Galera do Eletrogralha comenta 2004 em Curitiba
Ano foi de festas pequenas, novas casas e muitos DJs locais
11.01.05 01:45
Cá estamos nós, um ano após a resenha que dava uma geral na cena do Paraná e de Santa Catarina. Desta vez voltaremos a atenção mais especificamente pros agitos eletrônicos de Curitiba, uma vez que tentar cobrir, mesmo que superficialmente, tudo o que vem rolando nos dois Estados já citados tornaria este texto extremamente extenso e estaríamos cometendo injustiças, tamanho é o número de festas e eventos que aconteceram por estas bandas.
Aos fatos então!
Clubes:
A Muzik (foto) consolidou sua posição de superclube local, enquanto que a Vibe (agora com três anos) manteve a posição com melhor política sonora underground e o after semanal que pegou.
Já o Stereo Pub é o clubinho que vem atraindo novos adeptos para a música eletrônica. Outro bom destaque é o trabalho da Beats, que, funcionando quinzenalmente, criou uma ótima opção na cidade vizinha de Campo Largo, chegando a atrair público da capital e arredores.
E não dá pra esquecer o trabalho feito por clubes como Boobalai e os recém-abertos Amatulah e Opium, que numa abordagem mais mainstream, têm trazido DJs de qualidade nas suas pick-ups.
Já Heaven e Cabral encerraram as atividades.
Bares:
A inauguração do café de Jean Pierre Lobo foi a novidade da área em dezembro, atraindo uma galera mais old-school. Logo ao lado, o House Café tornou-se ponto de encontro para os notívagos fora dos clubes e ravers em geral.
Outro espaço novo foi o Retrô, que atraiu um público a fim de curtir as terças eletrônicas do núcleo Alternate e as quintas do Retronic. E, claro, o velho e bom James Bar sempre cheio dos indies/new rockers mais abertos aos beats híbridos do eletro-rock.
E os bares Taj, Taboo e Dot, praticamente um perto do outro, fecharam o circuito onde rola boa trilha sonora eletrônica no final da avenida Batel.
Festas:
As pequenas foram a grande pedida do ano. Surgiram o after Bomb the Basement, o Fluxo Eletrônico, a TUDO! Freestyle Party e o Soul Full Project. Big Fish, Technose, Xpander e Technoweek deram o tom para os fãs dos lado mais pesado do techno. A Cats continuou com seu after mensal Luxúria e a Allstarz consolidou-se de vez como a grande festa mensal eletro-rock.
Evento do ano:
Cream Brasil na Pedreira Paulo Leminski. Atraiu 12.000 pessoas, tendo como highlight a apresentação ao vivo do Groove Armada. Paul Oakenfold empolgou fãs de trance melódico, mas não pareceu muito inspirado, haja visto a quantidade de clássicos requentados ("Children", do Robert Miles, ninguém merece) que rolou em set no qual chegou a tocar sentado. Ponto pra Mau Mau, Leozinho e Paciornik e Javier Zucker, que fez o público gritar com bootlegs rasgados de rock'n'roll!
E após a tragédia do Jockey Club (onde morreram três adolescentes pisoteados) no começo de 2004, a reabertura da Pedreira com o Cream Brasil provou que eventos pra multidões não precisam rimar com desorganização.
Na Calçada:
Abriu o ano trazendo nos sábados à tarde a música eletrônica, tirando-a dos clubes e colocando-a na esquina da loja de Jean Pierre Lobo. Acabou tornando-se vitrine para a nova geração de DJs.
Outro evento ao ar livre que atraiu bom público foi Dance Paradise nas tardes de domingo no Parque Barigui.
Novos e bons DJs:
Gorki, Flor, Paulo Antônio e Lucky
Produtores de futuro:
Pedro D'Eyrot e Pacceli
Produtores de olho no mercado internacional:
Araújo, Ilan, Spectral Skunk e Rodrigo Carreira.
Psy Nation:
Assim como em todo o resto do Brasil, o lado psicodélico do trance se firmou como uma grande força e porta de entrada a novos adeptos e fãs de música eletrônica.
A South Orbit durando quatro dias no feriadão de setembro foi uma das tentativas de se fazer um festival local na área. Outro bom destaque foi a festa Tribaltech, levando o som psicodélico pra uma vertente mais progressiva.
Free raves pipocaram em praticamente todos os fins-de-semana. E núcleos atuantes não faltam: Union, Shift, Tribaltech, Kalimist, Genetix, Psilocybin, Psy 4 Friends, Free Sessions, Gaia, Hypernoia e Lisergic Mushrooms.
Destaques:
* O selo BR 909 crescendo e aparecendo: os lançamentos e produções não param, com discos esgotados na Inglaterra, Ilan fazendo o clipe do hit "Capoeira" e em breve saindo o clipe de "Contramão", com R. Araújo.
* A abertura da AIMEC (Academia de Música Eletrônica de Curitiba), que se tornou uma boa opção pra quem quer ser DJ ou produtor, com forte conteúdo, ótima infra e professores-DJs de renome local. Praticamente um celeiro para novos e bons valores pra cena eletrônica.
* Em 2004, a galera se mobilizou e teve excursão pra tudo que é evento. Começou com Fatboy Slim, no Rio, e não parou mais: Skol Beats (total de 15 ônibus!), Tiësto, Chemical Brothers, Tim Festival, Circuito, XXXPerience e muitas outras raves fora do Estado.