na música tocando guitarra espanhola no Chile, quando criança antes de se mandar para a Europa. Como você descobriu que sua praia eram notas musicais?

Eu estava tentando tocar [interpretar] músicas que eu ouvia e acabei gostando e me aprofundando nos estudos do instrumento, que não tinha muita diferença de uma guitarra básica. Devo tudo isto aos meus pais que muito amavam música e passavam horas ouvindo e selecionando sons.

» Em seu primeiro retorno à Europa [ele nasceu na Suíça, mas logo se mudou para Santiago com sua mãe], ainda quando moleque, você levou contigo seu conhecimento de melodias e ritmos latinos e se deparou com outro movimento, o das raves e a fase pós-estouro da acid house (estamos em 1994, ok?). Como foi?

Fui visitar meu pai e, na verdade, tinha um amigo italiano que me levou para dançar e me lembro de ter ouvido aquela ítalo-disco baba. Me deparei com uma dance music mais comercial, porém foi quando comecei a comprar meus primeiros discos de vinil e tomar conhecimento de selos e da cultura ao redor das pistas... Aí voltei ao Chile com gás para fazer festas com amigos.

» Foi a fase com Ricardo Villallobos, Dandy Jack?

Sim, sim, entre outros. A gente tava começando a agitar a cena eletrônica, que era muito pequena, organizando festas em Santiago. Depois de um tempo, eu me desencantei porque tudo que dava suporte, sejam revistas especializadas, como clubes para tocar, estavam indo muito devagar. Em 2001, voltei à Suíça para tocar mais e estar em contato direto com a fonte. Eu tinha 22 anos e também resolvia ir para estudar Engenharia de Áudio e assim me formei.

» Como estão as expectativas e planos para 2006?

Muita coisa legal vai rolar, muita coisa mesmo. Uma das que posso adiantar é que o nosso coletivo Narod Niki [concerto musical com diversos artistas improvisando em laptops, comandados por Monolake] vai participar do Montreux Jazz Festival [lendário festival suíço, cujo palco já brilhou com o revolucionário trompetista Miles Davis!]. Estamos imensamente felizes com o convite.

Felicio Marmitex
Felicio Marmitex
www.twitter.com/feliciomarmitex
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