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Passaram batidos
13.10.04 01:45
Olá! Como nos últimos meses não tive muito tempo para escrever resenhas sobre as novidades que saíram por aqui, resolvi dedicar esta coluna ao tema. Portanto, aqui vão doze mini-resenhas sobre discos de artistas estrangeiros lançados por aqui nos últimos meses. Enjoy...

1. (*****) Vários artistas: "Straight Out of the Cat Litter Scoop 4 – The Cats Get Remixed" (ST2 Brasil/Catskills Records UK)

Quarto volume desta série de compilações do selo inglês Catskills Records, agora só com remixes de artistas do selo. Downtempo, 2-Step e outros ritmos mais tranqüilos, sempre com muito bom gosto. Destaque para os remixes de "R'S Thing", de Bushy, por Quantic e Tim Love Lee, e de "Don't Mind If I Do" (também do Bushy), por Groove Armada e Rae & Christian. Ótima pedida para quem curte (ou quer conhecer) o trabalho dos artistas da Catskills.

2. (*****) Black Grass: "Black Grass" (ST2 Brasil/Catskills Records UK)

Excelente álbum de estréia deste duo inglês de Brighton lançado pela inglesa Catskills Records. O disco todo é bem jazzy, com pitadas de breaks, reggae, hip hop e até mesmo soul (em especial em "Going Home" e "The Finest Thing", ambas com vocal de Ra Khan). "Score" e "Reprise" se encaixam bem em um set refinado de Downtempo. Ouvindo o disco todo, fico com a impressão de que o Black Grass ouviu muito Big Beat e não tem medo de mostrar suas influências. Ainda bem!

3. (****) Vários artistas: "Pink Panther's Penthouse Party" (EMI Brasil/Virgin Records America)

Coletânea que homenageia os 40 anos do personagem da "Pantera Cor de Rosa" e que por conta da homenageada tem uma ambiência bem Lounge, para se ouvir tomando um Dry Martini, a começar pelo remix do tema da Pantera, por Saint Germain (é claro que o tema original de Henry Mancini também está presente, abrindo o disco). Uma coisa boa deste lançamento é que ele apresenta ao Brasil artistas que ainda não foram lançados por aqui, como Ursula 1000 ("Smokebomb"), Dimitri From Paris ("Sacre Français"), Koop ("Summer Sun"), Fantastic Plastic Machine ("Bachelor Pad"), Arling & Cameron ("Voulez-Vous") e Les Hommes ("Intraspettro"). Ah, e o remix do Fischerspooner para o tema da Pantera é no mínimo curioso!


4. (***) Zero 7: "When It Falls" (Warner Brasil/Ultimate Dilemma UK)

O Zero 7 talvez seja um dos grupos de Downtempo mais famosos do mundo, posição que deve ter se consolidado com este seu segundo álbum. Mas acho que justamente por esperar tanto depois do excepcional "Simple Things", me sinto meio decepcionado com "When It Falls". Mas o melhor é você conferir o trabalho e tirar suas próprias conclusões. Para mim, Zero 7 está no seu melhor quando faz faixas instrumentais, como "When It Falls", a minha favorita deste disco, e "Look Up" (que lembra bastante os franceses do Air).


5. (*****) Vários artistas: "Bajofondo Tango Club" (Universal Brasil/Universal Latino/USA)

Seguindo a onda iniciada pelo Gotan Project, temos aqui uma ótima mistura de músicos "tradicionais" da Argentina e do Uruguai com produtores eletrônicos, gerando uma mistura que vai bem tanto num café enfumaçado de Buenos Aires quanto numa pequena pista de dança de um lounge em Paris. "Mi Corazón" deve estar na sua cabeça há algum tempo, por conta de sua participação num comercial de uma marca de telefone celular. Todas as faixas são interessantes, mas destaco pela ousadia a mistura entre Tango e Drum'n'Bass de "Esperándote", de Moviola, e pela minha queda por Downtempo a bela "Forma", de Luciano Supervielle.


6. (****) Franz Ferdinand: "Franz Ferdinand" (Trama Brasil/Domino Records UK)

FF é um quarteto escocês que neste disco de estréia faz um rock de olho na pista de dança. Faixas como "Jacqueline", "Take me Out", "The Dark of the Matinée" e "This Fire" fazem uma mistura entre Rock e Pop que te levam a ficar cantando as músicas o dia inteiro na cabeça e balançar os pés quando as escuta. "Auf Achse" parece saída de um disco do The Cure ali por volta de 1985, e "Michael" ficou super famosa por conta da letra, que parece uma declaração de amor homossexual ("This is where I'll be/so heavenly/so come and dance with me Michael"), mas a banda jura que não é. De qualquer maneira, FF é Disco Punk (ou qualquer que seja o rótulo onde hoje encaixam a turma do The Rapture e do selo americano DFA) de primeira!

7. (****) Phoenix: "Alphabetical" (EMI Brasil/ Source Virgin France)

Pop, pop, pop (de qualidade), com letras em inglês e produzido por um quarteto... francês! Este é o Phoenix, que tem seu segundo álbum lançado no Brasil pela EMI. "Love for Granted" vale o disco e impressiona pelo modo como estes franceses produzem letras em inglês criativas e bem casadas com a melodia. "(You can't blame it on) Anybody" soa como algo que os Bee Gees fariam hoje se ainda estivessem na ativa.

8. (***) Beastie Boys: "To The 5 Boroughs" (EMI Brasil/Capitol USA)

Sim, sou fã deste trio de branquelos que marcaram minha formação musical. Sim, sempre admirei a preocupação dos BBs com questões sociais e políticas (em especial o lance do Tibete). Sim, esperava há anos por um disco novo deles, e quando soube que "To The 5 Boroughs" era uma homenagem à melhor cidade do mundo (New York City) já de certa forma me programei para gostar do disco. Só que depois que ouvi o trabalho inteiro pela primeira vez me confesso... decepcionado! Não sei se foi por estar esperando demais, ou por ter ficado tanto tempo sem ouvir os BBs, mas fiquei com a impressão de que meus ídolos estão cansados. Foi mais ou menos a mesma impressão que fiquei quando no final dos anos 80 vi Robert Plant e Jimi Page na TV tocando faixas do Led Zeppelin em um concerto tipo Live Aid ou coisa parecida... Bom, mas é claro que um álbum médio dos BBs vale mais do que uma mão cheia de gangsta rappers, e é sempre bom vê-los de volta depois de tantos anos sem lançar discos.

9. (****) Missy Elliot: "This Is Not a Test!" (Warner Brasil/Elektra USA)

Missy Elliot merece o sucesso que faz. Talento, atitude e uma colaboração de anos com o produtor Timbaland vêm nos brindando com álbuns sempre consistentes e de altíssima qualidade, e "This Is Not a Test!" mantém a tradição. Missy Elliot é uma mulher que faz sucesso num meio misógino e preconceituoso, sem recorrer às mesmas baixarias de muitos de seus colegas do sexo masculino. "Wake up", em parceria com Jay-Z, é uma mensagem para a turma do Gangsta Rap (Wake up!). As participações com famosos são várias, com destaque para Monica e o jamaicano Beenie Man em "Dont'be Cruel". E faixas como "Pump it up" (com Nelly) e em especial "Bomb Intro/Pass that Dutch" esquentam na hora uma pista de dança, não importa o estilo do DJ.

10. (*****) The Streets: "A Grand Don't Come for Free" (Warner Brasil/Vice Atlantic UK - na foto)

Ok, de cara aviso que "A Grand Don't Come for Free", segundo álbum do inglês Mike Skinner (a.k.a. The Streets), é muito diferente do primeiro ("Original Pirate Material"), com sua mistura de estilos como hip-hop, R&B, Dub e UK Garage. Mas ouvir The Streets continua interessante, só que agora por razões diferentes, em especial por ser este um álbum conceitual temperado por pequenas histórias que se passam em um dia na vida deste jovem londrino. A principal é a história de uma paixão que não dá certo. Aqui não temos nenhuma faixa voltada para a pista, e quem esperava de Mike Skinner uma "resposta" ao sucesso raivoso de Dizzee Rascal vai se cansar de esperar. Mas quem quer ouvir uma boa história de vida (e entende bem o inglês com forte sotaque britânico de Mike) não vai se arrepender de ouvir "A Grand" do início ao fim. Confesso que cheguei emocionado ao final da primeira audição completa.

P.S.: quem quiser conferir a letra de "Dry Your Eyes" confira o link que coloquei no final. Quem já levou um belo fora não vai deixar de se emocionar.

11. (****) The Roots: "The Tipping Point" (Universal Brasil/Geffen USA)

Neste sexto álbum, o grupo americano The Roots (se for para rotular, pense em algo como "Hip Hop sério e sensível") meio que volta ao básico, depois das experimentações de "Phrenology", seu álbum anterior. Só que o básico para The Roots é uma coisa boa, por isto o disco mantém uma excelente qualidade. "I Don't Care" parece feita para tocar no rádio e nas pistas. "Guns are Drawn" e "Why (What's Goin On?)" são minhas preferidas, apesar das letras politizadas serem meio primárias às vezes. Mas ainda assim é melhor do que ficar falando de "ass & titties", certo?

12. (*****) Dave Clarke: "The Devil's Advocate" (Sony Music Brasil/Skint Records UK)

Se você gosta de música eletrônica em geral e de Techno em particular, sabe quem é Dave Clarke e vai me ouvir quando digo a você para correr e adquirir "The Devil's Advocate", mais recente álbum deste inglês mal humorado e super talentoso. Já era para você fazer isto pelo Dave Clarke apenas, mas ele ainda acrescenta na mistura convidados de tirar o chapéu, como DJ Rush (um dos papas do House de Chicago) em "Way of Life", o rapper Mr. Lif (em "Blue on Blue", uma espécie de Electro Hip Hop) e as alemãs do Chicks on Speed, em "What Was Her Name?", um cover de "She's in Parties", do Bauhaus (Goth meets Electro em alguma esquina de Berlin), e "Disgraceland".

"The Wiggle" é quase Discotheque, "Deo Gratias" é meio "Electro Goth", e "The Wolf" é o Technozão que não podia faltar no álbum de um dos maiores DJs de Techno do Mundo, que ainda tem o "Electro Techno" "Just Ride". Dave Clarke rules!

Até a próxima!

Ivo Michalick
Ivo Michalick
Ivo Michalick é um mineiro inquieto de olho arregalado, que por onde quer que vá logo começa a agitar as coisas.
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